‘Rip Art Reusa’ trabalha pelo meio-ambiente e as pessoas

Das profundezas de uma crise de depressão, a ex-cozinheira, e agora artesã, Cristina Pereira da Silva tirou forças para começar um projeto que, atualmente, beneficia cerca de 40 famílias no bairro Redenção.

“Meu marido me abandonou, com dois filhos pequenos, e tive que vender a casa onde nós morávamos porque ele ganhou na justiça o direito de ter a parte dele no imóvel. Com a minha parte do dinheiro só consegui comprar uma casinha na beira do igarapé, rodeada de lama e sujeira. Aquilo me levou à depressão”, lembrou a história que se passou há mais de dez anos.

Para tentar vencer a depressão, Cristina começou a se ocupar dando aulas de crochê para as vizinhas. O sucesso das aulas foi tão expressivo que, para ter mais espaço, ela passou a atender suas alunas ao ar livre, sob uma árvore.

Em 2015, Cristina participou da primeira edição da Virada Sustentável, movimento que visa melhorar a sociedade e o meio ambiente com sustentabilidade. A partir dali seus horizontes se abriram.

“Queria fazer mais, além das aulas de crochê, então procurei o Grupo Transformação, aqui do bairro, que cuida só de crianças, e eles me alugaram um terreno deles. Começamos a recolher papelão, garrafas pet e roupas usadas para transformar esse material em artesanato. Mais pessoas se juntaram à causa. Assim nasceu, há cinco anos, no dia 27 de setembro de 2015, o projeto Rip Art, mistura de rip rap com arte.

20 mil máscaras

Na segunda edição da Virada Sustentável, de 2016, o próprio Virgílio Viana, superintendente geral da Fundação Amazonas Sustentável, que organiza a Virada Sustentável, em Manaus, visitou a sede do Rip Art e perguntou que tipo de ajuda Cristina estava precisando ao que ela respondeu: ter uma sede própria para o projeto. Ganhou. Virgílio Viana comprou o terreno e deu para Cristina. Essa atitude só fez aumentar ainda mais o ânimo da artesã. A partir do Rip Art surgiu o Reusa (Programa de Restauração Ecológica e Urbanização Sustentável da Amazônia).

“Começamos a dar uma atenção melhor ao igarapé e realizar a sua limpeza, ao mesmo tempo em que promovíamos a conscientização dos moradores de suas margens para que não jogassem lixo no seu leito e isso se tornou uma realidade”, contou.

Além da limpeza, a área de rip rap ganhou corrimãos, foram instaladas lixeiras em espaços estratégicos e os proprietários que quiseram, tiveram a fachada de suas casas grafitadas para embelezar ainda mais o local.

O artesanato continuou sendo o ponto alto do Rip Art Reusa e tem sido a principal fonte de renda para as famílias que dele participam, porém, óleo de cozinha usado é transformado em sabão; banner, desses utilizados com propagandas, nas ruas, e sacos plásticos de ração para cachorro, viram sacolas. O papelão é transformado em artesanato ou é vendido para reciclagem e as garrafas pet, utilizadas apenas nos artesanatos, agora vão ganhar um novo e importante destino.   

Atividade representa, para muitos, renda extra

“Começamos só com mulheres, a maioria nas mesmas condições que eu, abandonadas pelos maridos, e com filhos. Atualmente são 30 mulheres, mas abrimos também para os homens. Temos doze aqui atuando junto com a gente na produção de artesanatos os mais variados: peças de crochê para infinitas utilidades, porta-jóias, vasos, sacolas para supermercados (para reduzir o uso de sacos plásticos), puff estofado tipo saco, puff tipo banco, jogo americano e a mais recente produção: máscaras”, listou.

Homens também fazem parte da ação

Com a grande demanda pelas máscaras de proteção contra o coronavírus, praticamente todos os integrantes do Rip Art Reusa passaram a produzi-las, em casa, ou nas máquinas de costura existentes na sede do projeto. Durante o isolamento social chegaram a produzir aproximadamente 20 mil máscaras, parte vendidas e parte doadas.

Madrinha Cristiane Torloni

Agora o Rip Art Reusa vai dar mais um grande salto em sua trajetória. Uma empresa se interessou em comprar plástico triturado de garrafas pet. Até uma trituradora já foi adquirida.

“As pessoas sempre doaram material reciclável para os nossos trabalhos de artesanato: principalmente papelão e garrafas pet. Parte do excedente do papelão é repassado para vendedores que os direcionam para empresas recicladoras. Agora vender as garrafas pet será muito importante para que possamos desenvolver outras ações”, destacou.

Cristina comemora ter ido tão longe com o seu projeto. Até a atriz Cristiane Torloni, defensora do meio-ambiente, se tornou madrinha do Rip Arte Reusa e sempre que vem a Manaus, visita o bairro da Redenção para acompanhar o andamento dos projetos de Cristina.

Agora, os integrantes do Rip Art Reusa, junto com o Grupo Transformação, estão empenhados em arrecadar brinquedos para fazer uma grande festa no Dia das Crianças (12 de outubro).

“É mais uma das nossas ações para reunir a comunidade da Redenção em torno de um mesmo pensamento de união e paz”, concluiu.

Quem desejar visitar e conhecer as ações do Rip Art Reusa e do Grupo Transformação pode agendar uma visita pelos: 9 9508-0824 e 9 9467-4116. A sede do Rip Art Reusa é: rua Porangatú, 224 A – Redenção.  

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