Roubo de carga chega a R$ 300 milhões

Maior incidência de roubos de cargas rodoviárias é em Paragominas, no Pará

O segmento de transporte de cargas rodoviário amazonense registrou em 2014 e no primeiro semestre prejuízos estimados em R$300 milhões decorrentes de roubos de cargas movimentadas a partir do Amazonas. Cigarros, fármacos e pneus estão entre os principais alvos dos assaltantes que atuam na região Norte, principalmente na área da estrada Belém-Brasília, nas proximidades da cidade de Paragominas, localizada no Sudeste do Pará.
No país, as perdas por furtos registradas em 2014 contabilizaram R$1 bilhão, com a ocorrência de 17,5 mil assaltos, dos quais, 30% das cargas estão relacionadas ao Amazonas. As informações são da Fetramaz (Federação das Empresas de Logística, Transportes e Agenciamento de Cargas da Amazônia).
O primeiro tesoureiro da Fetramaz e secretário do Setcam (Sindicato das Empresas de Agenciamento, Logística e Transportes Aéreos e Rodoviários de Cargas do Estado do Amazonas), Raimundo Augusto Araújo, afirma que no último ano houve um crescimento de 18% no índice de roubos de cargas a nível nacional, em relação a 2013, o que totaliza 17,5 mil furtos. Segundo Araújo, diariamente são registradas mais de 40 ocorrências, o que totaliza cerca de 2,1 assaltos a cada hora no país. Ele destaca que o maior volume de ocorrências acontece a partir do município de Paragominas, em solo paraense.
“Acredito que o Amazonas está entre 30% a 38% das cargas perdidas nacionalmente. É um número assustador. Esse fenômeno ocorre com frequência devido o descaso do governo federal com as questões de segurança e punições. O Artigo 6 da Constituição Federal do Brasil assegura o direito à educação, à saúde e segurança, mas isso não é cumprido”, reclama o representante.
Araújo ainda comenta que o segmento teme o crescimento dos números de assaltos por conta do cenário de dificuldades econômicas que atingem o país, o que segundo o secretário, pode levar algum cidadão a seguir o caminho da criminalidade. “A situação econômica do país não é boa e a impunidade se avoluma. Isso é preocupante. A estimativa é que o percentual de roubos se mantenha ou apresente crescimento em decorrência do aumento no volume de desemprego. São fatores que fomentam os furtos. Às vezes as pessoas praticam atos ilícitos para se manter”, comenta.

Busca por segurança
De acordo com Araújo, hoje para que uma carga saia de Manaus e de qualquer capital do país com o mínimo de segurança possível, é necessário que a transportadora contrate ao menos dois tipos serviços voltados ao monitoramento. O detalhe é que a adesão de novos gastos encarece o valor do frete, no Estado, entre 13% e 15%.
O primeiro sistema de segurança utilizado é o de gerenciamento de risco. Este sistema é um seguro adicional que conta com a rastreabilidade por satélite. O segundo recurso que compõe o sistema de segurança e prevenção das transportadoras é a escolta armada, onde equipes autorizadas ao uso de armas pela Polícia Federal são contratadas para acompanhar o trajeto percorrido pelas cargas durante o transporte rodoviário. “Dois carros acompanham as carretas, um posicionado à frente e outro atrás da última carreta, para fazer a escolta. Eles se comunicam por meio de rádio. É um plus que o transportador usa para dar segurança à carga na tentativa de garantir a entrega do produto com segurança”. Além desses sistemas, o transportador também utiliza aparatos como o lacre de segurança e rastreador da carreta.
Roubos no transporte fluvial
A situação não é muito diferente quando se trata do percurso fluvial. No último ano, o segmento da navegação estadual registrou prejuízos estimados em R$100 milhões decorrentes de assaltos às embarcações em todos os Estados da Região Norte. Segundo o Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas), nos últimos 5 anos houve um crescimento médio anual de 15% no índice de furtos fluviais.
O presidente do Sindarma, Dodó Carvalho, comenta que nos últimos anos a ocorrência de furtos a todos os tipos de embarcações como balsas, empurradores e barcos que transportam passageiros tem se tornado cada vez mais frequentes e que 2014 foi considerado como o pior ano, com relação à criminalidade. Ele explica que as perdas avaliadas em R$100 milhões envolvem os assaltos às cargas de combustíveis, produtos eletroeletrônicos e demais insumos transportados entre o Amazonas e a região Centro-Sul do país.
Na tentativa de amenizar o problema, a categoria busca apoio junto à bancada do Amazonas no Congresso Nacional com o intuito de obter a aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) nº52/2012 que prevê a criação da Polícia Hidroviária Federal.

Priscila Caldas
[email protected]

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email