Rendimento domiciliar do Amazonas fica abaixo do salário mínimo em 2020

O rendimento domiciliar médio per capta do Amazonas foi de R$ 852, no ano passado. Além de se situar 18,47% abaixo do salário mínimo do período (R$ 1.045), o valor contabilizado em nível estadual ficou também 38,26% aquém do ganho médio das famílias de todo o país (R$ 1.380). Os números são do IBGE e foram calculados a partir da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). A mesma base de dados revela ainda que, em quase uma década, as correções anuais nos rendimentos perderam de longe da inflação e foram fortemente impactados pelo desemprego e pela informalidade.

O IBGE explica que os números apresentados na pesquisa levaram em conta a soma dos rendimentos do trabalho e de outras fontes recebidos por cada morador no mês de referência da sondagem. O valor do rendimento domiciliar per capita, por sua vez, foi obtido pela divisão desses rendimentos domiciliares pelo total dos moradores de cada um deles, sem descontar a inflação do período. Os dados foram enviados ao TCU (Tribunal de Contas da União) e sua divulgação atendem à Lei Complementar 143/2013, que estabelece os novos critérios de rateio do FPE (Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal).

Com valores abaixo da média nacional, o Estado se situou na 25ª posição do ranking nacional, ficando à frente apenas de Alagoas (R$ 796) e Maranhão (R$ 676). Além dos três, pelo menos mais oito Estados apresentaram patamares abaixo do salário mínimo, do Piauí (R$ 859) a (R$ 983), além de Ceará e Sergipe (ambos com R$ 1.028). Na outra ponta, Distrito Federal (R$ 2.475), São Paulo (R$ 1.814) e Rio Grande do Sul (R$ 1.759) foram as unidades federativas com os maiores ganhos per capta das famílias, em todo o território nacional.  

Abaixo da inflação

Na análise do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, embora o rendimento domiciliar per capita tenha melhorando nos últimos anos, em valores absolutos, o mesmo não ocorreu na comparação relativa, gerando perda de posições para o Amazonas. “Em 2012 o rendimento médio domiciliar per capita era de R$ 645 e o Estado ocupava a 15ª posição no país. Já em 2020, com R$ 852, ocupa a 25ª posição entre as 27 unidades federativas brasileiras”, comparou. 

A série histórica do IBGE comprova que o rendimento domiciliar per capta percorreu, de fato, trajetória ascendente a partir de 2012 (R$ 645), com ganhos anuais de 4,81% em 2013 (R$ 676), de 9,32% em 2014 (R$ 739) e de 1,89% em 2015 (R$ 753). Com a crise aberta no exercício anterior, o valor caiu 1,86% em 2016 (R$ 739) – o segundo ano consecutivo de recessão. Houve um incremento de 15,02% Em 2017 (R$ 850), seguido por queda de 6.94% em 2018 (R$ 791) e aumento de 6,45% em 2019 (R$ 842), para culminar em alta de 1,19% em 2020 (R$ 852). 

Em quase uma década, a despeito dos ziguezagues e de duas crises econômicas – além de uma pandemia –, o rendimento médio per capta dos domicílios do Amazonas avançou 32,09%, ao passar de R$ 645 (2012) para R$ 852 (2020). Vale notar que os valores capturados no levantamento periódico do IBGE não levaram em conta a inflação do período, que acumular expansão de 63,37%, em igual intervalo de tempo, pelo IPCA. Na prática, as famílias sofreram um decréscimo real equivalente a 19,14% em seus proventos, pois o valor de 2012 deflacionado corresponderia a R$ 1.053,72. 

Desemprego e informalidade 

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM aponta que a perda de posições do Estado no ranking nacional, se dá em virtude de efeitos mais acentuados em nível local das crises pelas quais o país passou no mesmo período, com impactos mais significativos no nível de emprego. “Os dados da PNAD Contínua mostram que os rendimentos da população local vêm diminuindo, e isso é influenciado pela alta no desemprego, pelo aumento da informalidade e pela dependência de grande parte da população aos programas sociais de governo”, arrematou Adjalma Nogueira Jaques.

Os dados da Pnad Contínua Trimestral informam que, em números absolutos, a quantidade de desempregados no Amazonas saltou 61,05% entre o primeiro trimestre de 2012 (172 mil pessoas) e igual período de 2020 (277 mil). A medida pelas taxas de desocupação aponta para um quadro de aceleração mais acentuada para o Estado –14,5% (2020) contra 11% (2012) – na comparação com a média nacional – de 7,9% (2012) para 12,2% (2020).

A pesquisa mais recente da Pnad Contínua Trimestral, referente ao terceiro trimestre de 2020, revelou que o Amazonas apresentou a terceira maior taxa de informalidade (56,4%) de todo o Brasil, ficando atrás apenas do Pará (60,9%) e do Maranhão (58,8%). O número relativo do Estado também venceu com folga o dado da média nacional (38,4%) do período.

Foto/Destaque: Divulgação

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