Revolução no mundo das tapiocas

Quem cresceu lendo os gibis da Disney, com certeza conhece muito bem o professor Pardal, inventor que idealizava as mais absurdas engenhocas que, no final, funcionavam como ele queria. Pois Manaus tem uma versão feminina do professor Pardal, a advogada Marcela Monteiro Martins. Ela é a idealizadora da konioca, uma máquina que produz, em minutos, tapiocas no formato de cones, prontas para receber qualquer tipo de recheio, dos tradicionais tucumã, ovo frito, queijo coalho e banana frita, a sorvetes, sem perigo de vazamento porque a konioca veda completamente o fundo da tapioca cônica. Mas como qualquer invento, não foi de um dia para o outro que a ideia de Marcela se concretizou.   

Marcela idealizou a konioca, uma máquina que produz, em minutos, tapiocas no formato de cones. Foto: Divulgação

“Um dia, em 2016, eu estava em Vancouver, no Canadá, num intercâmbio de estudantes, enfrentando um frio de menos doze graus. Eu morava no porão da casa e resolvi pedir uma pizza. Ao pegar a pizza para comer, enrolei-a no formato de um cone. Lembrei do calor de Manaus quando surgiu a ideia de inventar uma máquina que fizesse a nossa querida tapioca naquele formato”, recordou.

“Como qualquer amazonense, tenho o hábito de comer tapioca e, através de minha invenção, essa iguaria tão amazônica poderia ser servida tanto da maneira tradicional, quanto com recheios doces e gelados”, completou.

Tapioca inovadora e com opções de muitos recheios
Foto: Divulgação

Aquela ideia não mais saiu da cabeça de Marcela e, quando a jovem retornou a Manaus, a concretização da máquina se tornou um pensamento recorrente e ela se empenhou para torná-la real. Viajou até São Paulo, para um polo de engenharia, as cidades de São José dos Campos, São Carlos e Guarulhos.

Meu querido cone

Estranhamente nenhum engenheiro procurado por Marcela se interessou pelo seu projeto.

“Eles diziam que eu precisava de um protótipo, e eu respondia que estava ali exatamente atrás de quem fizesse esse protótipo, ou então perguntavam para que eu queria inventar aquilo?”, riu.

Chateada, Marcela voltou a Manaus, quando um amigo lhe indicou um torneiro mecânico, que talvez pudesse ajudá-la.

“Era o Naldo. Ele criou a máquina inicial. Fez a carcaça e a parte elétrica, mas faltava o principal, os cones. Em 2018 ele precisou ir embora de Manaus e a invenção ficou parada”, contou.

Ainda em 2018, Marcela foi para Belo Horizonte e, numa viagem que fez entre a capital mineira e Búzios, em todo o percurso viu panelas penduradas nas residências e comércios. Descobriu que aquela região era rica em empresas que trabalhavam metais. Não pensou duas vezes em se mudar para Belo Horizonte, levando a konioca construída por Naldo, uma máquina de 15 quilos.

Certo dia, andando pela rua, procurando um apartamento para alugar, Marcela tropeçou e quando olhou para cima seus olhos foram direto na placa de uma tornearia. O nome da rua era Amazonas. Seria um sinal de que aquele era o caminho? Ela foi até lá e o atendente indicou o Paulo, um torneio mecânico que fazia tudo que era acessório de metal.     

Durante quatro meses Paulo trabalhou no cone, mudando a espessura da folha de alumínio, testando vários cortes e os métodos de aquecimento até que, finalmente, em novembro daquele ano, ele descobriu o ponto certo que a peça deveria ter para produzir tapiocas.

“Naquele dia fiquei tão alegre que dormi abraçada com o cone”, revelou.

Várias koniocas

Mas se a ideia de Marcela já havia avançado bastante, ainda estava longe de chegar ao final. Ela procurou a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) para que seus engenheiros transformassem o protótipo numa máquina que pudesse ser industrializada.

“Na primeira reunião, engenheiros e estudantes se apaixonaram pelo projeto. Durante um ano eles aperfeiçoaram a parte elétrica e mecânica da konioca e, em novembro de 2019, me entregaram o resultado final”, disse.

Marcela e os jovens engenheiros da UFMG
Foto: Divulgação

De volta a Manaus, com a sua ideia finalmente concretizada, Marcela procurou uma empresa para industrializá-la. Em dezembro mesmo ela conheceu o engenheiro Alexandre Damasceno, que se tornou seu sócio e, em julho do ano passado, começou a produção das máquinas. Em agosto ficou pronta a primeira.

Agora os sócios já estão trabalhando no projeto de uma konioca doméstica, para qualquer pessoa fazer, em poucos minutos, tapiocas cônicas.

A máquina principal não será vendida. Marcela e Alexandre criaram uma franquia e os interessados em trabalhar com as tapiocas deverão se franquear.

A franquia também disponibilizará a goma própria, exclusiva, que precisa estar totalmente desidratada, para ser utilizada na máquina. Uma porção de 140 gr de goma produz uma generosa konioca.

“Em junho, no Amazonas Shopping, iremos inaugurar a primeira loja da franquia, com uma grande variedade de koniocas recheadas, e já estamos abertos a conversar com os interessados em se tornarem franqueados”, avisou.

Informações: 9 9192-1915.

Foto/Destaque: Divulgação

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