Real deve perder força até o fim do ano

Dólar deve subir, apesar de tendência do mercado em apostar em moedas de risco

Apesar do atual cenário nos mercados, que tem beneficiado moedas consideradas de risco, o real ainda deve perder terreno frente ao dólar até o fim deste ano, num movimento que pode ser agravado pela incerteza no plano político doméstico.
Essa é a avaliação de três grandes bancos estrangeiros – J.P. Morgan, BNP Paribas e Morgan Stanley -, que divulgaram relatórios a clientes chamando atenção sobretudo para o risco eleitoral a que a moeda brasileira está exposta. As instituições preveem uma depreciação de pelo menos 5,5% do real diante do dólar até dezembro. A moeda americana encerrou a sexta-feira cotada a R$ 2,2201.
O J.P. Morgan diz ainda estar construtivo em relação às moedas emergentes, uma vez que a volatilidade baixa no câmbio favorece o “carry trade” (estratégia em que o investidor toma dinheiro em uma moeda com baixa taxa de juros para aplicar em outra com taxa maior) e os fluxos têm permanecido “seletivamente fortes”. No entanto, o banco pontua que o principal risco ainda é a possibilidade de uma “dramática onda de vendas” de papéis do Tesouro americano (Treasuries) no fim deste ano, no momento em que os mercados começarem a precificar mais intensamente as futuras altas de juros nos Estados Unidos.
A instituição americana aponta dois grupos de moedas, considerando a expectativa para o desempenho delas nos próximos 12 meses, e coloca o real na categoria das divisas que vão se depreciar. “O foco na política no Brasil antes das eleições de outubro pode levar a um aumento da volatilidade no mercado, que até agora tem visto ganhos estáveis nos bônus e em uma taxa de câmbio que tem se mantido numa estreita faixa”, dizem os estrategistas do banco.
No grupo das moedas de risco que devem se desvalorizar nos próximos meses, o J.P. Morgan inclui ainda os dólares canadense, australiano e neozelandês, além do rublo russo e da rúpia indonésia. Já as que devem se apreciar são o peso mexicano, o renminbi chinês, o won sul-coreano e a rúpia indiana.
Para o banco americano, o real deve se manter entre R$ 2,20 e R$ 2,25 no curto prazo, mas deve caminhar para o intervalo entre R$ 2,25 e R$ 2,30 à medida que a volatilidade aumentar devido às eleições. “As eleições devem ser o principal determinante dos preços dos ativos financeiros [brasileiros] nas próximas semanas”, afirmam os profissionais do banco, prevendo que, ao fim de dezembro, o dólar estará em R$ 2,35.
A deterioração dos fundamentos econômicos é vista pelo Morgan Stanley como um elemento que vai finalmente pressionar o real após as eleições, levando a moeda brasileira a ser negociada a R$ 2,40 por dólar no fim deste ano. Contudo, numa visão parecida com a do J.P., o Morgan Stanley considera que o retorno oferecido pelo Brasil aos investidores por meio das operações de arbitragem – “o maior entre os mercados emergentes” -, combinado com a volatilidade quase ausente nos mercados e os juros baixos nas economias centrais, deve manter a cotação do dólar entre os R$ 2,20 e R$ 2,25 no curto prazo.
O BNP Paribas vê um dólar ainda mais caro, de R$ 2,45, no fim deste ano, e volta a citar o elevado “carry trade” e a renovação do programa de swaps do Banco Central como elementos que dão suporte à moeda brasileira. O banco reconhece a incerteza que envolve o quadro eleitoral e os efeitos potenciais disso sobre o câmbio e cita inclusive que o catastrófico resultado da seleção brasileira de futebol contra a Alemanha pela Copa do Mundo pode prejudicar até mesmo a confiança e o crescimento econômico.
No entanto, o banco francês se diz confortável com sua alocação “comprada” (apostando na alta da moeda brasileira) no curto prazo. A explicação está ligada basicamente ao quadro político. “Por mais não intuitivo que possa parecer, quanto mais a economia se encontrar em estagflação, maior é o impulso aos ativos brasileiros no segundo semestre, já que o prêmio de risco embutido nos ativos de risco continua considerável”, afirmam estrategistas do banco francês, que também preveem o dólar entre R$ 2,20 e R$ 2,25 no curto prazo.
Assim como o J.P. Morgan e o Morgan Stanley, o BNP Paribas chama atenção para o risco de um ajuste rápido nos rendimentos dos Treasuries, o que para a instituição francesa provocaria uma “apreciação sistemática” do dólar em todo o mundo.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email