Redução de estoques impulsiona preços recordes do açúcar

Os preços do açúcar vêm batendo recordes desde a última semana, impulsionados pela redução nos estoques mundiais.
Na manhã desta terça-feira, o contrato com vencimento em outubro na bolsa ICE Futures US, de Nova York, era cotado a 21,65 centavos de dólar por libra-peso (equivalente a 453 gramas).
Na segunda-feira, chegou a 22,44 centavos de dólar, antes de fechar em 22 centavos de dólar –maior cotação em 28 anos.

Preços recordes

Na semana passada, a commodity já havia al­cançado preços recordes, em uma escalada iniciada ainda no final do ano passado, mas que ganhou força nas duas últimas semanas. Nos últimos seis meses, o aumento foi de cerca de 80%.
Segundo analistas consultados pela BBC Brasil, o principal fator a impulsionar a cotação do produto é a perspectiva de uma segunda quebra de safra consecutiva na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar (depois do Brasil), cuja colheita, a partir de setembro, deverá sofrer o impacto da estiagem.
Depois de chegar a produzir 28 milhões de toneladas, a Índia sofreu uma quebra de cerca de 50% na safra do ano passado.
Para este ano, alguns analistas já preveem que a estiagem poderá comprometer a estimativa de 19 milhões de toneladas. A produção será insuficiente para abastecer uma demanda interna de cerca de 22 milhões de toneladas.
“Há três ou quatro anos, a Índia estava competindo com o Brasil de forma agressiva. Agora, terá de importar 4 milhões ou 5 milhões de toneladas de açúcar”, disse o analista Miguel Biegai Jr., da Safras & Mercado. “Além de sair de cena um exportador, entra um grande importador de peso.”
A produção mundial de açúcar é estimada em torno de 155 milhões de toneladas, ante um consumo de mais de 160 milhões de toneladas, o que provoca um déficit nos estoques globais.
A quebra de safra na Índia não é o único fator a elevar os preços do açúcar. Também no Brasil, maior produtor e exportador mundial, o clima teve impacto na lavoura.
O Centro-Sul, principal região produtora, sofreu com excesso de chuvas e deverá produzir 31 milhões de toneladas. A previsão é de uma safra de cerca de 36 milhões de toneladas no país.
Com essa valorização mundial do produto, as usinas brasileiras, que nos últimos anos viveram a euforia com a produção de etanol, buscam direcionar sua produção para o açúcar.

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