Rio Madeira pode ficar sem água para navegação

A estiagem extrema prejudica o transporte fluvial que ocorre por meio do rio Madeira, entre o Amazonas e Rondônia. Ontem, as águas atingiram o nível de 2,28 metros em Porto Velho, a menor cota registrada no mês de agosto dos últimos dez anos, segundo o Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas). Os empresários do setor da navegação alertam para o risco de paralisação no transporte de cargas, caso as águas continuem baixando pelas próximas duas semanas. Os dirigentes estudam a possibilidade de um acordo com a direção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, localizadas em Porto Velho (RO), que prevê a abertura das barragens e a liberação das águas com o intuito de viabilizar fluidez ao transporte fluvial.
O vice-presidente do Sindarma, Claudomiro Carvalho, explica que devido ao baixo nível das águas as embarcações reduziram em 30% a capacidade de cargas transportadas. As dificuldades na navegação ocasionaram o aumento no tempo de viagem. Em média, o trajeto feito pelo rio Madeira, entre Manaus e Porto Velho, durava quatro dias, tempo que neste período dura até sete dias de transporte. No sentido oposto (Porto Velho-Manaus), que antes era de oitos dias, o tempo de viagem passou para 15 dias.
O rio Madeira atingiu nível de 2,28 metros em Porto Velho nesta segunda-feira (15). A cota é a menor registrada no período do início de agosto dos últimos 10 anos. No ano passado, no mesmo período, o rio Madeira apresentava 9,48 metros.
“O rio Madeira está atingindo um ponto crítico que pode parar a navegação. Se o volume das águas continuar reduzindo como está, até o final do mês as embarcações não conseguirão transportar mercadorias por falta de água para navegar. Se a cota atingir 1,5 metro ficaremos impossibilitados de navegar”, disse o empresário.
De acordo com o vice-presidente, a alternativa em meio a este período de dificuldades está na liberação de águas por meio da abertura das barragens das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, ambas em construção no rio Madeira, em Porto Velho. Ele adianta que a primeira conversa sobre o assunto ocorreu ontem entre o presidente do sindicato das empresas de navegação de Porto Velho e a direção das concessionárias responsáveis pelas hidrelétricas.
“É a alternativa em meio a esse problema que pode paralisar nossas atividades. As usinas podem liberar volume de água para ajudar à navegação. Conversamos hoje para analisar a situação e ver o que pode ser feito. Precisamos de pelo menos um calado de dois metros para manter a navegação. O ideal seria três metros, mas dois já facilitarão esse fluxo”, comentou. Conforme Carvalho, apesar das dificuldades para transportar cargas, ainda não há previsão de desabastecimento em Manaus e nem de aumento do preço dos fretes. “Temos com aumento do tempo de viagem Manaus a Porto Velho e no sentido oposto, além de uma redução de cargas nas balsas para que as embarcações naveguem com calado mais aliviado, mas ainda não temos desabastecimento e nem aumento de frete. Claro que já temos um aumento do custo da viagem, até em função da redução da capacidade de carga, mas está sendo absorvido pelas empresas de transporte”, explicou o vice-presidente. O rio Madeira é um dos principais corredores logísticos do país e integra o Arco Norte. Pela Hidrovia do Madeira ocorre o escoamento da produção agrícola, principalmente soja e milho de Mato Grosso e Rondônia, e insumos como combustíveis e fertilizantes, com destino a Porto Velho e Manaus. Além de alimentos e produtos produzidos na Zona Franca de Manaus.

Restrições na navegação

No mês de julho, a Marinha do Brasil restringiu a navegação na Hidrovia do Madeira entre Porto Velho e Humaitá, no Amazonas. A Marinha suspendeu a navegação noturna de comboios de embarcações em trecho do rio situado em Rondônia.

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