2 de março de 2021

Safra de grãos no Amazonas tem projeção de alta

A revisão de agosto da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) sustentou projeção de aumento de 7,8% para a safra de grãos 2019/2020 do Amazonas. A expectativa é que o rendimento global das culturas de arroz, feijão, milho e soja some 41,7 mil toneladas no período – contra as 38,7 mil toneladas da safra 2018/2019. Os dados foram divulgados pela estatal nesta semana.

Em sintonia com o volume de produção, a área de plantio total e seus ganhos de produtividade também permanecem os mesmos da previsão de julho. Em termos de extensão, houve incremento de 4,5% para as culturas, de 17,9 mil hectares (2018/2019) para 18,7 mil hectares (2019/2020). No caso da relação quilograma/hectare, o avanço aguardado segue sendo de 3,1% em relação ao intervalo anterior, de 2.162 kg/ha para 2.230 kg/ha.

Vale notar que, diferente do ocorrido no levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – que considera a produção dos 12 meses do ano –, a sondagem da estatal federal leva em conta o calendário de safra, que começa em julho e termina junho do ano seguinte. O que pode explicar possíveis discrepâncias entre um e outro.

Três das quatro culturas que compõem a cesta amazonense de grãos seguem com projeção positiva e apenas uma concentra estimativa negativas. Uma das principais apostas do setor rural do Estado, a soja tem estimativa de repetir a safra anterior, de 5.300 toneladas. O arroz sequeiro (5.400) ainda é o produto com o maior incremento da lista (+100%). As expectativas para a única safra amazonense de milho (28,4 mil) ainda são de aumento de 3,3%. O feijão (2.600), por outro lado deve retrair 18,8% no confronto com o ano passado. 

Área e produtividade

A estimativa para a área de plantio (2.300 hectares) é 4,5% maior do que a apresentada um ano antes. A manutenção nas apostas negativas para o feijão foi acompanhada pela confirmação do corte de 20% em suas áreas de plantio (2.800) em relação a 2018/2019 (3.500). Em contrapartida, arroz (+100%) e milho (+1,8%) seguem ganhando terreno, com 2.400 e 11,2 mil hectares reservados para as respectivas culturas. 

O mesmo pode ser dito sobre a produtividade. No caso da soja, a razão quilograma hectare esperada para a safra 2019/2020 é de 2.300 kg/ha, entre uma revisão e outra, apontando para uma retração de 4,2% sobre 2018/2019 (2.400 kg/ha). Feijão (+2,3%) e milho (+1,4%) alcançaram índices positivos – com 921 kg/ha e 2.535 kg/ha, respectivamente. Arroz (2.239 kg/ha), por outro lado, ainda está negativo em 0,5%.  

A produção de milho do Amazonas se concentra principalmente em Manacapuru e Boca do Acre, onde está o maior plantel animal, já que entre 60% e 70% da produção é destinada à ração. A soja vem de Humaitá (a 591 quilômetros de Manaus), na Fazenda Santa Rita. O arroz tem destaque nos municípios do rio Juruá, principalmente Eirunepé e Envira. O feijão, por outro lado, é cultivado na calha do rio Purus – em especial, Lábrea e Boca do Acre.

“Acima da média”

Para o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, a previsão da Conab confirma que a safra de grãos no Estado está aumentando e, principalmente, que os índices de crescimento de produção, de área plantada e de produtividade superam a média nacional. O dirigente destaca como exemplos o aumento de 4,5% na área plantada de soja (+4,5%) e o incremento em dobro para produção de arroz nesse quesito. 

“Além disso, o milho confirma previsão de crescimento de área plantada, produtividade e produção. São estimativas que gozam da maior credibilidade e se compatibilizam com o que acompanhamos pela iniciativa privada. Ressalto que isso é extremamente bem-vindo para o setor primário amazonense, porque é sinônimo de maior geração de emprego e de renda no campo. Agora, é importante destacar que precisamos que o crescimento seja contínuo, porque nosso Estado ainda importa a maior parte dos grãos que consome”, arrematou.

“Caminho certo”

O Jornal do Commercio procurou também o titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, para ouvir sua avaliação e expectativas em relação à safra de grãos do Amazonas, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. 

Em seu depoimento anterior, o secretário estadual mencionou que ainda esperava uma revisão para cima nos números da soja, mas não deixou de comemorar os números da Conab, além de salientar que o salto de 100% na produção de arroz mostra que a agricultura amazonense está no caminho certo e tem espaço para crescer.

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