Reforma migratória não passa sem votos republicanos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que está “pronto para avançar” com a reforma migratória e pediu à bancada republicana do Congresso que tenha a “valentia política” necessária para aprovar as emendas necessárias. Tentativas de reforma na legislação referente à imigração já fracassaram em 2006 e 2007.
Para Obama o principal obstáculo que impede a adoção das novas leis é exatamente o excesso de “capitalização política” que o tema recebe entre os parlamentares americanos, sobretudo entre os republicanos.
Em duras críticas aos políticos americanos, o presidente disse a cerca de 300 pessoas na sede da Universidade Americana, em Washington, que o texto ainda não foi aprovado devido às “posturas políticas”, “jogos de interesses” e “demagogia” presentes na Câmara.
Em seu discurso Obama disse ainda que o problema não pode ser resolvido apenas com “cercas e patrulhas de fronteira”, mas que cabe ao governo manter a segurança das fronteiras dos EUA.
Em clara alusão aos estrangeiros sem documentos de permanência, o presidente afirmou que os empresários que empregam imigrantes ilegais e aqueles que entram no país ilegalmente devem estar cientes de que sofrerão punições e que precisam admitir suas responsabilidades antes de dar ao início ao processo de se tornarem cidadãos.
“A questão agora é se teremos a coragem e a vontade política para passar esta lei pelo Congresso, para finalmente conseguir aprová-la”, disse o presidente.
“Eu estou pronto para ir adiante, a maioria dos democratas estão prontos para ir adiante, e eu acredito que a maioria dos americanos estão prontos para seguir adiante. Mas o fato é que sem o apoio dos dois partidos (…) não conseguiremos resolver este problema”, disse.
Obama concluiu seu discurso dizendo que uma “reforma que traga transparência para o nosso sistema imigratório não pode ser aprovadas sem os votos dos republicanos”.
Arizona
O aguardado discurso de Obama chega após a polêmica lei aprovada no Estado do Arizona pela governadora Jan Brewer, que foi alvo de protestos em todo o país em abril.
Ainda no início de junho o presidente se reuniu com Brewer, mas segundo analistas os dois não conseguiram resolveram as diferenças que têm sobre o assunto.
A republicana Brewer assinou, em 23 de abril, uma polêmica lei que torna crime estar como imigrante ilegal no Arizona. Na época, Obama publicamente chamou a lei de ‘mal encaminhada’ e disse que seu governo poderia entrar na justiça contra a medida.
Críticos alegaram que a medida -que entra em vigor em 29 de julho- dá margens à discriminação racial. O presidente do México, Felipe Calderón, criticou duramente a decisão durante visita a Washington no mês passado, dizendo que poderia expor trabalhadores hispano-americanos à discriminação.
Brewer disse que ela e Obama concordaram em trabalhar juntos no assunto, mas insistiu que a segurança da fronteira deveria ser uma prioridade maior que a reforma migratória federal apoiada pelo presidente democrata.
“Estou motivada que vai haver um diálogo muito melhor agora”, disse Brewer a jornalistas após o encontro com Obama na Casa Branca. Ela disse que o presidente prometeu enviar uma equipe ao Arizona dentro das próximas semanas para tratar do tema.
O Arizona é o principal corredor de entrada de imigrantes ilegais do México, além de porta de entrada do tráfico de drogas.

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