Saída de Sergio Moro causa abalos no mercado financeiro

O desembarque abrupto do “superministro” Sergio Moro do governo não causou apenas abalos políticos, como também previsíveis tremores de curto prazo no já nervoso e bipolar mercado financeiro, nesta sexta (24). A bolsa de valores brasileira chegou a cair 9,58%, flertando com a possibilidade de mais um circuit breaker, tendo encerrado com 5,45% de queda. Em contraste, o dólar bateu novo recorde e foi a R$ 5,668, com alta de 2,54%. 

A questão é qual será o impacto econômico de longo prazo desta nova crise política na Esplanada dos Ministérios? Lideranças de entidades de classe ouvidas pelo Jornal do Commercio não arriscam prever quais os futuros lances do xadrez político, mas são unânimes em afirmar que o imbróglio veio na hora errada para a economia, que já entra no estágio de depressão, por força da crise do Covid-19.

No entendimento do presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, “não há nada tão ruim que não possa piorar”. O dirigente ressaltou que a saída do ministro Moro é um abalo para a parte da sociedade que estava clamando contra a corrupção, mas ainda é “uma decisão política”. 

“Acho que o que tinham que acontecer de ruim para a economia era a questão do dólar e da bolsa, que foram muito mal hoje. Mas, temos outros problemas econômicos para cuidar e segunda-feira as coisas vão se normalizar. Essa parte política, neste momento, não é tão importante quanto os abalos da pandemia na economia local, com as lojas fechadas e o comércio deteriorando”, desabafou.

Insegurança jurídica

De acordo com o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, “há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo”, o que inclui os impactos econômicos e sanitários do Covid-19 e a crise política instalada com a saída do ministro Moro, que geram um efeito cascata negativo para o setor, dado o potencial de instabilidade política e administrativa no troca-troca dos ministérios e cargos de segundo escalão. 

“A gente tem muito temor dessas mudanças constantes. Toda a segurança jurídica pode mudar com a entrada de um novo ministro. E, se houver um impeachment, pior ainda, porque aí começa tudo de novo. Já há muita coisa caminhando para o setor, sob o comando dos atuais ministros e técnicos, que conhecem os processos de perto. É o caso do Minha Casa, Minha Vida. Mudanças só atrapalhariam e poderiam gera efeitos negativos em legislações para o setor, também”, frisou.

“Política interna”

Segundo o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, concorda que o impacto político da saída do ministro foi considerável, mas destacou que não compactua com o coro de lideranças que pedem impeachment “de um ou de outro” e que é importante para o setor manter distância dessa questão, fazendo o que sabe melhor para ajudar o país a sair da crise.

“O impacto na economia está muito mais ligado às medidas contra a pandemia, como isolamento social e fechamento do comércio, do que questões políticas internas. Estas podem até trazer algum efeito depois, mas o grande impacto se dá pelas medidas de contenção à disseminação do vírus. Vamos ver como vai ficar isso. Há o momento em que é necessário conter o crescimento da curva e o colapso dos sistemas de saúde. E há o momento em que teremos de ver a questão social do emprego”, ponderou. 

“Ladeira abaixo”

Na mesma linha, o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, minimizou a questão e disse ao Jornal do Commercio que o setor está mais preocupado mesmo é com a extensão e o agravamento da crise do Covid-19 e seus desdobramentos econômicos na manufatura. 

“O maior impacto é o do coronavírus. Não é a saída do ministro Moro ou, amanhã, possivelmente, a saída de mais algum ministro. O que nós temos que fazer é combater o Covid-19 e  acabar com ele o mais rápido possível, para que nos possamos reestabelecer a economia. Esse é o principal motivo para ela estar vindo ladeira abaixo”, asseverou.   

“Cedo demais”

Já o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas), Muni Lourenço, disse ao Jornal do Commercio que ainda é prematuro para prever os impactos econômicos do pedido de demissão de Moro, mas não deixou de mostrar sua preocupação. 

“Esperamos que os impactos na economia decorrentes dessa crise política que começou com a saída do ministro Sérgio Moro sejam superados pela busca da unidade nacional. E que prevaleça o bom senso e a temperança”, concluiu.

Fonte: Marco Dassori

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