Redes sociais se tornam um importante aliado para idosos superar o isolamento social

A pandemia causada pelo novo coronavírus não desafiou apenas os sistemas de saúde público e privado e os mercados de trabalho e consumidor. A Covid-19 foi um desafio também para a manutenção das relações humanas, principalmente para a terceira idade, grupo de risco neste surto. Para alguns idosos, todo este cenário foi superado, em parte, graças à tecnologia. É a terceira idade conectada.

A pedagoga aposentada Lucimar Cavalcante, 67, faz parte desta geração da melhor idade “high tech”. Ela conta que hoje não consegue viver sem suas redes sociais. “Com relação ao Facebook e ao WhatsApp eu já usava bastante quando estava trabalhando. Era aquela leitura rápida. Em 2017 eu deixei de trabalhar e passei a usar bem mais as redes sociais, primeiro para estudar inglês. No Facebook e no YouTube ficava procurando receitas. Quando eu parei de trabalhar eu fiquei uma pessoa muito depressiva e essas ferramentas me ajudaram muito e hoje eu estou assim, viciada”, brinca.

O domínio das redes sociais também ajudou a aposentada a superar o período de isolamento social imposto pela pandemia. “O celular com as vídeo-chamadas no WhatsApp, isso me deu muita força, por saber que estávamos juntos (com a família). Por meio de um aparelho eu via a todos”, conta.

Além de reduzir a distância com os filhos e neta, Lucimar conta que usou as redes sociais para buscar todo tipo de informação sobre o novo coronavírus. “As redes sociais e principalmente o WhatsApp serviram para compartilhar notícias sobre a pandemia. Eu compartilhava aquelas notícias que poderiam interessar aos amigos e aos familiares”, explica.

É claro que a aposentada também teve que aprender a lidar com as fake news. “As redes sociais também trazem esses pequenos desatinos, mas cabe a nós selecionar, saber o que realmente publicamos. Antes eu compartilhava algumas notícias mais levada pela emoção. Hoje eu já observo mais para não cair nas fake News”, explica Lucimar, que durante a pandemia descobriu mais uma das faces do mundo digital. “Por conta da pandemia tive que fazer algumas compras pela internet. É claro que eu ainda prefiro ir na loja, olhar a vitrine, pegar nos objetos, eu gosto de sair, mas como durante a pandemia tive que evitar sair de casa, então foi o jeito comprar no mundo virtual”, explica.

Para Lucimar a conexão com o mundo é imprescindível mesmo para aqueles que estão na terceira idade. “Nem todos que estão na terceira idade estão conectados. Mas a gente precisa se conectar se não você é atropelado, você é ignorado. Você fica à parte das informações, do que está acontecendo no mundo.  Eu quando tenho alguma dúvida eu pergunto aos mais jovens, mas eu não deixo de aprender. Precisamos acompanhar o mundo novo senão ficamos para escanteio. Não dá pra ficar chorando o leite derramado”, conclui.

Home office digital

Zezinho é o que se pode chamar de um verdadeiro “blogueirinho”

O radialista e comentarista esportivo, José Rodrigues Bastos Filho, de 64 anos, o Zezinho, como é conhecido, é o que se pode chamar de um verdadeiro “blogueirinho”, na gíria da garotada conectada das redes sociais. Ele posta toda sua rotina nas redes sociais Instagram e Facebook, além de sempre compartilhar notícias nos diversos grupos de WhatsApp que participa. Foi graças a toda essa facilidade com as redes sociais que Zezinho conseguiu manter praticamente a mesma rotina de trabalho durante a pandemia, sem precisar sair de casa. 

“De segunda a sexta eu faço comentários participando do programa Sala 10. Segunda quarta e sexta eu preparo um áudio para o programa ‘Bom da Tarde’, da Difusora, que entra no ar às 14h. É o programa do Itamar Jardim. Eu preparo todo o conteúdo em casa. Além de gravar os áudios também faço interações por vídeo –que também gravo de casa -para o programa Jogo Aberto da Band Amazonas. Além das participações nos programas locais também faço várias entradas em rádios nacionais para falar de futebol. Essa é a minha rotina”, revela Zezinho.

Além do Facebook, Instagram e WhatsApp, o radialista conta que não desgruda dos portais de notícia do Brasil e do mundo. “Eu entro em tudo que é site. Gosto de me manter atualizado sobre tudo que está acontecendo. Nada mal para quem foi um daqueles meninos que brincava colocando um fio em duas latas de leite para ficar brincando de telefone. E agora temos toda essa tecnologia”, pontua.

Gatilho para a mudança

Apesar de tanta “conexão” com as redes, Zezinho revela que nem sempre foi um aficionado pela tecnologia. Ele conta que o “start” para a mudança foi a participação em um evento de comunicação realizado fora do Brasil.

“Eu cheguei neste evento e as pessoas não usavam mais caneta e caderno. Todo mundo usava tablet e mandando notícias, texto e foto para as redações em tempo real. Eu disse: ‘Poxa vida! O mundo agora é assim, preciso me adequar’. Foi aí que fui descobrindo o Instagram, o WhatsApp, o Facebook e foi incrível. Você acaba se tornando uma pessoa muito mais conhecida e com uma responsabilidade muito maior. Hoje eu uso as redes sociais como fonte de contatos profissionais, contato com os amigos, simpatizantes, uso pra tudo mesmo”, finaliza. 

De volta ao mundo

A autônoma Nazaré sentiu falta de nadar: “Às vezes, à noite, eu sonhava que estava nadando”

Se para os idosos a tecnologia foi uma forma de se manter em contato com o mundo durante a pandemia causada pelo novo coronavírus, agora, aos poucos, a vida vai voltando ao normal. Isso, é claro, com todos os cuidados necessários. É o que está fazendo a autônoma Maria de Nazaré Pinheiro, de 66 anos. Apaixonada pela natação ela teve que “segurar a onda”, durante o período mais crítico da pandemia. “Foi complicado ficar em casa, embora o trabalho em casa não acabe nunca”, brinca. “Passei o tempo arrumando a casa, cuidando dos animais, mas senti falta da água. Às vezes, à noite, eu sonhava que estava nadando”, conta.

Foram nada menos que três meses sem sair de casa. “Não fiquei estressada. Fiquei consciente do que estava acontecendo”.

O fim do suplício só terminou no mês passado.  “Voltei a nadar em setembro. Claro sigo todos os protocolos de segurança. Não venho para os treinos de ônibus, venho de carro. Uso máscara e álcool em gel o tempo todo, mas estou aqui de volta às atividades”, comemora.

Tia Naza, como é conhecida dá a receita de sucesso para envelhecer bem. “O segredo é continuar ativo. Mesmo com todo o sacrifício é preciso ter força e determinação. Lembrar que Deus é o Senhor de todas as coisas. Não há idade para se exercitar. Faça sempre uma atividade física. Tu trabalhas a tua mente, melhora o teu espírito, o teu bem-estar, o teu ego. Mesmo com um problema ou outro faça exercícios. Mesmo dentro de suas limitações, mas faça”, aconselha.

Momento difícil 

A psicóloga clínica Elzicley C. Leão, 40, conta um pouco da experiência que teve no atendimento aos idosos ao longo da pandemia, período em que ela realizou atendimentos por telefone e vídeo-chamadas. “Partindo do princípio que a fase senil é marcada por um mix de emoções negativas e positivas, imaginem como foi o impacto desta pandemia inserida no cotidiano dos nossos idosos? Agora, eles faziam parte de um grupo de risco, noticiados em todos os jornais”, pontua.

“O medo, a solidão, a inutilidade, essas foram algumas das sensações mais observadas por mim neste período difícil e novo que os idosos tiveram que enfrentar. Teve uma paciente que disse: ‘Já saio tão pouco…vou ao banco e supermercado. E agora? Nem pra isso servirei?’. Os idosos têm horror a palavra ‘inutilidade’. Gostam de cuidar dos seus objetos pessoais, das suas roupas, das suas casas etc. Afinal, tem uma gama de afazeres que é surpreendente”, aponta a psicóloga. 

“Depois dessas perguntas que eles me faziam, pensei, é preciso urgentemente, renovar jardins…ouvir boas músicas, reaprender a usar o celular, usar internet, inclusive refazer palavras cruzadas e outras coisas mais. Repaginar essa história tão difícil, sobretudo desafiadora. Por fim, é importante ressaltar para àquelas pessoas que ainda tem perto seus idosos, vai uma dica bem interessante…Ouçam, tracem metas e projetos juntos, não exclua da sua roda de conversa e nem permita que outros o anulem da vida”, finalizou.

Reportagem de Leanderson Lima

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