Riqueza no subsolo, mas distante do povo

O Amazonas é rico em minérios, apresenta a maior bacia de sais do mundo e ainda é capaz de atender a uma cadeia produtiva voltada ao segmento cosmético, além de outros setores fabris. Apesar do potencial expressivo, o Estado ainda deixa a desejar quanto ao fomento da produtividade dos recursos minerais, perdendo espaço em relação aos Estados de Minas Gerais (MG) e do Pará (PA), considerados como maiores produtores minerais do país. Mas, apesar das dificuldades, o Amazonas contabiliza a extração de pelo menos cinco minérios por meio de lavras localizadas em alguns municípios. As informações são do DNPM/AM (Departamento Nacional de Produção Mineral-Amazonas).
Conforme o geólogo e superintendente substituto do DNPM/AM, Fred Cruz, no Amazonas existem 135 processos de permissão de lavra garimpeira protocolizados desde 2005 e que até hoje estão pendentes de aprovação. Ele explica que o problema está na falta de liberação por parte do órgão ambiental do Estado, no caso, o Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas). Sem a permissão de lavra concedida do órgão, o DNPM não pode expedir a liberação de lavra.
“Até hoje, nenhuma permissão de lavra foi autorizada. Todos os garimpos funcionam irregularmente. Sem a liberação do Ipaam não podemos dar continuidade aos processos”, explica.
Segundo Cruz, o maior entrave ao desenvolvimento do setor mineral amazonense está na burocracia excessiva e ainda na ausência de políticas públicas que deem ênfase ao fomento do setor mineral. Ele define o Amazonas como um Estado rico em minérios, mas, que por falta de investimentos, perde em expressividade aos Estados do Pará e Minas Gerais. “O Amazonas não tem políticas públicas para o setor mineral. É um Estado que tem forte potencial a partir de minérios que agregam maior valor em relação aos minérios encontrados no Pará. Temos a maior bacia evaporítica química de sais do mundo. Essa extensão inicia em Novo Airão e vai até a fronteira de Santarém, nas proximidades a cidade de Juruti (PA)”, disse. “O Amazonas continua longe do interesse, como instituição pública, de fomentar a mineração e atrair investimentos. Hoje, praticamente toda atividade mineral está sendo bloqueada por descumprimento dos processos licitatórios de meio ambiente. Porém, esses problemas são internos, de responsabilidade do órgão ambiental”, completou.

Tântalo é o mineral de maior viabilidade

Entre os minérios extraídos atualmente no Estado estão: argila, calcário, estanho, nióbio e tântalo. Dentre eles, Cruz considera que o tântalo é o minério de maior viabilidade econômica para o Estado, recurso mineral que serve para a fabricação de bateria de celular, fuselagem de avião, dentre outros. “Se tivéssemos um programa de governo voltado à tantalita, teríamos um outro formato econômico no Amazonas”, destacou.
A argila cerâmica é extraída pelas empresas Cerama, localizada em Iranduba; e Litiara, instalada em Itacoatiara. A argila utilizada para a fabricação de cimento é extraída pela empresa CBE, em Manaus.
Conforme o DNPM, o calcário é a matéria-prima utilizada pelas empresas Itacal, CIA e CBE, encontrados nos municípios de Urucará, Maués e São Sebastião do Uatumã, respectivamente.
Na região do município de Presidente Figueiredo, a empresa Mineração Taboca extrai estanho, criolita, nióbio, tântalo, tório, urânio, xenotima e zirconita.
Conforme o geólogo, entre os projetos que estão em fase de pesquisa estão as jazidas de bauxita, em Nhamundá, mineral pesquisado pela empresa Mineração Rio do Norte; o caulim, que já recebeu concessão de lavra, mas as extrações ainda não aconteceram. A extração de caulim deve ser feita pela empresa paulista Mineração Horboy Clays Ltda, e também pela Kalamazon Estudos Geológicos Ltda. “Eles estão em busca de investidor para extrair o caulim”, disse Cruz.
Outro projeto em fase de pesquisa é relacionado à extração de potássio, em Autazes, iniciativa comandada pela empresa Potássio do Brasil. Segundo o geólogo, o processamento da mineradora deve gerar dois milhões de toneladas do minério ao ano, por meio de investimentos estimados em US$2,5 bilhões. A silvinita também está em estudo para a extração.

Indústria cosmética

Fred Cruz ressalta que os minérios existentes no Amazonas têm potencial para servir como base a um novo segmento industrial que é o de cosméticos, o que ele classifica como a possibilidade da inserção de um segundo polo industrial no Estado. Ele afirma que boa parte dos minerais utilizados na produção de cosméticos são provenientes da Europa e que no Amazonas existem matérias-primas que possibilitam a produção de itens como o batom, creme hidratante e esfoliante, entre outros. “A maioria dos produtos cosméticos usam como base os minerais da Europa que muitas vezes são rejeitos radioativos. O Amazonas está pronto para a indústria de geocosméticos. Poderíamos, tranquilamente, ter uma indústria para o refino da matéria-prima para fazer o batom, o creme hidratante, que é feito da argila, e ainda o esfoliante que é feito de areia. Também temos o titânio, em Barcelos, que é a base da fabricação do protetor solar. Temos uma diversidade de minerais que possibilitam a criação desse novo polo produtivo”, explicou.
A reportagem entrou em contato com o Ipaam para solicitar esclarecimentos quanto ao processo de liberação ambiental das lavras, mas até o fechamento da edição não obteve resposta.

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