SACs e redes sociais acionados

Consumidores de Manaus rejeitam vendas casadas e outras práticas abusivas

Prática proibida por lei, a venda casada ainda é motivo de reclamações por parte de consumidores de produtos e serviços. Em Manaus a prática atinge qualquer classe social e é fácil de ser constatada. De financiamento de imóveis a consultas médicas, passando por uma simples ida a um fast-food ou cinema. Recomenda-se sempre resistir a essas ofertas, mas o problema maior é quando não se tem o conhecimento de que se está pagando por isso.
Mesmo sabendo da existência de canais para reclamação, estas deixam de ser feitas por falta de tempo de quem reclama e pela demora na resolução pelos órgãos de defesa do consumidor. Um lanche em uma unidade de uma grande rede de fast-food foi a causa de um mal-estar para o advogado Alexandre Neves. “Fui a lanchonete e pedi o sanduíche. Como é vendido como ‘combo’, teria que pagar por um refrigerante que não queria. Ao trocar a marca da bebida, tive que pagar mais caro” comenta.
Sem tempo para maiores discussões e para evitar confusões por coisas pequenas, o advogado resolveu não brigar. “Mas entendo a necessidade de se acionar o Procon (Órgão de Proteção e Defesa do Consumidor) e outras entidades. Infelizmente, não tenho esse tempo e paciência e resolvi apenas deixar de frequentar a franquia. Porém, vejo que hoje se têm mais informações contra a prática de vendas casadas. As campanhas estão aí, na TV e nos jornais, todo mundo ensina o caminho para os insatisfeitos”, afirma Neves.

Resistência
Resistente a vendas casadas, a analista financeiro Karla Almeida, diz estar sempre de olho para evitar abusos de vendedores e prestadores de serviços. “Nos cinemas, muita gente não se sente à vontade com isso, mas podemos sim levar lanche de casa. Eu sempre levo, inclusive água. Ninguém é obrigado a comprar a marca vendida na porta das salas de exibição”, disse Karla, que ainda elenca óticas que indicam um oftalmologista exclusivo como empresas ‘especialistas’ em vendas casadas.

Relação comercial promíscua
Em 2012, após ser encaminhada à uma oftalmologista por uma ótica de Manaus, uma paciente foi indenizada no valor de R$ 24 mil por danos morais, devido ao mau atendimento da profissional. A ação tramitou no 1º Juizado Especial Cível da Comarca de Manaus. Pela relação entre a loja e a médica, proibida por Decreto Federal, pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e pelo Código de Ética Médica, a primeira foi condenada por responsabilidade solidária, como ocorre com planos de saúde quando há erro médico, conforme decisões do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Redes sociais para reclamar
Tendência cada vez mais comum, usar as redes sociais e sites de reclamações como canal de insatisfação dos consumidores pode não servir como reclamação formal e nem gerar indenizações ou restituições do dinheiro, mas as vezes garante uma retratação pública e mais cuidados dos prestadores de serviços. Para Karla Almeida, o aborrecimento causado pela demora na entrega de artigos para bebês, foi resolvida depois de reclamações via redes sociais.
“Com a data do parto se aproximando e nada de receber os produtos, passei a comentar sobre minha insatisfação nas fotos publicadas pela empresa e a cada reclamação outras mais apareciam. Acho que isso agilizou a entrega, já que nem uma empresa gosta de ter o ‘filme queimado’ nas redes sociais”, resume Karla, que já ‘colecionou’ números de protocolos de reclamações.
O atraso e repetição nas entregas de edições de uma revista de circulação nacional, foram motivos para a empresária Daniela Oliveira buscar as redes sociais para reclamar. “O SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) da editora alongava as ligações e nunca resolviam, trocavam de atendentes e setores ou a ligação caía. A saída veio nas redes sociais. Foi muito mais rápido de resolver”, conta a empresária.

Artur Mamede
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