16 de abril de 2021

Reunião define plano de trabalho

Empresários do polo de duas rodas (entre fabricantes de bens intermediários, finais) e entidades representativas se reúnem nesta sexta-feira, com o superintendente da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), Thomaz Nogueira

Empresários do polo de duas rodas (entre fabricantes de bens intermediários, finais) e entidades representativas se reúnem nesta sexta-feira, com o superintendente da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), Thomaz Nogueira, para organizar um plano de trabalho para o setor.
O descumprimento do novo PPB (Processo Produtivo Básico) de duas rodas será um dos principais assuntos tratados durante o encontro.
Em vigor desde julho deste ano, a portaria interministerial n. 195/2011 que estabeleceu o novo PPB estipula que os fabricantes de bens finais abasteçam seus estoques com um percentual de partes e peças regionais ou nacionais, como medida de combate às importações asiáticas.
Porém, o regulamento não tem sido cumprido. De acordo com dados da balança comercial do Estado, as importações de insumos da Ásia já representam mais de 60% de tudo o que o Amazonas importa e os componentistas locais amargam queda de 50% na produção este ano, segundo estimativa da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas).
O diretor de relações institucionais da Moto Honda e conselheiro da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), Paulo Takeuchi, afirmou durante coletiva a impressa, que o PPB não reagiu conforme a expectativa dos empresários do setor.
Em entrevista anterior ao Jornal do Commercio, o consultor empresarial do PIM, Ailson Rezende, disse que os fabricantes de componentes são constantemente pressionados a reduzir o preço de seus produtos, mas a alta carga tributária é uma barreira para que eles cheguem próximo aos preços oferecidos pelos asiáticos.
O resultado é o crescimento constante das importações. Dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) mostram que entre janeiro e novembro deste ano, o Amazonas já gastou US$ 9,43 bilhões com a compra de insumos asiáticos, 74,01% do total das importações do estado, sendo a maior parte (US$ 4,64 bilhões) provenientes da China. Já os gastos com acessórios para o setor de duas rodas somam US$ 392,25 milhões.
“Dentro da cadeia produtiva, os fabricantes de componentes, realmente são os que mais sofrem, e no setor de duas rodas não é diferente”, enfatizou Takeuchi.
Por esse motivo, para ele, mais do que a concorrência com os produtos importados este ano, a queda do próprio volume de vendas foi a razão do grande impacto sobre os intermediários.
“Devido à crise econômica global e todo nosso aperto de crédito para compra de motocicletas, nossa produção sofreu queda de 20%, o que é um percentual bastante significativo. É claro que, estando na base, as fábricas que fornecem os matérias para a produção das motos, também sentiram a queda”, explicitou.
Em relação às importações, Takeuchi explicou que o Amazonas gastou mais com a compra de insumos, não porque tenha aumentado os pedidos e sim porque com a variação do dólar, os preços subiram. “Compramos menos e pagamos mais este ano”, avaliou.
Em meio à crise, o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, apontou a desoneração de 25% do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) da energia elétrica para cerca de 30 fabricantes de bens intermediários do segmento como o principal incentivo para garantir a continuidade das empresas.
A desoneração foi concedida pelo governo do Amazonas , temporariamente, como parte do pacote anticrise para o setor de duas rodas e vale até o final deste ano.
A extensão do incentivo segundo adiantou o secretário da Fazenda do Estado do Amazonas, Afonso Lobo, será definida até sexta-feira em reunião entre a equipe da Sefaz e o governador do Amazonas, Omar Aziz.
Marcos Fermanian projeta a desoneração por mais dois anos para que os fabricantes consigam se estabilizar.

A reunião

O diretor executivo da Abraciclo, José Eduardo Gonçalves, diz que a reunião não terá caráter decisório, mas sim iniciará uma discussão em torno dos entraves que cercam os fabricantes, tantos os de peças quanto os de produto final.
Outros pontos como crise e acesso ao crédito, inadimplência do consumidor, medidas para incentivar os fabricantes, também serão debatidos.

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