Receio ainda afasta investimentos

Enquanto na região Sudeste se fala em estabilização e confiança, empresários e setores produtivos amazonenses ainda esperam as definições da nova equipe econômica do governo interino de Michel Temer, para a recuperação da economia e crescimento da produção. Mesmo acreditando na capacidade da equipe de Temer, ainda não é hora de investir, muito por conta das indefinições no cenário político aliado a altas taxas de juros, dizem as lideranças. Essa descrença leva ainda o empresariado a crer em 2016 como um ano perdido.
Apesar do começo difícil, o governo interino guarda alguns ‘ases na manga’, como uma equipe econômica experiente e técnica o que pode estimular investimentos na indústria, explica o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) Wilson Périco. “O aceno de mudança e estabilidade do governo Temer é bem-vindo, mas só em 2017 teremos os resultados dessas mudanças. Nada será feito de uma hora para outra, a equipe econômica tem bons e experientes nomes trabalhando”, disse Périco.

Ano difícil

Para alguns dos setores produtivos mais representativos do PIM (Polo Industrial de Manaus), o ano de 2016 está perdido, mesmo com a suposta estabilidade econômica. De acordo com o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado do Amazonas, Celso Piacentini, uma reação positiva só será vista em 2018, já que 2017 será de reparos na economia nacional.
“As conjecturas mostram um 2016 de economia retraída, afetando todos os setores, em especial os de eletroeletrônico e duas rodas. É visível o encolhimento nas vendas e principalmente nos empregos”, afirma Piacentini, embasado nos recentes dados do IBGE que apontam uma queda de 13,5% na produção industrial amazonense em abril.

Política afetando a economia

A agenda de reformas (enxugamento da máquina pública e diminuição do Estado, entre outras medidas) precisa ser implantada com celeridade para a segurança necessária a novos investimentos, conta Périco. “Precisamos resgatar os rumos políticos que afetaram a economia por falta de governabilidade e descontrole do governo Dilma. Com a segurança e a credibilidade de volta, é possível nos recolocarmos no ranking de bons pagadores no exterior, atraindo mais e novos investidores”, conclui.
Promover reformas tributárias e fiscais devem recolocar os fundamentos macroeconômicos no lugar, o que seria benéfico para a ZFM, analisa o cientista político, Breno Ricardo Messias. “Essas reformas impulsionariam o PIM que necessita de investimentos estrangeiros e o país precisava de uma agenda de reformas, pois estamos perdendo competitividade ano após ano e a retomada do crescimento econômico, por tabela, impulsiona o crescimento da indústria”, conclui Messias.
Definir o cenário político daria o norte necessário a novos investimentos, diz o diretor comercial Elton M. Filho.
“Estima-se que, com o impedimento confirmado de Dilma Rousseff, a confiança do empresariado brasileiro aumente. Pensa-se em números de mais de 5% de crescimento ao mês, embasado na confiança do investidor estrangeiro, que terá mais segurança com o cenário definido”, conta.
De acordo com M. Filho, a nova equipe econômica terá alguns empecilhos, mas vem trabalhando para a estabilização da economia. “Os planos precisam ser mais bem explicados a população. Se criam boatos sobre extinção de benefícios e outros, o que causa dúvidas. Mas o empresariado vem acompanhando de perto e sabe da capacidade da equipe econômica do governo Temer”, disse.

Índices de confiança

A última aferição do ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial) mostrou um crescimento de 4,5 pontos em maio frente a abril e atingiu 41,3 pontos, fechando como a maior alta da série histórica, iniciada em janeiro de 2010. Ainda que o índice seja baixo (menos de 50), esta é a maior pontuação em 16 meses. O comércio também registro confiança. O Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio) voltou a subir em maio, atingindo 81,04 pontos, na série com ajuste sazonal -um aumento de 0,3% em relação a abril.

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