Rosas e espinhos – parte 2

Caríssimas autoridades eleitorais e judiciárias. Desçam do seu pedestal e venham às ruas, não para fazer compras em Portugal. Retirem os antolhos e as vendas dos olhos. Observem a miséria à sua volta. Abandonem o descaso pela plebe ou a conivência condescendente; não os acuso, mas tenho a obrigação de arguir todas as teses disponíveis, protegido pela certeza de nossas imperfeições humanas, para tornar claros, objetivos e contributivos os meus dizeres. Abraçar a defesa e a permanência das “urnas eletrônicas” constitui, no mínimo, um erro crasso, uma aberração e o descumprimento da Lei.
Por mais uma vez desejo escusar-me diante do caro leitor para incluir no texto uma observação que reputo importante: desejo reafirmar o meu orgulho de ver publicados no Jornal do Comércio do Estado do Amazonas os meus escritos para, de imediato, acrescentar que, em um deles, nominei como A QUEM INTERESSA, uma de minhas crônicas e, a um só tempo, pedir permissão para me valer de tal expressão no transcorrer do meu raciocínio.

Volto às excelentíssimas e digníssimas autoridades eleitorais e judiciárias constituídas que já se manifestaram defensoras da “urna eletrônica” e contrárias ao “voto impresso”. Sob hipótese alguma, questionarei os vossos personalíssimos abalizados argumentos, até mesmo pela impossibilidade de debatê-los, por não estarmos frente a frente. Entretanto, algumas ponderações de cunho pessoal e nos meus limites de conhecimento, julgo necessário abordar, e me permito externá-las.

Inicio perguntando: A QUEM INTERESSA? Vamos puxar o novelo de lã? Recordemos a aprovação legal do “voto impresso” em 2015 e sua consolidação em 3 de outubro de 2017. A apuração eleitoral por intermédio do voto impresso é o único instituto legal existente. O que mais cabe discutir? Absolutamente NADA. Basta instituir de fato. Houve e ainda há espaço temporal suficiente para tanto.

Mas não sejamos fundamentalistas e radicais: houve dúvidas? Que, de imediato à sua promulgação, tais dúvidas fossem sanadas. As providências não foram tomadas. Empurrou-se com a barriga, diz o conhecido jargão. O que esperam as autoridades no assunto? A factualidade semelhante à prescrição? Que se concretize o processo eletivo em 2018 e que incautos ou meros oportunistas arguam a nulidade do pleito eleitoral em função do uso indevido de instrumentos de apuração à revelia da lei vigente?
A QUEM INTERESSA tal situação? Quem se locupleta e se aproveita dos desmandos implantados? Garanto que não sou eu, não é você, cidadão de bem. Assim, resta-nos piamente acreditar que as excelências jurídicas e eleitorais, sem esquecer que são humanos (recordam disso?) e corruptíveis como outro qualquer, constituem o nosso baluarte legal e seria terrivelmente constrangedor e decepcionante constatar o contrário, quer pelo acovardamento, quer pelo descaso deliberado que, sabemos, poderá transformar-se em algo mais sério, com “nome jurídico” apropriado.

Por acaso existem dúvidas de que a “urna eletrônica” se presta, com uma subserviência crassa e bizarra, à fraude, posto que constitui verdade comprovada e inquestionável, mesmo desconsiderando a pitada de exagero desses termos para este caso? Convoquem profissionais idôneos, de consolidada formação na área. Não permitam que os institutos legais e, principalmente, a vontade popular, sejam massacrados. Jamais colaborem para que o verbo omitir e o termo descaso venham a substituir ou sejam confundidos com o verbo compactuar.

Na realidade, é preferível abandonar o veículo disponível para a corrupção que aos poucos se vai, para abraçar o voto impresso, legalmente o único veículo de apuração do voto popular. Caríssimas autoridades constituídas: o cidadão não está nem um vintém preocupado se o voto depositado por ele nas urnas será ou não conhecido pelos outros e este é o mais frágil e enganoso argumento apresentado pelos detratores do “voto impresso”.

O povo exige que os malfeitores sejam expurgados do poder de uma forma limpa e sem fraudes. A apuração dos votos, exclusivamente pela “urna eletrônica”, sem impressão dos votos, facilita a fraude. A impressão dos votos tornará praticamente nula a possibilidade de fraude na apuração dos votos e permitirá a “prova dos noves”. Lembram dela? Infelizmente, hoje, nas Escolas, para a simples operação 4×4 somente se encontra resultado com uma calculadora nas mãos ou à mão, conforme queiram ou prefiram.

E mais: o “voto impresso” foi instituído por lei, a tempo hábil para que fosse viabilizado. A quem interessa, pois, que não seja ele o mecanismo definido para ser utilizado na apuração dos votos no próximo pleito eleitoral. Perdoem a redundância, se houver.

Falei de rosas, flores, espinhos, riquezas naturais, rios e mares. Não esquecerei, agora, do azul do céu e do brilho cintilante das estrelas. Existe em nós uma necessidade profunda de retorno às raízes, às serestas ao luar, sentados à beira da porta de nossas casas e de nos bronzearmos expostos aos raios de sol, livres das surpresas desagradáveis dos arrastões e a pele bem untada com protetor solar.

Não há caminho de volta às coisas boas do passado que deixe de passar pela extirpação sumária da corrupção e da roubalheira instituídas nos dias de hoje. É fundamental que assim seja. O destino dos criminosos, necessariamente, não pode ser outro que não a cadeia e a devolução da parte do roubo que ainda não gastou em suas orgias de festas, viagens e presentes caríssimos ofertados aos seus apaniguados.

O cidadão de bem exige a presença de representantes do povo com a integridade que têm o dever de possuir. Basta de fraudes e conchavos, apuração espúria dos votos sufragados. Existe um instrumento legal definido pelo legislativo, corroborado pelo Executivo e pelo Poder Judiciário, confiável e à disposição do Brasil. O gigante acordou.
O povo exige o voto impresso.

* é escritor e coronel da Aeronáutica. E-mail: [email protected]

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email