Redução vem com atraso de um ano

A nova redução da Selic -taxa básica de juros- para 8,5% ao ano, menor índice nos últimos dez anos, é acertada, mas chega com atraso de pelo menos um ano para resolver a crise do segmento industrial no Amazonas, especialmente no polo de duas rodas. A avaliação foi feita pelo presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco.
“Ela –a taxa atual– deveria ter vindo, no mínimo, um ano antes, uma vez que esse tipo de modificação demora a surtir efeito na prática. Já estamos no sexto corte seqüencial e nós, a classe empresarial, não sentimos nenhuma mudança substancial até agora”, afirmou.
Ele argumenta que o corte de juros é paliativo e não leva em consideração a conjuntura atual da atividade industrial. Além disso, segundo ele, ainda são necessárias soluções para diminuir o rigor do financiamento bancário.
“Enquanto isso, segmentos como o de duas rodas continuam com sua produção em baixa, fabricas paradas e início de um aumento no nível de desemprego”, lamentou.
Para o presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus), a redução da taxa não é significativa. “Os bancos oficiais que financiam os bens duráveis estão demorando muito a repassar a redução dos juros para o cliente, por isso não observamos uma mudança de cenário”.
De acordo com o economista e vice-presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, a demora para os efeitos pode ser justificada por vários fatores como a crise externa que reflete na economia brasileira, a alta do dólar e problemas recentes de exportação para a Argentina.
“A esse panorama, podemos acrescentar fatores locais como a ameaça de greve dos auditores da Receita Federal e a enchente recorde do rio Negro que não forma um quadro favorável, paralisando a indústria e comércio e engesando a economia”, detalhou.
Ele diz ainda que o alto índice de inadimplência também prejudica os efeitos do corte. “E o consumidor que não está inadimplente, principalmente da classe C, D e E está cauteloso para evitar o endividamento”, acrescentou.

Poupança

O corte da Selic também representa a validação das novas regras da caderneta de poupança. Isso porque, a Medida Provisória 567, em vigor desde de 4 de maio, estabeleceu mudanças quando a taxa básica de juros atingisse um patamar igual ou inferior a 8,5% ao ano.
Dessa forma, os cerca de 1 milhão de amazonenses que possuem caderneta de poupança terão seus novos depósitos corrigidos por 70% da taxa Selic somada a TR (Taxa Referencial), passando a receber remuneração de 5,95% ao ano. Pela regra antiga, a remuneração anual correspondia a 6,17%.
“Se a regra antiga continuasse em vigor, quem aplica comprando títulos de dívida pública do governo migraria para a poupança, porque ela se tornaria mais rentável, seguindo a regra antiga e isso inviabilizaria o governo de arcar com as dívidas”, esclareceu o vice-presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Junior.
No entanto, ele explica que a maioria dos aplicadores não perde com as novas regras. “A redução não significa muito na prática. Faz diferença apenas sobre grandes aplicações”, complementou.

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