Renovação de frota das locadoras de veículos deve diminuir no 2º semestre

A renovação da frota de veículos nas locadoras para o segundo semestre deve sofrer revés, com impacto na retração de 50% do potencial de aquisições de produtos no mercado. O quantitativo nas aquisições de 800 mil automóveis esperados para este ano, caiu para 380 mil a 400 mil automóveis e comerciais leves. A projeção é da Abla (Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis).

A redução e interrupção da produção pela escassez de insumos, motivada pela pandemia minou todas as perspectivas da indústria automotiva. Para as locadoras performarem nos negócios, elas têm que realizar a gestão desses ativos fazendo a renovação da frota constantemente. Considerando que a região Norte emplaca aproximadamente 6% dos veículos a nível nacional, estima-se que no Amazonas, as locadoras deixariam de vender 8 mil  veículos em 2021 por falta de produtos para renovação de frota.

Sidney Reche Galdeano, diretor regional da Abla-Amazonas, afirma que o cenário por aqui não será diferente. “Em geral uma locadora com as melhores práticas de mercado tem que ficar ativando a sua frota entre 12 a 18 meses”. E cita como exemplo a própria empresa que havia se programado para fazer a renovação de diversos veículos ao longo do ano, contudo, como está tendo dificuldade na entrega de veículos zero km por parte das montadoras e toda essa escassez não receberam a quantidade de produtos previstos.

“Isso resultou que as locadoras não podem fazer as vendas dos veículos que estão em uso atualmente porque basicamente você recebe esse veículo zero, troca pelo que estava em uso nesse intervalo de meses, e posteriormente coloca a venda e entra nesse ciclo constante”. Portanto, como não houve esse atendimento dessa demanda natural das locadoras estarem sempre comprando veículos zero tanto para atender com novos contratos como também renovar as suas frotas, naturalmente os veículos que estão entrando na frota estão sendo direcionados para atender novos contratos e isso está gerando um deficit.

Bem como revela os números da Abla.  “A gente não está conseguindo disponibilizar para o mercado a quantidade que estava prevista inicialmente de veículos semi novos para desativação do mercado porque não estamos conseguindo ter do outro lado a demanda de zero quilômetro atendida”, reitera Sidney.

De acordo com a entidade, levando em consideração que o preço médio dos veículos comprados por locadoras gira em torno de R$ 60 mil, o investimento anual que deixará de ser feito neste ano será superior a R$ 22 bilhões. “A queda é impactante frente ao total de carros que o setor iria comprar, não fossem as consequências dessa pandemia”, diz o presidente do Conselho Nacional da Abla, Paulo Miguel Júnior.

Alternativa 

O diretor regional da Abla-Amazonas comenta que uma excelente alternativa que tem surgido é o carro por assinatura porque como o carro zero vem subindo de preço mês a mês e a venda associada a escassez dele leva também a carência do usado no mercado. Como não tem carros usados suficientes para atender a demanda, este também está subindo muito de preço.

“Aí que surge o modelo de carro por assinatura. Onde o cliente recebe um carro zero, fecha um contrato de 12 a 48 meses em geral e escolhe um plano de quilometragem mensal que geralmente varia de mil a cinco mil quilômetros. Nesse plano de assinatura está incluso esse carro zero com todas as manutenções,  proteção total, carro reserva com toda a documentação e todo ano o cliente já recebe um carro novo”. Além disso, a locadora recolhe o carro anterior do cliente que não precisa ficar se preocupando em comprar e vender carro todo ano. “É uma excelente alternativa. Vale a pena porque o preço fica muito baixo, além de bem econômico, a opção está descontando muito bem esse modelo de negócio ainda mais para suprir essa alta de preços que estão ocorrendo no mercado”. 

Estatísticas

As novas projeções da entidade que representa as locadoras vão ao encontro das estatísticas da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Em junho, foram quase 167 mil unidades produzidas, o que representa retração de 13,4% em relação ao mês de maio. “É uma produção quase 70% acima daquela verificada no mesmo período do ano passado, mas é preciso lembrar que em abril, maio e junho de 2020 passamos pelo auge das medidas de isolamento”, avalia Miguel Júnior.

Conforme o presidente da Abla, a realidade da indústria automotiva no mundo, não apenas no Brasil, “é a de que as montadoras não têm carros para entregar”. Para Paulo Miguel Júnior, a falta de insumos, principalmente de chips, “ainda pode piorar se pensarmos na concorrência com o setor de eletrônicos, que demanda ainda mais semicondutores no segundo semestre. Nossa expectativa é que o mercado de veículos só volte à normalidade em 2022”.

Foto/Destaque: Divulgação

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