Rodada Doha está perto de acordo em pontos importantes

O comissário da UE (União Européia) para o Comércio disse ainda em um evento ontem, no Conselho de Relações Exteriores em Nova York, que “enquanto todo mundo diz que as negociações estão fracassando, elas, na verdade, têm se movido adiante e chegamos perto de um acordo em pontos cruciais”.
“Há esboços sobre a mesa, outros não estão muito atrás. O próximo será de revisões, acrescentando alguns detalhes sobre os aspectos práticos onde hoje há algumas lacunas”, afirmou.
A Rodada Doha foi iniciada em 2001 com a pretensão de ampliar a liberalização comercial em diferentes âmbitos, entre os quais a agricultura, que é um dos mais conflituosos e centro das maiores divergências entre os países menos desenvolvidos e os Estados Unidos e a União Européia.
Um possível acordo de comércio entre Mercosul e UE só deverá avançar com a conclusão da Rodada Doha da OMC (Organização Mundial de Comércio). Com ou sem acordo entre os dois blocos, os participantes da Cátedra Mercosul da Sciences Po de Paris, reunidos sexta-feira, em São Paulo, afirmaram que as iniciativas de negociação comercial devem ser fortalecidas.
‘Com ou sem o acordo entre Mercosul e União Européia, o mercado já se encarregou de fortalecer essa relação, que é a mais importante para o Brasil, já que o bloco europeu responde por importantes valores em importações, investimentos e é o principal destino das exportações da indústria brasileira’, disse Mário Marconini, presidente do Conselho de Relações Internacionais da Fecomercio. Segundo ele, no entanto, os negociadores do Mercosul aguardam a conclusão de Doha -para o sucesso ou para o fracasso- para conhecer as novas bases do comércio mundial.

Nogociações quase se concluíram em 2004

“O ideal seria avançar com as negociações do acordo bilateral entre Mercosul e União Européia, ndependentemente de Doha. Mas para os europeus, é muito importante saber o quanto terão de comprometer com o acordo multilateral, de Doha”, afirmou Marconini.
A medida evita que ocorra algo semelhante ao Acordo de 2004, que consumiu quase cinco anos de tratativas para firmar um acordo de associação dos dois blocos e não se concretizou. “As negociações quase se concluíram em 2004 não fosse a falta de consenso sobre alguns pontos centrais, entre eles questões do setor automotivo e agrícola’, disse Marconini.
Quanto às reivindicações da UE, não foram atendidas, sobretudo, as da área de serviços (bancos, telecomunicações, transportes e seguros) e as de investimentos, compras governamentais e propriedade intelectual. Desde então, os dois blocos têm mantido um canal aberto de negociação e de comércio, mesmo sem sinalização de uma efetiva retomada ou conclusão das negociações.
Segundo estudo realizado por Marconini, as importações provenientes da UE saltaram de US$ 4,3 bilhões em 1999 para US$ 20,1 bilhões em 2006, um salto de 367%, enquanto as exportações brasileiras para o bloco europeu passaram de US$ 11,4 bilhões para US$ 30,4 bilhões no mesmo período (alta de 167%).
“Entre 2004 e 2006, as exportações brasileiras para a União Européia cresceram 16%, devido à melhor demanda no bloco, à disparidade entre o dólar e o euro e os investimentos de empresas brasileiras”, disse Sandra Rios, do CINDES (Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento).

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