Reforma do aeroporto de Manaus gera nova polêmica

Quem em Manaus se arrisca a dar um palpite quando o assunto é Copa do Mundo? Muitos confiam na concretização do sonho de sediar o mundial, enquanto outros acreditam que não existirá tempo hábil para a conclusão das obras. A verdade é que nem mesmo a alta cúpula, responsável por dar suporte ao processo, consegue chegar a um consenso sobre o impasse. A questão da adequação do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes é uma das pendências do Amazonas, que ainda não convence como uma das quatorze subsedes.
Embora a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), estatal que administra o sistema aeroviário brasileiro, afirme que as obras no aeroporto Eduardo Gomes ficarão prontas até dezembro de 2013, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada) defende que as intervenções só estarão concluídas em meados de 2017, três anos após a realização dos jogos.
A afirmativa foi divulgada, ontem, em nota pelo órgão ligado à Presidência da República. A nota técnica também se reporta a outras oito localidades: Fortaleza (CE), Brasília (DF), Guarulhos (SP), Salvador, Campinas (SP), Cuiabá (MT), que estão em etapa de elaboração de projeto, e levarão em média de 92 meses, ou mais de sete anos e meio para suas conclusões, sinaliza o instituto.
Já os aeroportos de Confins (MG) e Porto Alegre estão com projetos básicos prontos, entretanto também não ficariam prontos a tempo da Copa. O estudo, assinado pelos pesquisadores Carlos Álvares da Silva Campos Neto e Frederico Hartmann de Souza, aponta que a média de prazo de obras de infraestrutura de transporte no país é de 80 meses após o fim da fase de projetos.
Um dos poucos pontos positivos elencados pelo Ipea com relação ao Eduardo Gomes foram o valor dos aportes e o aumento da capacidade da operação. “Segundo os projetos até agora previstos para 2014, serão realizados investimentos na ordem de R$ 326,4 milhões até 2013, o que dobra a possibilidade de atendimentos a passageiros, ocupando apenas 79,2% da capacidade total, passando a operar com folga”, revela o projeto.
O Ipea também critica o plano de ampliação da Infraero para os aeroportos. Conforme o estudo, ainda que a média de crescimento do número de passageiros seja um pouco menor nos próximos quatro anos, quando as obras ficarão prontas, a capacidade dos aeroportos já estará no limite novamente.
Os estudiosos apontam que a Infraero apresenta nos últimos anos dificuldades para aplicar seus planos de investimento. Segundo eles, no período entre 2003 e 2010, a empresa só aplicou 44% dos recursos que estavam previstos para ampliação de aeroportos.
De 2009 para 2010, três aeroportos (Natal, Manaus e Maceió) passaram à categoria de ‘situação crítica’, ou seja, estão com número de passageiros acima de sua capacidade prevista. Dos 20 maiores aeroportos, 14 estão em ‘situação crítica’. Três estão em ‘situação preocupante’ (ocupação acima de 80%) e três estão em ‘situação adequada’ (abaixo de 80%).
A Infraero informou que “sobre o estudo em questão, desconhece as bases técnicas utilizadas e não participou de qualquer discussão, de modo que não pode fazer qualquer tipo de avaliação a respeito”.

Prefeitura e Governo asseguram legado

Os dois poderes participaram do 1º Seminário de Comunicação da Copa de 2014, realizado nos dias 11 e 12 de abril, em Belo Horizonte (MG). E de acordo com matéria divulgada pela Semcom (Secretaria Municipal de Comunicação), Manaus recebeu ‘elogios’ do Comitê de Imprensa da FIFA (Federação Internacional de Futebol) e de representantes da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
A matéria ainda ressalta as declarações do diretor da CBF, Rodrigo Paiva, sobre “críticas e sensacionalismo que certos setores fazem ao andamento das obras”.
“O Brasil vai ter um avanço de cem anos”, ressaltou Paiva, e sobre Manaus disse: “Fiquei muito impressionado, especialmente com o projeto de Manaus porque realmente a transformação que vai acontecer na cidade e no Estado é muito grande”.

Deputados divididos

Já para o deputado estadual Marcelo Ramos (PSB), os entraves vividos pelo Amazonas vão do aeroporto ao projeto do sistema de transporte coletivo, monotrilho e BRT (Bus Rapid Transit). O parlamentar reporta a situação para a “falta de humildade” do Executivo Municipal e do governo do Estado, que não admitem falhas graves na execução do cronograma das obras.
“Precisamos de ações efetivas, menos conversa e mais trabalho. Prefeitura e Estado devem admitir que as coisas não estão a contento. Não posso afirmar que não teremos Copa em Manaus, mas se não fizermos algo a curto prazo correremos o risco”, frisou em entrevista ao Jornal do Commercio. Líder e defensor governista na ALE (Assembleia Legislativa do Amazonas), o deputado petista Sinésio Campos comentou que não considera as mudanças no aeroporto o fator mais importante para a chegada dos jogos.
“O aeroporto não é um condicionante, o principal é a Arena da Amazônia, que está sendo construída em ritmo acelerado.
O presidente da FIFA, Joseph Blatter, que noticiou preocupação com os jogos no Brasil, voltou atrás, trata-se de desinformação”, retrucou.

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