Restaurantes têm risco de fechar após Covid-19, alerta Abrasel-AM

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Covid 19 ameaça fechar e endividar bares e restaurantes por falta de demanda no avanço da crise

O setor de serviços de alimentação fora do lar não aguenta sobreviver mais do que um mês sem faturamento, alerta a Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – Seção Amazonas). Caso as medidas sanitárias impostas pela emergência do Covid 19 incluam restrições mais severas ao funcionamento de espaços públicos em um período mais longo, a entidade prevê extinção em massa de empresas e de empregos.

“Acabei de sair de uma reunião com nossos associados e a situação é preocupante. Na melhor das hipóteses, as empresas vão se endividar muito e levar este ano e talvez o próximo para quitar seus compromissos. A maioria não conta com capital de giro e a margem de lucro do segmento é muito pequena. Um mês nessa situação seria crítico. Dois gerariam colapso, com muito prejuízo e falências”, frisou o presidente da entidade, Fabio Cunha, ao Jornal do Commercio.

De acordo com o dirigente, os bares e restaurantes do Amazonas já vinham sentindo uma piora na frequência do público ao longo da semana passada, que registrou decréscimo de 10% nos dias adicionais, culminando com retração de 30% no domingo. O decreto de suspensão de aulas em escolas e faculdades, contudo, foi fulminante para o setor, que amargou um tombo de 70% nesta segunda (16). Diante disso, algumas empresas já estão dando férias coletivas.

“O medo e o pânico já estavam impactando nos negócios. Infelizmente, as medidas oficiais acabaram reforçando essa sensação. O setor já estava se preparando para crescer até 30% neste ano. Não seria o suficiente para recuperar o que perdemos e voltarmos aos bons tempos anteriores à crise, mas era um começo. Agora, com essa situação, não dá para arriscar nenhuma previsão. Até porque essa nova crise ainda é muito recente e não sabemos quanto vai durar”, lamentou. 

Contingências e delivery

Fabio Cunha informa que a Abrasel-AM vem acompanhando com preocupação os efeitos da evolução da crise não apenas nas vendas, como também no próprio funcionamento do setor. Bares e restaurantes de Estados como Goiás já estão proibidos de abrir as portas, por decreto. No Rio de Janeiro e em outras praças, ainda não há essa imposição, mas uma sugestão de que os estabelecimentos passem a trabalhar com serviços delivery para atender a clientela sem colocar em risco a saúde pública em aglomerações.

Segundo o presidente da Abrasel-AM, as atuais condições de demanda de entregas a domicilio não permitem que as empresas de alimentação fora do lar sobrevivam apenas com o delivery. “O faturamento não é suficiente para sustentar o funcionamento de um restaurante com 40 ou mais funcionários, por exemplo. Embora a procura por esse serviço tenha aumentado uns 10%, ainda não foi o suficiente para mudar esse quadro”, asseverou. 

As empresas estão impondo planos de contingência para gerenciar a crise. Estes incluem não apenas o reforço boa prática na manipulação dos alimentos e maior higiene nos espaços – com a disposição de álcool gel a contento para colaboradores e clientes –, como também a própria redução da capacidade de atendimento dos estabelecimentos – com o aumento da distância das mesas. “É melhor atender 50% do que não atender ninguém”, justificou.

Reunião marcada

Por conta das dificuldades, a entidade tem reunião marcada com o governador do Amazonas, Wilson Lima, às 14h desta quarta (18), para sugerir medidas contra atual crise e solicitar apoio estadual ao setor. Entre elas, o fomento a empréstimos para as empresas com juros subsidiados, a redução ou adiamento de tributos e até a anistia de dívidas. A Abrasel-AM deve procurar a prefeitura de Manaus também, em data ainda a ser marcada.

“A saúde é prioridade, mas a saúde da economia também é importante e não pode ser descuidada. Bares e restaurantes empregam atualmente mais de 80 mil pessoas no Amazonas e contam com uma cadeia produtiva que começa no pequeno agricultor do interior do Estado e termina nos estabelecimentos da capital, passando pelos imóveis e TI. É um setor que não pode parar. Pretendemos continuar oferecendo serviços de qualidade e com segurança a nossos clientes”, concluiu. 

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