Rentabilidade de empresas será menor

A rentabilidade real – descontada a inflação – das empresas brasileiras poderá ser menor em 2014 e 2015 por diversos fatores macroeconômicos, o que exigirá maior eficiência dos executivos em trilhar o caminho do crescimento sustentável dos negócios.
“Praticamente há uma conspiração contra a rentabilidade das empresas no atual cenário. O ambiente não é propício para a rentabilidade”, afirmou o presidente do conselho diretor do IBEF (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças), Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, após participar de fórum da Câmara Americana de Comércio (Amcham) realizado ontem, em São Paulo.
A realidade das empresas abertas listadas em Bolsa já esteve difícil no ano passado e não compensou a inflação oficial de 5,91% medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
A remuneração nominal paga aos acionistas na forma de dividendos cresceu apenas 1,6%, de R$ 45,82 bilhões em 2012 para R$ 46,56 bilhões em 2013.
O presidente do Ibef citou que as premissas já estão dadas – juros altos, inflação acima de 6% ao ano, carga tributária crescente com deterioração das contas públicas e das contas externas brasileiras.
“O executivo terá que ser um equilibrista, atuar como bombeiro para impedir que alguma dessas variáveis possa contaminar o negócio”, alerta.
O diretor financeiro da Serasa Experian, Valdemir Bertolo, contou que os empresários terão dificuldade em repassar preços aos produtos e serviços. “Os sindicatos estão fortes e o aumento do custo de trabalho está subindo entre 7% e 8% ao ano”, diz.
A sugestão de Bertolo é que as empresas monitorem atentamente os custos com a mão de obra. “O simples corte de custo com objetivo de curto prazo não resolve. As empresas devem diferenciar custos estratégicos dos não estratégicos”, sugeriu.
Como experiência, o diretor financeiro da Serasa contou que alguns serviços de sua companhia estão sendo desenvolvidos em Kuala Lampur (Malásia), contas a receber em Nottingham (Inglaterra) e gerenciamento analítico no Chile. “O mundo virtual permite aproveitar o delivery (entrega) de serviços pela internet”.
Quanto à carga tributária crescente, Bertolo sugeriu investimentos fora do eixo Rio-São Paulo. “Ainda há benefícios fiscais nas regiões norte e nordeste e as empresas devem aproveitar essas oportunidades”, apontou.
O diretor financeiro da Nike, Marcelo Giugliano disse que simplesmente não é possível repassar a inflação aos preços dos produtos. “Repassar significa perder clientes, desenvolvemos tecnologia para agregar valor, buscamos a eficiência interna, e realizamos um trabalho de formiguinha para eliminar a bitributação”, contou aos participantes.
No mesmo evento, o diretor financeiro da Dixie Toga, Marcos Antonio de Barros, apontou os caminhos para melhorar a eficiência operacional e os resultados, que exigem os investimentos em tecnologia da informação e equipes profissionais . “É preciso ter sistemas de tesouraria, ERPs [software de gestão], ferramentas de reporting [relatórios de contabilidade IFRS, BRGaap ou USGaap], de business intelligence [software para inteligência nos negócios] e planejamento tributário”, enumerou as soluções.

Gerenciamento de riscos
O fórum de executivos de finanças também debateu a necessidade de investimentos em controladoria e auditoria para evitar riscos de multas milionários com as novas legislações anticorrupção e de combate à fraude e à lavagem de dinheiro.
“Infelizmente, o custo da fraude está embutido no preço. Adotamos a tolerância zero. Estamos treinando todos os funcionários e 30 mil corretores e instalamos um canal de denúncias anônimas, o disque-fraude”, contou o diretor de auditoria e prevenção à fraude da SulAmérica, Emil Andery.
O executivo de auditoria interna e compliance da Gafisa, Norival Zanata, contou que as construtoras vão denunciar casos de tentativas de subornos na concessão de licenças para obras.”Estamos nos aproximando dos governos para mitigar riscos”, diz.

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