O Senado deixou de dar um exemplo de dignidade ao povo brasileiro quando inocentou seu presidente, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), da acusação de usar dinheiro da empreiteira Mendes Junior para pagar pensão alimentícia para a filha que teve com a jornalista Mônica Veloso. O julgamento do senador, realizado em sessão secreta, teve de tudo, até briga entre seguranças e deputados federais, que conseguiram na Justiça mandado de segurança que lhes garantia o direito de testemunhar a votação. O resultado foi apertado, quarenta a trinta e cinco, e poderia ter tido um desfecho diferente se seis senadores não tivessem se acovardado e se abstiveram, até porque melhor seria para eles se tivessem votado favor de Renan, mas jamais deixar de votar em um tema de interesse de toda a nação.
Está difícil Renan Calheiros perder o mandado por causa de outros dois processos abertos contra ele no Conselho de Ética do Senado, um deles tendo como relator o senador amazonense João Pedro, que já se manifestou a favor do arquivamento das denúncias. Seus defensores já mostraram ao país que estão dispostos a usar todos os métodos possíveis para salvar a cabeça do presidente do Senado, inclusive ardilosas argumentações para convencer a opinião pública de que Renan é mesmo inocente. O senador escapou da cassação, mas vai continuar sangrando, política e moralmente. No Congresso, porque muitos dos seus pares prometem boicotar as sessões que tiverem Renan como presidente, e moralmente, pois o episódio serviu para puxar o fio da meada e expor os negócios escusos dele e de seus familiares. De todos os males, um pelo menos serviu para aliviar a tensão dos brasileiros: as páginas da revista Playboy com as fotos nuas de Mônica Veloso.
O Brasil realmente não é um país sério. Em sua defesa, Renan usou notas fiscais frias e seus bois engordavam mais que a média do rebanho de outras fazendas, localizadas em regiões com condições climáticas muito mais benfazejas para a prática da pecuária, do que as terras áridas do Nordeste. Somente a defesa do senador já servia como peça de acusação para condená-lo mais de uma vez e, no entanto, ele conseguiu a absolvição de seus pares, mesmo com todas os fatos mostrando sua culpa. O episódio mostrou, de novo, que no Brasil boi pode voar, a mula-sem-cabeça existe, papai Noel vem nos visitar em dezembro, debaixo de neve, e políticos conseguem provar inocência mesmo com todas as evidências mostrando o contrário. E outra coisa, pivô da confusão, em se tratando de mulher bonita, vai para as páginas da revista Playboy, que só nos ficou devendo um ensaio com a musa do impeachment, Tereza Collor. Quem não se lembra?
A política brasileira é assim, um caudal de impropérios que já nos mostrou diversas vezes a qualidade de nossos representantes. Se cada povo tem os políticos que merece, então, nós brasileiros, estamos muito aquém do que se pode chamar de sociedade civil organizada. Realmente não sabemos votar, porque até em quem votamos, se abstêm de usar o direito de exercer a força do sufrágio, como fizeram os seis senadores que deixaram de se posicionar em relação a cassação ou não de Renan Calheiros. Senhores senadores abstêmios, seus atos de covardia foram a pior escolha que um representante do povo pode cometer, porque os senhores foram eleitos para votar, apenas isso e nada mais que isso. A abstenção salvou Renan Calheiros, mas jogou o Senado nos anais da política. Anais estes do sentido mais escatológico possível.
Cassado ou não, Renan Calheiros será um presidente do Senado eternamente moribundo, sem moral para conduzir os trabalhos da Casa. A não ser que renuncie à presidência do Senado, vai ficar exposto a todo tipo de situação vexatória, até porque agora, enfraquecido, será alvo fácil para novas acusações, procedentes ou não. Contra ele pesam denúncias de favorecer uma cervejaria, de usar laranjas na compra de um jornal e de duas rádios, em Alagoas e também a de ter participado de um esquema de desvio e lavagem de din

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