Rio Bravo quer fisgar cliente private de bancos

Banco está lançando fundo para oferecer a clientes de alta renda contato mais personalizado

De olho na clientela “private” de grandes bancos, a gestora Rio Bravo Investimentos está lançando uma assessoria financeira que visa oferecer a clientes de alta renda um contato mais personalizado do que o oferecido em bancos, com uma estratégia que promete afastar os investidores de vieses comportamentais que prejudicam seus resultados e capaz de superar o retorno do CDI.
“Os bancos usam e abusam da força que têm com a clientela. Nós vamos oferecer um serviço personalizado que atenda esse cliente de alta renda que fica meio perdido nos bancos”, diz Paulo Bylik, sócio-fundador da Rio Bravo.
O novo serviço, chamado Portfólios Rio Bravo, é um fundo de investimento que tem como estratégia principal a diversificação dos ativos e a manutenção desse balanceamento no longo prazo.
A divulgação do fundo e o anúncio da nova estratégia de captação de clientes pessoa física da gestora foram feitos pelo sócio-fundador da Rio Bravo.
Para eliminar as preocupações do investidor com o sobe e desce do mercado e afastar as tentações de movimentar demais a carteira, os ativos do Portfólios serão balanceados apenas a cada seis meses ou diante de uma situação extraordinária de mercado.
Uma estratégia que, segundo estudos da Rio Bravo, teria sido capaz de superar nos últimos 20 anos o rendimento do CDI -taxa de juros praticada em transações interbancárias que baliza o rendimento das aplicações de renda fixa e fica próxima à Selic.
“O Portfólios evita que o investidor fique o tempo mexendo nos seus investimentos. Ele propicia uma maior disciplina e com isso reduz os custos, já que é muito caro ficar girando a carteira”, afirma Bylik.
Ele acredita que, com menos movimentações o fundo tende a ter um melhor desempenho não só por diminuir os custos das movimentações, mas também por prevenir o investidor e o gestor de vender ativos na baixa e comprar na alta.
Esse movimento costuma prejudicar os resultados, mas por causa da aversão à perda investidores têm uma tendência de querer se livrar de um ativo em queda o quanto antes.
Por outro lado, também tendem a comprar ativos que já estão em alta, puxados pelo efeito manada, que leva os investidores a seguir o “rebanho” e aplicar nos ativos que a maioria do mercado investe, quando eles já estão caros.
Esses comportamentos, que não fazem muito sentido do ponto de vista racional, são chamadas de vieses psicológicos por estudiosos das finanças comportamentais, que investigam as emoções que influenciam as tomadas de decisões financeiras.
Outro diferencial em relação aos bancos, segundo Bylik, seria a maior independência do fundo. “Os bancos investem em ativos da própria instituição financeira. Já a Rio Bravo, por ser uma gestora independente, não tem esse conflito e investe nos ativos com melhor desempenho”, diz.
A aplicação mínima no Portfólios é de R$ 200 mil e o objetivo, segundo Bylik, é que o cliente traga a maior parte dos seus recursos disponíveis para investimento para que a Rio Bravo se encarregue do seu trabalho de diversificação.
“Queremos atingir o cliente de banco que está comprado até a alma em CDB e poupança e que está mal servido”, diz o sócio-fundador da Rio Bravo.
O fundo terá uma taxa de serviços de 0,10% ao mês (cerca de 1,20% ao ano). Não haverá taxa de corretagem e nem de custódia.
O Portfólios tem liquidez de uma semana, isto é, os clientes que solicitarem o resgate dos seus recursos poderão recebê-los em um prazo de até uma semana. Também não há período de carência, desde o início do investimento o cotista é livre para sacar sua participação.
A gestora lançará três Portfólios. O primeiro será aberto para captação até o final de setembro e é voltado a investidores com perfil conservador e moderado; o segundo será voltado a clientes com perfil moderado e o terceiro a clientes com perfil arrojado. Esses outros dois fundos serão lançados neste ano, mas ainda não há uma data definida.
Conforme explica Eduardo Levy, gestor do Portfólios Rio Bravo, o primeiro fundo será distribuído da seguinte forma: 25% em ativos atrelados ao CDI, 20% em ativos atrelados ao IMA (índice que representa a evolução de uma carteira de títulos públicos), 30% em fundos imobiliários, 15% em Bolsa, sendo 5% em ativos atrelados ao Ibovespa e 10% em fundos ativos de ações e os 10% restantes em fundos multimercados, incluindo multimercados juros e moedas, que investem em moedas no exterior.
A Rio Bravo tem sob sua gestão um volume total de recursos de R$ 10,2 bilhões e seus principais clientes são investidores institucionais, tais como: fundos de pensão, seguradoras, fundações e instituições de fomento, entre outros.
De acordo com Levy, a distribuição dos ativos que compõem a carteira do novo fundo foi baseada na expertise que a gestora tem na administração dos recursos desses grandes clientes e também no tipo de investimento que atende a demanda do investidor pessoa física. A cada seis meses, o fundo será rebalanceado para voltar à diversificação original. Isto é, se os ativos atrelados ao CDI tiverem um rendimento alto e passarem a ter um peso de 30% na carteira, os gestores realocarão os recursos para que o percentual retorne aos 25% originais. “Normalmente, investidores acabam vendendo ativos que subiram mais e comprando ativos que subiram menos”.

Por dentro

Cuidados

Antes de fazer qualquer tipo de investimento, é sempre muito importante verificar se a aplicação em vista combina com os seus objetivos e perfil de risco.
No caso do fundo da Rio Bravo, por exemplo, a carteira inclui uma boa porção de ativos de renda variável, que são mais arriscados, já que seus rendimentos são imprevisíveis.
Também não se trata de um investimento para quem pretende resgatar os recursos no curto prazo.
Além disso, ainda que os estudos da gestora mostrem que o fundo teria superado o CDI nos últimos 20 anos, retorno passado não é garantia de rentabilidade futura.
Por fim, uma das regras básicas dos investimentos pessoais é não colocar todos os ovos em uma cesta só. Ainda que o Portfólio tenha uma diversificação dentro da carteira, ao concentrar os recursos apenas nesse investimento o investidor pode estar colocando seus ovos todos em uma só cesta.

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