Saída do Reino Unido tem pouco impacto no AM

Com a saída do Reino Unido da UE (União Europeia) através do referendo realizado na última quinta-feira (23), a balança comercial amazonense pode sofrer reveses com o distanciamento desse parceiro comercial do grande bloco econômico europeu, mas ainda pode ser contemplada com facilidades de negociação. Até o ano passado, a Inglaterra estava na 11ª posição como mercado destino de produtos brasileiros. O Reino Unido entre janeiro e maio de 2016 foi responsável por importações no montante de US$ FOB 28.229,726, ou 1,19% de todas as operações no exterior, um crescimento de 18,18% em comparação ao mesmo período do ano passado.
As exportações para a União Europeia não sofrerão grandes impactos, pelo menos a curto prazo, disse o presidente do CIN-Am (Centro Internacional de Negócios do Amazonas) entidade ligada a Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Marcelo Lima. “Os acordos serão mantidos. As exportações para o bloco não sofrerão impactos e com o tempo outro mercado pode ser aberto”, comenta.
Para Marcelo Lima novas negociações com o Reino Unido podem ser a resposta para a melhora das exportações. “Esperava-se para o segundo semestre uma melhora em nossa balança comercial. Talvez venha daí o que esperamos. As exportações vinham caindo por conta da baixa demanda dos nossos parceiros”, disse.

Inglaterra ‘nova’ parceira
As definições da ‘nova’ parceira comercial são aguardadas pelo grupo Ciex um dos mais tradicionais grupos empresariais na região Norte, que em outros tempos exportou para o Reino Unido. Segundo a analista de exportação Jéssica Rodrigues, os acordos com a Inglaterra estão incertos até o momento. “O Reino Unido foi um grande comprador de castanhas do Brasil, mas desde o ano passado não temos negociado com o país. O que vem acontecendo com quase todos do bloco europeu. Nossas exportações mais significativas ficaram com a Letônia e Israel, no Oriente Médio”, disse.
A principal preocupação ainda é referente às barreiras comerciais. “Esperamos que seja tudo mais fácil com acordos individuais, já que negociar com o bloco implicava em barreiras culturais e outras, de um país para outro. Pode haver mais facilidade de negociação, mas temos que esperar para ver no que vai dar”, resume a analista.

Barreiras a menos
Algumas barreiras comerciais podem ser quebradas sem a intervenção do bloco, avalia o economista Francisco Mourão Júnior. “Alguns produtos, principalmente insumos de nossa biodiversidade, eram barrados por imposição da União Europeia, mas liberados no Reino Unido. Agora poderemos negociar de forma individual. Sem barreiras sanitárias e o protecionismo comercial de alguns países, poderemos fortalecer as relações com a Inglaterra, um parceiro comercial desde os tempos do Império”, afirma Mourão.
Negociações diretas podem ser benéficas ao Brasil me ao PIM (Polo Industrial de Manaus), diz Mourão.
“Serão novos caminhos comerciais que teremos que traçar. As exportações para o reino Unido tendem a aumentar sem as barreiras. Como fator negativo, podemos citar o fato de que acordos comerciais terão de ser refeitos, do ‘zero’, pedindo a intervenção rápida de entidades especializadas na exportação e mais missões comerciais. No momento atual com economia em crise, não podemos deixar essa parceira”, conclui o economista.

Lembrando a Alca
De acordo com Mourão, o assunto lembra um pouco do que aconteceu em 2005. “Aquele ano foi a data limite para a entrada do Brasil na Alca (Área de Livre Comércio das Américas), uma ideia gestada nos EUA. Mas quando a ideia do bloco foi engavetada e continuamos no Mercosul (Mercado Comum do Sul) não houve tanto alarde. Acho que a comoção fica mais por conta do passado histórico entre Brasil e Inglaterra, nem tanto pelos negócios”, fecha.

O que é o Brexit?

O termo Brexit é a união das palavras Britain (Grã-Bretanha) e Exit (saída, em inglês). O que estava em discussão no Reino Unido era a permanência ou não como membro da UE (União Europeia). As nações do Reino Unido são a Inglaterra, a Irlanda do Norte, a Escócia e o País de Gales. O referendo teve 52% dos votos a favor da saída e o Reino Unido deixou a União Europeia após 43 anos de participação.

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