Redução da taxa Selic está longe do ideal

Para dirigentes de classes e consultores econômicos, a redução da taxa básica de juros em 1 ponto percentual -de 13,75% ao ano para 12,75% ao ano – ainda é considerada muito baixa para as empresas. No entanto, o corte de juros promovido pelo Banco Central na última quarta-feira é apontado como um sinalizador de reduções futuras e que os bens e serviços tendem a baratear para o consumidor final nos próximos meses.
O consultor econômico, José Laredo, avaliou que o benefício principal é a queda dos juros embutidos nas prestações de compras a prazo. Ele recomendou que consumidor deva atentar não somente se o valor da prestação cabe no seu orçamento doméstico, mas também verificar qual o juro embutido no valor da compra a prazo. “O governo reduziu a taxa de juros, mas as empresas podem não reduzir em suas parcelas, o que é bom ficar atento”, aconselhou.
O especialista avaliou que o encolhimento na Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, cria para o mercado uma expectativa de reduções futuras, o que é bom para a economia brasileira como um todo porque os bens e serviços tendem a baratear melhorando para o consumidor final. “Gera aumento de demanda e consequentemente mais empregos”, disse.
Segundo Laredo, a Selic é um sinalizador nacional de taxa de juros interbancária, ou seja, se um banco quiser dinheiro de outro agora vai emprestar a R$ 12,75%. A segunda função da taxa, informou, é sinalizar para o mercado o nível das taxas de juros que devem circular em torno dela. “Com a taxa a R$ 12,75%, a grosso modo, teríamos uma média de 1% ao mês de juros”, informou, exemplificando que se o consumidor compra uma geladeira e vai pagar prestações mensais de R$ 200, dentro de um orçamento de R$ 1mil, tem que saber quanto está embutido de juros na fatura que vai pagar porque se for até de 2% está de bom tamanho, levando em conta que o lojista precisa se precaver, entre outras coisas, do risco de inadimplência. “Acima deve valor é melhor não comprar”, aguardar.
Em linhas gerais, Laredo disse que foi uma decisão positiva, oportuna e excelente do Banco Central, diante do quadro de crise econômica, compatível com o pacote de R$ 100 milhões que o governo federal, via Tesouro Nacional, repassou na última quinta-feira ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para emprestar às indústrias. “Que poderão desenvolver seus projetos e gerar emprego, o que vai alavancar o consumo”, assinalou.

Redução ajuda apenas setores endividados, aponta ACA

Para o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio, essa redução ajuda apenas alguns setores endividadows e os grandes empreendimentos, porém, não significa nada para os pequenos e microempresários, que precisam mesmo é de um maior prazo para quitar seus débitos junto aos fornecedores e ao governo (no caso dos impostos); e redução da burocracia por parte do poder público. “Esta taxa de juros é uma perversidade para o empresariado brasileiro”, avaliou.

Maiores do planeta

Apesar da redução, os juros reais brasileiros permanecem como os maiores do planeta. Na opinião de Antonaccio, para ser compatível, as taxas de juros deveriam estacionar entre 7% e 8% ao ano, o que motivaria as empresas a emprestar dinheiro para investir e com isso ter maior fôlego de caixa. “Se não tem inflação e está havendo retração não entendo o porquê desta taxa continuar elevada”, comentou, destacando que isso tudo vem de contra aos prazos menores para compra no cartão de crédito e juros maiores para o consumidor final.
Na opinião do dirigente do comércio varejista, a Selic no patamar de 12,75% resulta na falta de consumo, leva as fábricas a pararem suas linhas de produção e aumenta o desemprego.
“Gera tudo isso que temos visto de Norte a Sul do país nos últimos meses”, disse.
O diretor-executivo do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Ronaldo Mota, também concorda que a atual taxa de juros do Brasil continua alta. Mas diante do quadro de crise econômica, ele apontou como uma decisão positiva e um sinalizador de que em março – na próxima reunião do Copom- os juros devam cair ainda mais. Vamos torcer para que isso aconteça”, comentou.

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