Retirada de investimentos sociais em pauta

A redução dos investimentos internacionais em organizações sociais brasileiras e suas conseqüências serão tema da mesa “Bye Bye Brasil: as ONGs diante da saída dos recursos internacionais”, que ocorre na sexta-feira, 9, no 6º Congresso sobre Investimento Social Privado, promovido pelo Gife – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas. O evento, que este ano tem como tema “Visões para 2020”, será realizado entre os dias 7 e 9 de abril, no Sheraton Rio Hotel & Resort, no Rio de Janeiro.
O debate “Bye Bye Brasil” terá mediação de Marcelo Estraviz, da ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos), e contará com as participações de: Bradford Smith, da Foundation Center; Sergio Haddad, da Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais e Fundo Brasil de Direitos Humanos; e Neylar Lins, representante da Avina Brasil e da Aliança Interage, grupo que reúne agências de cooperação e instituições privadas que investe no setor social, entre elas o Instituto C&A.
As empresas que estão apoiando o congresso são: Fundação Bradesco, Fundação Roberto Marinho, Petrobras, Vale, Fundação Itaú Social, Instituto Unibanco, Oi Futuro, Instituto C&A, Instituto Camargo Corrêa, O Boticário, Fundação Banco do Brasil e Instituto HSBC de Solidariedade.
Nas últimas quatro décadas, as agências de cooperação internacional exerceram um importante papel no fortalecimento da democracia brasileira por meio do apoio a projetos e ações institucionais de OCS (organizações da sociedade civil). Contudo, nos últimos 20 anos, transformações no cenário global e no contexto brasileiro provocaram mudanças no fluxo de recursos para o Brasil. Recentemente, com a crise financeira mundial, esses investimentos estrangeiros tiveram redução acentuada, afetando fortemente a sustentabilidade de organizações sociais brasileiras e a sua capacidade de influência sobre as ações e políticas relacionadas com os problemas sociais nos quais atuam.

Elo estratégico

“O debate em torno deste assunto é importante, pois as organizações da sociedade civil atuantes na defesa de direitos têm desenvolvido um papel imprescindível na criação de novos direitos e na implementação de estratégias de incidência política e de controle social”, destacou a Aliança Interage, por meio de texto distribúido à imprensa. Além disso, prossegue a organização, elas são um elo estratégico na afirmação dos direitos como condição de desenvolvimento social sustentável e de democracia.
O assunto tornou-se pauta de discussão entre organizações não-governamentais internacionais, institutos e fundações privadas e agências de cooperação internacional, com atuação nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Com apoio da Aliança Interage, o grupo consolidou uma articulação chamada D3 – Diálogo, Direitos e Democracia -, a qual visa sensibilizar e articular representantes de diferentes setores públicos e privados para garantir a sustentabilidade das ações de afirmação e defesa de direitos.

Aportes despencam 49,42% entre 2009 e 2010

Para aprofundar o debate e contribuir para delinear perspectivas para o investimento das organizações internacionais no cenário social brasileiro, a articulação D3 realizou uma pesquisa, em parceria com o Instituto Fonte para o Desenvolvimento Social. Em março de 2010, 41 organizações internacionais, sem fins-lucrativos, com diferentes formas de atuação no Brasil responderam um questionário sobre o tema.
Apesar de o estudo registrar que a taxa de investimento de organizações internacionais em instituições brasileiras obteve um crescimento médio significativo entre os anos de 2007 a 2009 (de 2007 a 2008 foi de 7,55% e de 2008 a 2009, de 30,4%), há uma alarmante queda de 49,42% dos investimentos entre os anos de 2009 e 2010. Dentre os principais motivos para a diminuição ou retirada de investimentos estão a crise econômica, a mudança de prioridade de regiões do globo e a mudança de estratégias das instituições internacionais. Agrava o quadro o fato de que cerca de 15% destas organizações prevêrem a retirada completa dos investimentos do país até 2015.

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