Rio Preto da Eva vai ganhar fábrica de polpas de abacaxis

Após encerrar 2006 com mais de 5 milhões de frutos, produtores rurais do município de Rio Preto da Eva, a 80 quilômetros de Manaus, anunciaram uma colheita 30% superior a do ano passado, isto é, cerca de 6,5 milhões. O resultado, de acordo com a Aspripe (Associação dos Produtores Rurais de Rio Preto da Eva) pode beneficiar mais de 20 núcleos produtivos com cerca de cinco trabalhadores rurais cada e proporcionar elevação da renda média familiar de R$ 550 para R$ 620.

O presidente da Aspripe, Sérgio Iziumi, afirmou que em Rio Preto da Eva existe um dos maiores cultivos de abacaxi no Estado, mas a idéia é investir na polpa utilizando as agroindústrias como forma de agregar valor ao produto e evitar o desperdício do material.

De acordo com o dirigente, os 20 produtores da entidade obtiveram um financiamento, no início deste mês, junto ao Banco da Amazônia no valor de R$ 250 mil, cujo destino será a construção já no primeiro quadrimestre de 2008 de uma unidade fabril para beneficiamento e processamento de polpa de fruta.
Iziumi acrescentou que os associados têm pretensão de vender o produto industrializado para as grandes cadeias de supermercado da capital, mas a meta, até o fim do ano, é fechar acordos de fornecimento de polpa para pelo menos duas fábricas de sorvete na cidade de Manaus.

“Entretanto, se queremos aumentar nossa demanda, precisamos estar preparados para evitar o desperdício provocado pela logística entre o nosso município e Manaus. Essa foi a principal razão de decidirmos pela construção da usina de beneficiamento”, completou o dirigente, acrescentando que a transformação da fruta em polpa deve diminuir o desperdício na razão de dois em cada 10 abacaxis colhidos.
Para o agricultor João de Jesus Lima, o escoamento da produção agrícola para outras regiões é o principal gargalo do setor primário em Rio Preto da Eva. Os investimentos em infra-estrutura, disse o produtor, “infelizmente são caros, já que é muito abacaxi e, às vezes, não temos caminhão para escoar a produção. E quem não tem acesso ao transporte, precisa pagar até R$ 0,20 por unidade”, reclamou.

Já o produtor rural Marcolino Junqueira disse se mostrar satisfeito com o aumento na colheita já que os ganhos com a venda do abacaxi in natura devem render um aumento no lucro mensal para algo em torno de R$ 620.
Na opinião do presidente da ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas), Valdelino Cavalcante, a garantia que os produtores rurais têm em relação à aquisição do produto vem incentivando o aumento das safras de abacaxi em todo o Estado do Amazonas.

Credenciar associações

O executivo ressaltou a importância do credenciamento de novas associações agrícolas para a organização da economia na zona rural, evitando uma saturação de uma única espécie de produto no mercado local. “O Amazonas tem bastante demanda para absorver toda a produção de frutas e legumes do interior, além de oferecer preços bem mais interessantes às associações. No caso do abacaxi, o preço varia entre R$ 1,60 e R$ 1,75 o quilo”, explicou o presidente da ADS.

Para o titular da Sepror (Secretaria de Estado da Produção Agropecuária, Pesca e Desenvolvimento Rural Integrado), Eron Bezerra, os resultados esperados para a safra deste ano podem alavancar definitivamente o abacaxi como a fruta de maior expressão no Amazonas, ultrapassando inclusive o açaí, bastante consumido.
“O abacaxi amazônico pode ser considerado um dos melhores do país, por isso nossa meta é iniciar a exportação da polpa do produto para a Venezuela até meados de 2008”, informou o secretário, assegurando que as negociações com o governo venezuelano, entretanto, depende também do interesse da iniciativa privada.

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