Relação entre hidrologia e vegetação permite entender bioma

Você sabia que a partir do comportamento da vegetação, influenciada diretamente pelo acúmulo das águas da chuva e da drenagem do solo, é possível estabelecer cenários de mudança frente às variações climáticas? Esta é a perspectiva do projeto ‘Relações estruturantes entre hidrologia e vegetação no interflúvio Purus-Madeira’, cujo objetivo é determinar de que forma a estrutura e o funcionamento da vegetação estão relacionados com variações climáticas mediadas pela hidrologia do solo.
A responsável pela pesquisa, Flávia Regina Capelloto Costa, doutora em Ciências Biológicas do Programa de Pesquisa em Biodiversidade, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), afirma que os resultados obtidos poderão direcionar ações de conservação e planejamento no futuro “É possível que as atuais áreas de UCs (Unidades de Conservação) não sejam as de maior potencial frente às mudanças climáticas”, explicou.
A pesquisadora ressaltou que, para esses casos, seria preciso mudar a configuração do sistema de áreas protegidas do Estado, no intuito de incluir áreas com ‘alto potencial de resistência’ às mudanças climáticas e áreas denominadas de ‘corredores’ para ligá-las às UCs atuais.

Pesquisa gera expectativas positivas

A pesquisa, financiada por meio da parceria entre Fapeam/Fapesp (Fundações de Amparo à Pesquisa dos Estados do Amazonas e São Paulo), está em andamento. Capelloto afirmou que existe uma grande expectativa com os resultados, por comprovar como a disponibilidade de água no solo controla a distribuição de espécies vegetais, a biomassa e a altura da floresta, além das taxas de decomposição, de crescimento e outras características da vegetação na área do Purus-Madeira, local da pesquisa.
Para a pesquisadora, a disponibilidade de água no solo depende de um conjunto de variáveis, como as chuvas, o tipo de solo (mais argiloso ou mais arenoso) e a altitude do terreno, este último por determinar a distância para o lençol freático. Após os levantamentos da vegetação será possível determinar quais características podem ser verificadas e qual a disponibilidade maior ou menor de água. “Estamos medindo estas variáveis para depois poder integrá-las em um modelo dinâmico de previsão da disponibilidade de água no solo”, pontuou.
A pesquisadora disse que os comunitários da região estão envolvidos fortemente na logística, para execução das tarefas. “Eles foram capacitados para dar suporte. Tem-se criado mão de obra especializada para o estudo e, por sua vez, alguns têm sido contratados para diferentes projetos”, afirmou.
Os benefícios destacados por Capelloto são o desenvolvimento de cenários da vegetação frente às mudanças climáticas como guias de ações de conservação no estado do Amazonas. Além disso, a instalação de uma rede de monitoramento climático e ambiental nesta região poderá ser útil para captar os sinais de mudanças e informar decisões de manejo pelo governo, uma vez que essa área poderá sofrer grandes impactos por conta da repavimentação da BR 319.

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