Resolução do BC reduz liberação de crédito para produtores rurais

O Basa (Banco da Amazônia) investiu um montante de R$ 8 milhões no período de janeiro a julho deste ano em financiamentos destinados à área rural no Amazonas, valor que corresponde a apenas 25% do que foi investido nos doze meses do ano passado, quando foram aplicados R$ 31 milhões para financiamentos daquele setor.
De acordo com o superintendente da instituição financeira, Antônio Carlos Benetti, um dos grandes motivos que tiveram impacto negativo na baixo registro dessas operações de crédito foi a Resolução nº 3545/2008 do BC (Banco Central), através do CMN (Conselho Monetário Internacional), vigente desde o último 1º de julho e que exige documentação comprobatória de regularidade ambiental para concessão de crédito. “A resolução restringe a liberação de empréstimos para os alguns produtores rurais em funções das restrições impostas e relacionadas a questões ambientais e fundiárias”, relatou Benetti.
Com relação aos valores destinados a agricultura até fim do ano, o superintendente destacou que não há como fazer previsões, mas se mostrou bastante otimista e espera elevar os números de financiamentos e da carteira de clientes da instituição.
A instituição financia praticamente todas as atividades relacionadas à área rural, como a agricultura, pesca artesanal, piscicultura, avicultura e aquicultura. De acordo com o superintendente, na área rural, as aplicações estão muito centradas nas operações do Pronaf B (Programa Nacional da Agricultura Familiar), pois não estão sujeitas as exigências impostas por essa nova resolução. “Dentro da média anual, atendemos no Amazonas cerca de 8 mil produtores rurais, através do Pronaf B, que atende grande número de produtores familiares, por oferecer financiamentos pequenos, de até R$ 1.500”, destacou Benetti.

Medida é importante para área fundiária

Benetti destacou ainda que, mesmo com os impedimentos, a Resolução editada pelo BC é muito importante principalmente para a Amazônia. “A resolução veio para forçar que a questão fundiária tenha um tratamento especializado, principalmente em relação à questão ambiental”, frisou o dirigente.
A solução para diminuir os danos causados aos produtores seria um prazo maior de transição para que os produtores rurais se adequem às exigências determinadas pela resolução.
Para ser um beneficiário do Basa, o produtor deve se cadastrar apresentando suas documentações pes­soais e do imóvel.
O cadastro do banco habilita o produtor a apresentar seus projetos, que geralmente são elaborados pelo Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas), ou por algum engenheiro agrônomo credenciado junto ao banco.
Os produtores rurais em débito com o Basa terão até o dia 30 de setembro para aderirem ao processo de renegociação da dívida, sejam da agricultura familiar ou agricultores de médio e grande porte.
Dependendo do valor, o produtor poderá obter desconto, caso opte por liquidá-la em pagamento único. Mas se optar pelo parcelamento, será realizado um novo cálculo saldo devedor. “Existem débitos que podem ser reduzidos em até 30%”, frisou Benetti.
No próximo dia 17, o presidente do Basa, Abidias José de Souza Júnior, estará em Manaus para uma reunião com as autoridades de governo e empresários para discutirem planos de aplicações de recursos para 2009 e o processo de reestruturação da instituição. Durante o encontro, as entidades governamentais deverão apresentar seus planos integrados a políticas de crédito, aplicação de recursos, além de ouvir os anseios da classe empresarial.

Restruturação e modernização

Benetti também informou que o banco iniciou um processo de reestruturação, que vai abranger todos os segmentos da instituição, envolvendo modernização e tecnologia e alteração operacional. “O banco também contará com a atuação de gerentes de relacionamento, que vão em busca de novos negócios e atenderão às necessidades de todos os clientes”, disse.
Ampliar a base de clientes para possíveis negócios também está nos planos do Banco. O Basa possui aproximadamente 350 mil clientes no Amazonas, sendo que cerca de 40% deste total estão inativos, e os investimentos que estão sendo realizados servirão como atrativos para o aumento da procura dos serviços oferecidos pelo banco.
O Basa também estará presente na Fiam (Feira Internacional da Amazônia), participando como agente financeiro da rodada de negócios promovida pelo Sebrae-Amazonas.

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