16 de maio de 2021

Safra de grãos no Amazonas será menor, estima Conab

Em sua revisão de janeiro, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) já espera queda menor para a safra de grãos 2020/2021 do Amazonas. A projeção é que o Estado feche com 41,2 toneladas colhidas, 1,2% a menos do que na safra 2019/2020 (41,7). É a segunda correção para cima nos números da estatal, que já havia mudado a estimativa em dezembro.

O mesmo ocorreu, em menor grau, com a área de plantio total, que passou de 17 para 17,1 mil hectares. O novo patamar ainda corresponde a uma queda de 8,6% ante a safra de 2019/2020 (18,7 mil). A boa notícia é que a elevação se dá com novo reforço na alta da produtividade (+8%) – de 2.230 kg/ha (2019/2020) para 2.409 kg/ha (2020/2021). 

Em linhas gerais, a correção se deve às apostas redobradas para a soja e uma expectativa menos pessimista para o feijão, mas duas das quatro culturas que compõem a cesta amazonense de grãos ainda aparecem com projeções no vermelho. O maior crescimento aguardado ainda vem do arroz (+50% e 5.400 toneladas). 

Com estimativa de 7.400 toneladas, a soja encosta no segundo lugar, com alta calculada em 39,6% – em dezembro, a projeção era de 6.500 toneladas (+22,6%). Em contraste, o milho (23,2 mil toneladas) foi confirmado com o pior índice da lista (-18,3%). O feijão também foi reajustado para cima, mas ainda deve emendar o segundo ano negativo (-3,8% e 2.500 toneladas). 

A maior estimativa para a área de plantio ainda é a do arroz (2.900 hectares) ainda aponta para expansão de 21%, seguida pela soja (2.600 e +13%). Em contrapartida, o milho ainda é o produto que sofreu o maior tombo (-20,5% e ), 8.900). A projeção do feijão (2.700) ganhou mais espaço, mas segue 3,6% abaixo da marca de 2019/2020 (2.800). Em relação à produtividade, nenhuma cultura aparece com desempenho menor. Os melhores índices vêm do arroz (+25,1% e 2.800 kg/ha) e da soja (+23,9% e 2.850 kg/ha), sendo seguidos pelo milho (+2,8% e 2.607 kg/ha) e pelo feijão (923 kg/há e +0,2%).

Programas e regularização

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, avalia que as melhores perspectivas de crescimento para soja e arroz, seguem tendência nacional, em razão da maior demanda e valorização dos grãos. “No caso do milho, esperamos que o recuo possa não se confirmar, diante de empreendimentos privados na cultura. Já a elevação da estimativa para o feijão é importante para mostrar que a cultura continua sendo produzida principalmente nas várzeas, mesmo na pandemia”, amenizou.

O titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, diz que a revisão da Conab ocorre em paralelo com o “bom desenvolvimento” de culturas implementadas em Humaitá, Boca do Acre, Apuí, Manicoré, Canutama e Lábrea, entre outras. O secretário estadual acrescenta que programas como o Agro Amazonas e o Amazonas +Verde – aliados ao Pró-Calcário e Pró-Mecanização – devem melhorar os indicadores e já contam com recursos alocados e planejamento estratégico pronto para implementação, tão logo passe o pico da pandemia. “Podemos produzir mais em áreas degradadas, com alta tecnologia”, comemorou.

Já o ex-superintendente da Conab, administrador com especialização no agronegócio e colaborador do Jornal do Commercio, Thomaz Meirelles, ressalvou que os números só vão melhorar mesmo se o produtor tiver acesso aos recursos disponibilizados pelo governo federal, através dos planos Safra. “Infelizmente, nossos produtores têm um dos piores acessos, desde 1999. Enquanto não resolverem a questão fundiária e a agilidade na dispensa ou concessão do licenciamento ambiental, vamos continuar avançando em pequena escala”, concluiu. 

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