Resultado mostra confiança, diz Coutinho

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, disse nesta quinta-feira (1º) considerar bom o resultado da produção industrial nacional, que subiu 1,9% em junho na comparação com maio, conforme divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
“É relevante sublinhar que, considerando as circunstâncias todas, é um bom resultado, um excelente resultado para um mês em que houve um movimento forte da taxa de câmbio e maior incerteza no cenário internacional”, disse Coutinho.
A produção industrial cresceu 3,1% em comparação a junho de 2012. No acumulado de 2013, a taxa de crescimento é 1,9% e, nos últimos doze meses, acumula alta de 0,2%. O crescimento de 1,9% frente a maio –quando a produção industrial caiu 1,8%, para o presidente do BNDES “revela que o estado de confiança das indústrias em planos de produção foi mantido”.
Coutinho disse ainda que o crescimento da economia americana, que avançou 1,7% no segundo trimestre deste ano, é uma boa notícia para os mercados, que já vinham reavaliando no mundo inteiro o impacto das mudanças no Fed (Banco Central americano), que fez um ajuste fiscal e causou ansiedade no primeiro semestre deste ano. “Os mercados sobrerreagiram de maneira muito nervosa”, afirmou Coutinho.
Para ele, o momento é prematuro para traçar projeções para o Brasil, que pode manter um plano de investimentos independente de conjunturas. “Como no Brasil temos um conjunto de investimentos que não dependem de conjunturas, têm perfil de longo prazo, e correspondem a desequilíbrios e carências grandes de infraestrutura, esses investimentos, se estruturados de forma coordenada, têm a capacidade de gerar um ciclo de investimentos”.
Sobre os desembolsos do BNDES, Coutinho afirmou que os feriados em decorrência da visita do papa Francisco podem deixar o resultado de julho abaixo do esperado, o que poderá ser recuperado em agosto.
Produção
Apesar do resultado positivo da indústria no mês de junho, alguns segmentos têm dificultado um crescimento mais robusto do setor.
No ano, a indústria acumula alta de 1,9%, mas a categoria de bens de consumo semiduráveis e não duráveis (como roupas, calçados e alimentos) apresenta queda de 0,6% no período. Os dados foram divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Outra categoria que puxa o resultado para baixo é a de bens intermediários (insumos usados pela indústria na produção). Com o maior peso na indústria, de 55%, apresentou alta de 0,4% no período, bem abaixo do resultado do setor como um todo.
Em junho, a indústria operava 1,6% abaixo do pico registrado pelo setor, em maio de 2011.
“Há uma melhora da indústria, mas ela ainda não está disseminada. Das 27 atividades pesquisadas, 12 tiveram resultados negativos”, afirma André Luiz Macedo, gerente do IBGE.
Segundo Macedo, as explicações para o desempenho dessas categorias vão de paralisações para manutenção de plataformas de petróleo, à redução das exportações de minério de ferro e ao menor dinamismo da metalurgia.
Outros fatores que pesam, especialmente no caso de bens semiduráveis e não duráveis, é a inflação elevada, assim como o endividamento das famílias.

Influência positiva

Na outra ponta, a categoria de bens de capital (máquinas e equipamentos) foi a maior influência positiva no ano. Entre janeiro e junho, acumula alta de 13,8%.
A categoria de bens de consumo duráveis também colaborou positivamente para a alta de 1,9% do setor. A indústria de veículos automotores foi uma das principais responsáveis por esse desempenho, com alta de 14,9%.

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