Recuperação do nível de crédito será lenta, avisa Serasa

O Indicador Serasa Experian de Perspectiva do Crédito às Empresas avançou 0,3% em maio perante o mês de abril de 2010, atingindo o valor de 98,7. Foi a segunda alta mensal consecutiva deste indicador após ter praticamente andado “de lado” durante seis meses (entre outubro de 2009 e março de 2010).
Como, por sua metodologia de construção, os indicadores de perspectiva Serasa Experian possuem a propriedade de antecipar em seis meses, em média, os desdobramentos das variáveis em questão, as recentes elevações do Indicador Serasa Experian de Perspectiva do Crédito às Empresas sinalizam que as concessões de crédito com recursos livres às empresas deverão em recuperação, porém lenta, durante os próximos 6 meses.
Segundo os economistas da Serasa Experian, o aumento da participação do crédito com recursos direcionados -especialmente operações via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)- no financiamento às empresas, tem deslocado a demanda destas para esse tipo de financiamento, em detrimento das fontes com recursos livres da rede bancária doméstica. Tal configuração deverá prevalecer ainda durante algum tempo no mercado creditício empresarial, dado que os impactos das elevações da taxa Selic são menos pronunciados nos custos das operações de crédito com recursos direcionados relativamente aos custos das operações de crédito com recursos livres.
Assim, conforme sinaliza o Indicador Serasa Experian de Perspectiva do Crédito às Empresas, as concessões de crédito às empresas com recursos livres ainda deverão continuar abaixo do seu equilíbrio de longo prazo (nível 100), dificilmente retornando a este nível antes do primeiro trimestre de 2011.

Processo de desaceleração

Por sua vez, o Indicador Serasa Experian de Perspectiva do Crédito ao Consumidor caiu 1,5% em maio de 2010, a quinta queda mensal consecutiva, atingindo o valor de 103,3. Este resultado sinaliza que o ritmo de concessão de crédito ao consumidor deverá passar por um processo de desaceleração, especialmente durante o segundo semestre de 2010.
O atual ciclo de aperto monetário (elevações da taxa Selic) encarecendo o crédito na ponta do consumo, os cortes orçamentários visando a reforçar a geração de superávit primário do setor público e a retirada dos estímulos fiscais às aquisições de bens duráveis figuram entre os fatores que irão proporcionar um crescimento mais moderado do crédito com recursos livres aos consumidores, a partir dos próximos meses, de acordo com análise dos economistas da Serasa Experian.
Entretanto, tal desaceleração tende a ser gradual, dado que o Indicador Serasa Experian de Perspectiva do Crédito ao Consumidor, deslocado seis meses adiante, ainda situa-se acima do nível 100. Assim, o volume mensal de concessões de crédito aos consumidores permanecerá em patamar superior à sua trajetória de longo prazo, pelo menos durante os próximos seis meses.
Neste sentido, esta suave desaceleração esperada das concessões de crédito ao consumidor parece não ser suficiente para evitar novas elevações da taxa básica de juros, por parte da autoridade monetária, objetivando produzir um desaquecimento mais contundente da atividade econômica, necessário para a convergência da inflação à sua trajetória de metas.

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