Recuperação abaixo do esperado

Um levantamento realizado pela  pela ALSHOP (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), entre os dias 24 e 26 de junho demonstra que o setor de shoppings centers está distante de representar a retomada. Para alguns shoppings no país que tiveram a abertura a pouco mais de quinze dias o resultado está abaixo das expectativas dos profissionais do setor. Ao menos 35% das lojas tiveram faturamento entre 70% a 80% menor em relação ao período pré-pandemia.

Ao considerar o número de pessoas que realmente compram nesses estabelecimentos, 59% dos associados, afirmam que está bem abaixo no período ante pandemia. 

Em Manaus, a liberação das atividades que foi retomada nos últimos trinta dias, a percepção é a mesma. O presidente da Alasc (Associação de Lojistas do Amazonas Shopping),  André Gesta, constatou, que algumas lojas apresentaram queda entre 20% a 30%. “O que eu percebo é que gradativamente com o comércio reabrindo e o número de casos da Covid 19 estabilizando, as pessoas passam a ter mais confiança. Isso traz de certa forma uma segurança e ficam mais à vontade para frequentar os centros de compras”. 

A reabertura do segundo ciclo das atividades que incluíram a liberação da praça de alimentação tem motivado muita gente comer fora do lar trazendo mais um fôlego para os shoppings. 

Conforme Gesta, é natural que o volume de fluxo dos visitantes ainda esteja abaixo do esperado “A gente sabe que é lento e precisamos priorizar a saúde. Mas gradativamente as coisas vão começando a melhorar”.

Os shoppings continuam  funcionando com o horário reduzido e deve permanecer todo o mês de julho. “Mas aos poucos vamos seguindo as determinações. Logo, estaremos com o horário estendido e com resultados proveitosos”.  

A mesma linha é defendida pelo presidente da ALSHOP, ao afirmar que a população ainda quer evitar aglomerações e como as lojas funcionam em horários muito restritos, os consumidores que têm condições de fazer compras, pensam duas vezes antes de saírem de casa. Mas é importante ressaltar que os shoppings estão com mais de 20 protocolos aplicados internacionalmente e validados no país por instituições renomadas como o hospital Sírio Libanês e Vigilância Sanitária em diversos estados.

A modalidade de venda online passa a contribuir com o faturamento mensal dos lojistas, mesmo que 41% dos associados afirmam que esse tipo de venda ainda não seja relevante. Por outro lado, 26,5% contam que as vendas online movimentam até 10% do faturamento, 23,5% mostram que a modalidade representa mais do que 20%, e 9% afirmam que representa até 20% do faturamento.

Para aquecer as vendas nestas primeiras semanas da retomada, 71% dos lojistas afirmam aplicar descontos em produtos para estimular a compra, mas 29% diz não ter condições de promover ações específicas nesse momento de retomada. “Os lojistas estão cada vez mais criando oportunidades para seus clientes aproveitarem os artigos com excelentes descontos e promoções. Pensando em um lojista do setor de vestuário, com o estoque cheio de peças não teria condições de renovar o estoque para o inverno que acabou de chegar. Então, vemos os descontos como uma forma de ajudar a todos, clientes e lojistas.”, comenta, Nabil.

Resultado a longo prazo

Daniel Cerveira, advogado e autor do livro “Shopping Centers – Limites na liberdade de contratar” , avalia que os shopping centers, os varejistas precisam administrar uma despesa operacional relevante com o chamado “custo de ocupação”, o qual é formado pelos aluguéis mínimo e percentual ou variável calculado sobre o faturamento da loja, bem como pelos encargos, verbas estas oriundas das locações dos espaços onde se encontram instalados os seus estabelecimentos. Por força da paralisação dos negócios em virtude da pandemia, muitos centros de compras isentaram os locativos dos lojistas e promoveram reduções nos encargos, tais como condomínio e fundo de promoção, com a condição de que os boletos emitidos fossem regularmente pagos nas datas aprazadas.

De acordo com o advogado, além de uma massa grande de comerciantes não conseguir adimplir os boletos com os valores reduzidos lançados, há outro desafio aos lojistas. A maioria dos shoppings integrantes das grandes redes nacionais não estão previamente comunicando seus inquilinos acerca da quantia que pretendem cobrar de aluguel nos próximos boletos depois de retomadas as atividade. “Somente conhecendo os seus custos, o empresário consegue planejar e organizar o seu fluxo de caixa. A tendência é o aumento da inadimplência das prestações, o que é péssimo para todo”. 

Ele sugere que para modificar este quadro, uma medida adequada seria os shopping centers somente cobrarem o aluguel percentual com base nas vendas até o final deste ano de 2020. Desta forma, os lojistas teriam um horizonte para trabalhar e o locativo variável remuneração razoavelmente os locadores à luz dos resultados individuais das lojas.

“É importante ter em mente que as vendas verificadas nestes dias, após a reabertura, foram pífias e o faturamento gerado não permite afastar o cenário de déficit. Por outro lado, o Código Civil traz dispositivos que tratam da revisão judicial dos contratos, quando acontecer um fato imprevisível, extraordinário e superveniente que transforme a prestação excessivamente onerosa para uma das partes e acarrete extrema vantagem para a outra”. Ele acrescenta que a partir do momento em que a Covid-19 acarretou a suspensão ou a diminuição do faturamento dos lojistas, é correto defender que os contratos de locação dos respectivos pontos comerciais devem ser ajustados primeiro por meio de negociação e, se não for celebrado o acordo, através do Judiciário.

“Nessa linha, é impensável aceitar o comportamento de alguns administradores de centros de compras que abriram as portas no final de maio e, por exemplo, cobraram o aluguel mínimo referente ao mês com base nos dias trabalhados e sem nenhum desconto. Os lojistas não faturaram o suficiente sequer para honrar os encargos locatícios, nem se diga sobre o pagamento da remuneração dos seus locadores, representada pelo aluguel”, concluiu. 

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