Relatório do TCU aponta deficiências

O receio de colapso no sistema operacional da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) aconteceu em dimensões superiores ao previsto pelo presidente do

Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, noticiado em primeira mão na semana passada, pelo Jornal do Commercio. Fiscalização do Tribunal de

Contas da União já havia identificado, há menos de um ano, deficiências em toda a governança de TI (Tecnologia da Informação) da autarquia.
O contrato da Suframa com a Fucapi de nº 19/2008 tinha vigência prevista até 29 de março de 2013 (Termo Aditivo 011/2012 prorrogou mais um ano) e contempla a prestação

de serviços técnicos cujo objetivo é a execução e manutenção de sistemas para o controle de projetos beneficiados com incentivos fiscais da Suframa. E engloba “a

manutenção dos diversos sistemas internos existentes, o serviço de internet, incluindo a hospedagem do sítio da entidade, o atendimento a usuários e o suporte técnico

no que concerne à manutenção e controle de recursos de telecomunicações e informática, o fornecimento de hardware, além de toda a mão de obra necessária para levar a

cabo os serviços”, texto original.
Desde 2004, a Suframa vem pagando milhões de reais à Fucapi, para ter acesso a um sistema de TI (Tecnologia da Informação) que não atende a autarquia de forma

adequada. Segundo relatório de fiscalização da Secex (Secretaria de Controle Externo) do TCU (Tribunal de Contas da União) no Amazonas, foram gastos, nos últimos dez

anos, mais de R$ 600 milhões em equipamentos obsoletos, com baixa velocidade na transmissão de dados e estrutura deficitária da rede lógica.
O serviço de TI da Suframa é prestado de forma terceirizada, ininterrupta, pela Fucapi há mais de 30 anos. O TCU fazia uma pesquisa nos sistemas da autarquia sobre a

falta de controle de convênios, quando constatou a precária estrutura de TI. O relatório de fiscalização TC 001.006/2013-4, de 17 de julho de 2013 – da Secex/AM – está

disponível no endereço eletrônico: https://contas.tcu.gov.br
Segundo a fiscalização do TCU, “a autarquia não contempla iniciativas no quesito governança de TI, instrumento administrativo ainda muito pouco valorizado na autarquia

e de extrema importância para a sustentabilidade dos negócios geridos pela entidade”. Pelo contrato, a Suframa, praticamente terceiriza todos os seus serviços de

informática para a Fucapi, fato que, de acordo com o relatório, compromete o alcance de seus objetivos estratégicos.
A Fucapi foi instituída em 1982 por entidades ligadas à indústria e pelo Geicom (Grupo Executivo Interministerial de Componentes e Materiais), ligado ao governo

federal, e tem como principal cliente a própria Suframa. De 2004 até 2013, a Fucapi recebeu R$ 602.599.587,28 pelos serviços prestados à autarquia.

Desligamento do sistema
No último sábado (29), além do sistema interno que realiza a liberação das cargas destinadas à indústria e comércio de Manaus e dos Estados da Amazônia Ocidental –

áreas de abrangência da ZFM (Zona Franca de Manaus) -, também o site da autarquia ficou fora do ar, com o término da vigência do contrato de informática da Suframa

celebrado com a Fucapi (Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica).
A repercussão do desligamento do servidor pela contratada afetou imediatamente o PIM (Polo Industrial de Manaus), que perdeu o acesso a qualquer informação ou serviço

realizado via internet e intranet. Sem sistema, a Suframa parou 100% o serviço de atendimento. “A falta do sistema prejudica todo mundo. No entanto, a greve dos

servidores terminou e o sistema já está funcionando. Não teve nenhum impacto expressivo porque, em pouco tempo, o sistema voltou, mas causa todo um temor essa questão.

Agora, o mais importe é resgatar a tranquilidade e normalidade das atividades das indústrias e da Suframa”, disse Périco.
De acordo com a Suframa, o servidor e o site da autarquia voltaram a funcionar logo após uma reunião com a Fucapi, realizada na segunda-feira (31), onde acordos foram

feitos. Ontem, o superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, passou o dia em reunião interna e não pôde atender a imprensa. “Ele permanece indisponível para conversar

com assessoria de comunicação da autarquia e, logicamente, com a imprensa. Reiterando que o sistema operacional da autarquia voltou à normalidade”, informou a

assessoria.
Segundo o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Athaydes Mariano Félix, a entidade participou da reunião na Fucapi para tratar da

súbita interrupção da rede de serviços na Suframa. “O problema do sistema que saiu do ar já foi resolvido e a liberação de mercadorias está obedecendo o que a Justiça

determinou. Até agora, as empresas que trabalham com estoque de seis meses não tiveram grandes problemas. Mas os empresários estão preocupados com essa situação”,

informou.
Procurada, a Fucapi não respondeu à equipe de reportagem até o fechamento da matéria.

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