O Ministério Público Federal em Brasília investiga a decisão da Caixa Econômica Federal de contabilizar como receita R$ 719 milhões de contas encerradas por irregularidades no cadastro, em 2012.
Além dos procuradores terem aberto ontem um inquérito civil para apurar se o banco cometeu irregularidades ao fechar mais de 525 mil contas, está em curso uma investigação preliminar no âmbito criminal.
A Caixa terá 15 dias para prestar esclarecimentos sobre detalhes da contabilidade que lhe permitiu ganhar duas vezes com os recursos das poupanças lançados no balanço como receita financeira e operacional.
O procedimento, segundo a Folha de S.Paulo apurou, não é permitido pelas normas do Banco Central.
O Ministério Público também solicitou “discriminação e comprovação” de todas as iniciativas do banco para identificar e regularizar as contas que posteriormente foram encerradas e medidas adotadas para sanar irregularidades apontadas pelo Banco Central.

Outros Bancos
Na tentativa de comparar a decisão tomada pela Caixa com outras instituições financeiras, o Ministério Público também requisitou aos 17 maiores bancos comerciais do país informações sobre as condutas adotadas em relação ao encerramento de contas com erros cadastrais.
Segundo o Ministério Público, o Banco Central também deverá se manifestar sobre o caso no inquérito civil.
A decisão dos procuradores de abrirem dois procedimentos para investigar a Caixa nada tem a ver com o pedido do PSDB para que o caso fosse apurado.
As investigações, contudo, podem ser usadas como arma nas eleições presidenciais.
A presidente Dilma Rousseff, que ficou irritada com o episódio, exigiu uma solução rápida para a situação. Na semana passada, o governo deu início a uma operação para tentar minimizar os estragos para a imagem do banco e da equipe econômica.
Foi o próprio governo, numa auditoria da Controladoria-Geral da União, que identificou os encerramentos das contas e a contabilidade supostamente irregular de R$ 719 milhões no balanço da Caixa Econômica Federal no ano de 2012.

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