Restrição de crédito com elevação do compulsório será pequena

O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse na quinta-feira que o aumento no depósito compulsório dos bancos anunciado pelo Banco Central não deverá afetar a oferta de crédito pelas instituições financeiras.

O BC anunciou uma série de medidas que aumentam o valor que os bancos terão que deixar depositados no caixa da autoridade monetária, o que retirará R$ 71 bilhões da economia. “Não haverá a diminuição do credito nesse momento. Haverá alguma restrição pequena, mas isso não é problema”, afirmou.

Para Mantega, existe um excesso de liquidez no mercado nesse momento e os bancos têm muito crédito disponível. “Acho que a medida foi muito adequada e terá um efeito positivo na economia”, completou.

Superavit primário

Mantega comemorou ainda o resultado das contas públicas divulgado na quinta-feira pelo BC. Em janeiro, o setor público registrou superavit primário de R$ 16,18 bilhões, possibilitando o primeiro superavit nominal em 15 meses.
“Acho um excelente resultado, que mostra que vamos fazer o superavit de 3,3% (do PIB) neste ano, mostra que as contas públicas vão muito bem. Já estamos com a arrecadação em forte expansão, estamos no caminho certo, com a sustentabilidade fiscal que tem sido prometida pelo governo”, afirmou.

Mudanças nas regras

A indústria paulista avalia que as mudanças nas regras do depósito compulsório anunciadas terão efeito no custo do crédito e são semelhantes a uma alta na taxa básica de juros da economia, a Selic.

“Vai afetar empresas e consumidores, com aumento do custo”, afirmou na quinta-feira Paulo Francini, diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas Econômicas) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

O Banco Central anunciou na quarta-feira, um aumento na alíquota do chamado compulsório para 15%. A alíquota vale para depósitos a prazo. Durante a crise, para liberar mais recursos para o mercado, o banco reduziu o percentual para 13,5%.

“Nós (da indústria) que éramos contra o aumento da Selic agora somos duplamente contra. Com isso (o aumento do compulsório), espero que se elimine a alternativa de alta da taxa Selic”, afirmou.
Para ele, a medida é uma forma de diminuir a atividade econômica ao reduzir a oferta de recursos e, consequentemente, aumentar custos.

Ele lembra que com uma maior parte de recursos depositados obrigatoriamente no Banco Central, os bancos terão que buscar a compensação das perdas dos ganhos em outras operações, o que tornará o crédito mais caro.

Crescimento em janeiro

A atividade da indústria paulista subiu 0,4% em janeiro ante dezembro de 2009, na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). Na série sem ajuste, o INA caiu 4,5%.

Na comparação com janeiro de 2009, o indicador apresentou alta de 18%. Nos últimos 12 meses, o nível de atividade teve variação negativa de 6,2%.
O nível de utilização da capacidade instalada, que mensura o uso de máquinas e equipamentos nas indústrias, ficou em 81,7% em janeiro com ajuste, contra 82,4% registrado em dezembro e 78,8% contabilizado no mesmo mês do ano passado.

O levantamento da Fiesp e do Ciesp mostrou ainda que o total de salários pagos em janeiro, já descontada a inflação do período, teve queda de 6,5% ante dezembro. No confronto com igual intervalo no ano passado, houve retração de 0,6%.
Já as horas trabalhadas na produção caíram 0,9% sobre dezembro. As vendas reais da indústria, por sua vez, caíram 21,2% no comparativo com dezembro e 0,4% ante o mesmo mês de 2009.

O indicador que aponta a percepção dos empresários sobre as perspectivas da economia, mensurado pelo Sensor Fiesp, mostrou melhora neste mês. O índice atingiu 55 pontos, contra 53,9 pontos verificados em janeiro
O sensor varia entre 0 e 100 pontos e números acima de 50 indicam otimismo.

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