Respondendo as principais perguntas que me fazem a respeito do tema

A importância de conservar e preservar a natureza é pauta recorrente nos dias atuais. É  fundamental para o equilíbrio do planeta e de todos os seres vivos. Para celebrar o dia mundial do meio ambiente fazemos algumas perguntas ao Prof. Dr. Sérgio Gonçalves, da Universidade Federal do Amazonas. 

Por que dia 05 de julho comemora-se o dia mundial do meio ambiente ?

Essa data, no ano de 1974, foi instituída pela Assembleia Geral da ONU – Organização das Nações Unidas, em referência da  1ª Conferência Mundial do Meio Ambiente, em Estocolmo, na Suécia, oportunidade que se criou também o PNUMA – Programa das Nações Unidas para o meio ambiente. 

Atualmente, em face do tema ter criado relevância, percebe-se iniciativas de governos, empresas, celebridades e indivíduos a concentrarem seus esforços em questões ambientais. De uma certa forma é muito positivo e há meu ver, mais que evidente devido aos muitos problemas ambientais que enfrentamos nesse mundo contemporâneo, tais como poluição do ar e da água,  mudanças climáticas, florestas/desmatamentos, desertificação, etc….

Como o Sr. observa as comemorações deste dia, em face dos acontecimentos no mundo ?

Ao longo dessa semana, participei e observei uma série de iniciativas, nacional e local, em diversos temas na área ambiental, mas por conta das medidas de distanciamento social, a data tem sido celebrada de maneira diferente, onde as redes sociais, a internet e a tecnologia como um todo estão sendo grandes aliadas, propiciando reflexões incríveis. Tem sido um grande aprendizado.

Isso é positivo, a história vem nos mostrando que em situações difíceis, mudanças que já estavam em curso, acabam sendo aceleradas em face de um novo contexto que temos que se adaptar.

No caso particular do Amazonas, considerando que a população e povos da floresta tem acesso reduzido a essas tecnologias, como ouvi-los  nesse dia ?

De fato, se pensarmos em populações isoladas torna-se um grande desafio a inclusão e participação nesses momentos. Acredito, que inúmeras iniciativas, seja de governo, academias, associações e organizações não governamentais, tem se empenhado e conseguido bons resultados em relação a identificação desses anseios, e até mesmo na materialização de muitas iniciativas. Ocorre que o estado é muito grande e os recursos são escassos, e isso tem sido um fator inibidor para a diminuição dessa distância ainda existente.

Outro ponto importante, são os impactos severos dessa pandemia aos agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais seja por acesso limitado a serviços de prevenção, da saúde e entraves logísticos seja ao acesso externo como para o escoamento da produção.

O Amazonas, entre outros atributos ambientais, é reconhecido pelo seu enorme potencial florestal. Como transformar esse potencial em vantagem comparativa de fato, para a população do interior ?

Tenho me dedicado a essa temática há alguns anos, seja com propostas, participação em câmaras técnicas, enfim, tudo no sentido de contribuir em cenários/modelos que permitam a interiorização da economia em base florestal sustentável, com atividades produtivas, serviços ambientais, geração de renda em unidades de conservação destinadas para essa modalidade de atividade. Estou convencido que iniciativas pontuais sem escala, regulamentações isoladas e descontinuidade de ações governamentais, tem contribuído negativamente para o avanço dessa agenda. Por exemplo, essa semana mais uma operação contra madeira ilegal ocorreu na cidade. Evidente que foi uma operação necessária, e que comando e controle são importantes em situações como essas, mas pergunto onde está a causa estruturante do problema ? Ficaremos apenas nas políticas  coercitivas ? Podemos ampliar a utilização de instrumentos econômicos como aliados a conservação florestal ? Essas questões poderiam ser aplicadas a outro exemplo, mas no meu ponto de vista, são premissas que merecem atenção, caso contrário não haverá mudanças.

Considerando o Dia Mundial do Meio ambiente, qual seria a solução ou caminho para inverter esse quadro no seu ponto de vista ?

O Estado do Amazonas, é gigante, rico e belíssimo por suas florestas e capital natural, reserva os maiores potenciais em termos de recursos florestais e biodiversidade do país (e do mundo), podendo usufruir desse capital para promoção de economia estadual baseada na sustentabilidade e conservação. Devido à imponência da cobertura e importância do tema na atual conjuntura socioeconômica, o Amazonas pode liderar a agenda de gestão florestal, nos cenários nacional e internacional, mas somente, com uma estruturação de uma política florestal, mais moderna, executiva e efetiva, observada a experiência acumulada por outros estados da federação,  na implementação da gestão florestal, excluindo burocracias desnecessárias e incluindo instrumentos estratégicos e adequados à efetivação dessa. 

É necessário a alavancagem de novas agendas e programas sociais, ambientais e econômicos locais, a partir de uma agenda de desenvolvimento florestal, ao canalizar e destinar recursos (de royalties, taxas, impostos e captações) para administração estadual e municipal, e sociedade civil.

*Sérgio Gonçalves é doutor em Ciências do Ambiente /  Economia Ambiental – Universidade Federal do Amazonas

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