Retração preocupa economistas

Contrariando os dados otimistas apresentados pela Seplan (Secretaria de Estado de Planejamento) na última reunião do Codam (Conselho de Desenvolvimento do Amazonas) de 2013, realizada na terça-feira (18), o Corecon/AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas) apresentou números que demonstram uma redução nos investimentos industriais desde 2005 no PIM (Polo Industrial de Manaus).
De acordo com Marcus Evangelista, presidente do Corecon/AM, números reais baseados em dados das pautas do CAS dos últimos oito anos indicam uma retração de implantação de projetos industriais de -3,35%. Também houve uma redução de -2,81% nos projetos de diversificação, ampliação e modernização. Além disso, taxa de natalidade de empresas no Estado apresentou queda de -1,22%. O pior dado, porém, é na questão dos projetos de serviços -que são as empresas de logística que prestam serviços para as empresas que estão aqui instaladas -, com uma retração de 15,36%.
Na opinião de Evangelista, essa falta de interesse dos investidores pelo modelo Zona Franca já é um reflexo das incertezas provocadas pela proximidade do fim do prazo legal dos benefícios da Zona Franca de Manaus. Para ele, os nove anos que faltam para a extinção das vantagens fiscais são um período muito curto para uma empresa fazer seus investimentos e ter o retorno desejado.
“Das mais de 500 fábricas instaladas, apenas 470 estão, efetivamente, produzindo. Ou seja, o panorama não é tão bom quanto está sendo apresentado, esperamos que a gente consiga reverter isso para os próximos anos. Estamos entrando agora em um período de incertezas. A partir do dia primeiro de janeiro, estaremos com apenas nove anos de incentivos fiscais que fazem as fábricas se instalarem e permanecerem aqui. A gente espera que tenha uma prorrogação urgente, uma vez que todos esses números já demonstram uma diminuição de investimentos na Zona Franca devido a essas incertezas. Não é todo investidor que vem a Manaus não tendo a certeza sobre a prorrogação”, declarou.

Seplan

Na reunião do Codam, o secretário de Estado de Planejamento, Airton Claudino, chegou a afirmar que “os mercadores do apocalipse da Zona Franca de Manaus estão ficando para trás, porque o modelo é exitoso e deverá continuar cresecendo”. Ele minimizou a retração de projetos industriais no PIM em 2013, ao atribuir a desvantagem no montante investido no Estado no ano anterior a um “investimento atípico” da empresa Samsung, com valores que ultrapassaram os R$ 7 bilhões, mas que em números absolutos a quantidade de projetos se mantém estável.
“Com o crescimento lento da economia brasileira, esperava-se um 2013 bastante negativo. No entanto, os números mostram que não. Estamos chegando a quase R$ 6 bilhões em investimentos. Claro que esse número é bem menor do que o ano de 2012, quando chegamos a R$ 12 bilhões, mas no ano passado tivemos um investimento fora da curva, que foi da Samsung de quase R$ 7 bilhões. Então excluído este atípico praticamente há um crescimento nos valores de investimentos e o ano termina praticamente com a mesma geração de empregos de 2012”, explicou Claudino na terça-feira.
Em 2013, o Codam aprovou 217 projetos industriais que somam R$ 5.940 bilhões em investimentos e geração de 11.509 novos empregos em até três anos. No ano passado, o montante investido no PIM foi de R$ 12.189,06 em 237 projetos.

Faltam alternativas

Marcus Evangelista ressalta a preocupação do Corecon/AM com a situação de “desinteresse” dos investidores pelo modelo ao lembrar que, hoje carente de alternativas, o Polo Industrial de Manaus é responsável por toda a economia do Estado.
“Hoje nós ainda dependemos do modelo Zona Franca de Manaus e, por isso, estamos fazendo esse alerta. Precisamos corrigir essas discrepâncias. Precisamos mudar o panorama para que o cenário se torne favorável para novos investimentos. Justamente por que o nosso único polo econômico é o Distrito Industrial”, disse.

“Discussão deve ser técnica, e não política”

No dia 21 de novembro, um debate realizado pelo próprio Corecon/AM já apontava estatísticas que demonstram o início de uma crise na Zona Franca de Manaus e os entraves na articulação política para defender o modelo junto ao Congresso Nacional.
Na ocasião, o presidente do Corecon/AM, Marcus Evangelista, defendeu que discussão seja feita de maneira mais técnica e menos política.
“Os políticos não conseguiram passar a real situação do que vai ser o Amazonas sem o PIM. A ausência de argumentos técnicos na discussão nos deixa preocupados. Nós, os economistas, não fomos consultados em nenhum momento. A gente vê que os deputados estão levando a discussão muito para o lado político e na prática a gente não sabe o que vai acontecer. Hoje, entre empregos diretos e indiretos, geramos quase 500 mil postos de trabalho”, disse.
Com a presença de diversos representantes da classe econômica, o debate promovido pelo Corecon foi coordenado pelo economista Jose Laredo, eleito o Economista do Ano de 2013. Durante o evento, Laredo explicou que para a retomada dos investimentos no PIM é necessária uma definição sobre o futuro do modelo, já que todo o desenvolvimento de investimentos é na base do contrato de risco. Ainda segundo o Conselheiro Consultivo do Corecon, o tempo de maturação do negócio e de retorno dos investimentos leva, no mínimo 10 anos – exatamente o tempo que resta para o polo industrial.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email