Redução de ociosidade na indústria indica recuperação

A desaceleração no número de demissões e a redução do percentual de ociosidade nas indústrias amazonenses são indícios de que a economia local aos poucos se recupera do impacto recorrente da perda de investimentos resultante da recessão financeira. Pelo menos na opinião do superintendente adjunto de projeto da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), Oldemar Ianck, para quem os resultados do trimestre apontam o início do restabelecimento dos setores impactados na queda da geração de emprego e renda no Estado.
Ianck ressaltou que “existem sinais de recuperação na atividade industrial”, uma vez que, além de o faturamento da indústria ter avançado 24,14% em março, ante fevereiro, no segundo aumento mensal consecutivo, o número de postos passou de 90.924 para 88.979, representando uma queda de 2,14% na comparação de março com o mês de fevereiro. Na avaliação do executivo, a economia interna poderá apresentar sinais mais evidentes dessa recuperação já neste segundo trimestre, historicamente um dos períodos em que a indústria mais acelera a produção, o que resultará em números positivos para o Estado. “Além disso, a expectativa do setor é de que essa retomada do faturamento e na produção das empresas deverá demandar novas contratações no polo industrial”, disse.

Previsões otimistas

Essa previsão de bons ventos, segundo a Suframa, traz uma base razoável de otimismo, já que, nos meses anteriores, houve queda de 4,51% entre janeiro e fevereiro e de 6,02% entre dezembro do ano passado e janeiro de 2009.
Outro fator, divulgado recentemente pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), dá bases concretas de que a expectativa da Suframa poderá se concretizar. Trata-se da utilização da capacidade instalada do parque fabril nacional que subiu de 78,2% para 78,7% na relação março-fevereiro. No Amazonas, essa utilização atingiu 79,1% em março contra 78,5% no mês anterior.
Apesar desse avanço, o economista Álvaro Smont acredita que a reação da indústria local ainda não é suficiente para mostrar tendência de recuperação. “O que se pode dizer é que a economia local como um todo deixou de piorar, mas os dados em geral ainda não estão sincronizados, haja vista que o crescimento do faturamento e da utilização da capacidade instalada não são acompanhados pelas variáveis de horas trabalhadas e emprego”, considerou.

Quedas consecutivas

Por outro lado, a evolução do emprego industrial teve, em março, sua quinta queda consecutiva, segundo dados da Suframa, que ressaltou que a média dos primeiros três meses de 2008 ficou 2,6% abaixo da apurada em outubro, novembro e dezembro do ano passado. “A massa salarial real teve sua primeira queda mensal, em março, desde janeiro de 2007. Essa involução da mão-de-obra foi puxada principalmente pelas indústrias de eletroeletrônicos e duas rodas, as que mais demitiram entre janeiro e abril deste ano”, avaliou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Valdemir Santana, referindo-se aos 7.297 trabalhadores demitidos no acumulado desse período.

Instabilidade no mercado seguirá até setembro, afirma economista

Sobre esse momento de instabilidade, o economista Júlio Gomes Mazei analisou que o mercado vai ficar numa gangorra de sobe e desce a cada dado mensal pelo menos até setembro. A euforia dos últimos dias, segundo o especialista, foi por causa dos dados menos ruins da economia mundial, principalmente dos Estados Unidos e Japão, principais compradores da indústria brasileira. “Mas esses dados não significam, ainda, a recuperação econômica desses países. E se o mercado interno antecipou esta melhora, e o Amazonas vai pelo mesmo caminho, agora realiza lucros e cai porque os dados ainda não são tão bons assim”, concluiu Mazei, acrescentando que o que deve acontecer daqui para a frente pode ser mais desaceleração e até queda do varejo, pelo efeito em cascata da redução do nível de emprego e da renda.
Já para o economista Alcides Leite, o aumento do volume de crédito, o crescimento do nível de emprego, a recuperação da produção industrial devido à queda dos estoques, o crescimento das vendas no varejo, os efeitos dos programas de desoneração fiscal para eletrodomésticos e materiais de construção e o início do programa de habitação, aliados à melhoria das condições econômicas na China e nos Estados Unidos, podem garantir ao Brasil um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2009 entre 0% e 1%. Em nota, o especialista afirmou ao Jornal do Commercio que “se conseguirmos terminar o ano com crescimento desta ordem, taxa Selic em torno de 9%, dólar em torno de R$ 2 e inflação em torno de 4%, podemos afirmar que o Brasil pode sair melhor da crise do que entrou”.

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