Reunião acaba sem acordo

O diretor-presidente do grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, disse ontem, em Paris, que a reunião realizada pelo Conselho de Administração do Grupo Casino para avaliar as negociações abertas entre Pão de Açúcar e Carrefour no Brasil não resultou em acordo, mas ainda “há brechas” para um entendimento amigável. “É o que eu espero, um acordo amigável”, reite‑ rou. Questionado se havia visto a brecha no encontro de ontem, o brasi‑ leiro respondeu: “Olha, às vezes a gente não vê, mas continua tentando”.
Na reunião, Diniz não chegou a apresentar suas propostas. Além disso, disse não ter concordado com os estudos apresentados sobre a negociação. Ele não revelou detalhes sobre os levantamentos. “Eu não fiz apresentação nenhuma. Eu assisti a uma apresentação feita aqui”, afirmou. “Não estou de acordo com os estudos que foram feitos, porque não representam a verdade. Mas eu não quero fazer críticas”.
Em nota, o conselho de administração do Casino afirmou que estudos realizados por consultorias contratadas pela empresa indicam que a proposta de operação financeira feita pela Gama/BTG Pactual de associação do Carrefour com o Pão de Açúcar é “contrária aos interesses do Grupo Pão de Açúcar e de seus acionistas”.
Sobre a suposta decisão do governo de orientar o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a recuar em seu projeto de financiamento da fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour, Abílio Diniz não quis fazer comentários. “Não sei, não sei. Estou aqui, não estou lá no Brasil. Não tenho nada a dizer”. Ao término da reunião, Diniz informou que retornaria a São Paulo, sem mais encontros em Paris.

CAE aprova requerimento para depoimentos

A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado) aprovou ontem requerimentos convidando o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, para depor sobre a iniciativa, aparentemente abandonada, de participar do processo de fusão do grupo Pão de Açúcar com a multinacional francesa Carrefour.
No seu requerimento, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) lembra que os recursos do banco são provenientes, entre outros, do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), de dotações orçamentárias da União e ainda de recursos captados no exterior. “Como a participação do BNDES seria da ordem de R$ 4 bilhões, caracterizaria uma condição crescente da dependência do banco dos recursos orçamentários da União”, alega.
Autor de outro requerimento, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) quer ouvir Luciano Coutinho, entre ou‑ tros assuntos, sobre a política de desembolso e a política industrial do BNDES. A CAE adiou para agosto a votação dos convites ao presidente do grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz; ao presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Fernando de Magalhães Furlan; ao ex-presidente do BNDES Luiz Carlos Mendonça de Barros, e ao presidente do grupo JBS, Wesley Batista.

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