10 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Raquel Ferreira lança livro sobre o cemitério São João Batista

Cemitérios dão medo na maioria das pessoas e escrever um livro sobre um cemitério parece estranho. Apenas parece. Cemitérios guardam as histórias das pessoas que ali estão fazendo sua última morada e conhecer ao menos um pouco dessas histórias é importante para que se entenda o passado, o presente e até mesmo o futuro. Foi exatamente por isso que a historiadora Raquel Ferreira escreveu, e acabou de lançar, no Dia de Finados, ‘Cemitério patrimônio’, sobre o São João Batista.

“Quando iniciei minha pesquisa sobre o cemitério São João Batista, para obter referências bibliográficas, enfrentei muita dificuldade. Eu buscava pelo histórico deste cemitério e não encontrava. Em novembro de 2013, quando fui trabalhar pela primeira vez no local, percebi também que várias pessoas procuravam no próprio cemitério um memorial dele e saíram decepcionadas por não haver, sendo que a maioria da procura era para pesquisas acadêmicas”, lembrou.

“Desde então firmei essa missão de produzir o memorial do São João Batista, de maneira clara, compreensível a todas as idades, com o objetivo principal de mostrar o valor histórico e cultural desse patrimônio”, completou.

Quando Raquel estava definindo o tema para seu TCC do curso de História, concluído em dezembro de 2012, ela queria pesquisar sobre algum patrimônio tombado de Manaus menos explorado. Foi então que surgiu o cemitério São João Batista. Em 2011 a jovem começou a pesquisar sobre o campo santo e, ao terminar os trabalhos para o TCC, estava tão fascinada pela história do local, que permaneceu pesquisando de forma independente.

Aprígio quase inaugurou

Em suas pesquisas, Raquel descobriu que, por influência cristã dos europeus colonizadores do Brasil, enterrar os mortos era uma das 14 misericórdias da Santa Casa, executada pelos jesuítas, o que aconteceu até o século 18. Os primeiros cemitérios do Brasil têm nomes de santos católicos, e o mais usado é o de São João Batista.

“Os cristãos acreditavam que os santos teriam lugar garantido no céu, e ser enterrado perto de algum mártir poderia representar proteção no dia do Juízo Final, então os campos santos tinham que ser consagrados aos santos”, contou. 

Um detalhe que poucas pessoas notam é a inscrição, em latim, Laborum Meta, no alto do portão de entrada principal do São João Batista, e que significa ‘Fim dos Trabalhos’, tendo em vista que nossos trabalhos terminam após a morte.

“Mas o que me chamou a atenção é que nos portões dos cemitérios mais antigos do Brasil não há esta mesma expressão um tanto enigmática, então não se trata de um tradicionalismo, mas sim de uma peculiaridade deste cemitério”, revelou.

O São João Batista foi inaugurado no dia 5 de abril de 1891, ou seja, há 130 anos. No dia seguinte já aconteceu o primeiro sepultamento, de uma criança, mas não se sabe ao certo a respeito dela, pois o primeiro livro de inumação não foi preservado, no entanto, 15 dias após a inauguração foi sepultado o baiano Aprigio de Martins Menezes, que compõe a lista dos ilustres do Amazonas. Aprígio foi médico, diretor geral da Instrução Pública do Amazonas, deputado provincial e deputado geral. Não se sabe de que morreu, e deveria ter pouco mais de 50 anos.

Pretende continuar  

Devido estar localizado numa área mais central em relação aos demais nove cemitérios de Manaus, o São João Batista é um reduto dos túmulos dos protagonistas do passado do Amazonas. Lá estão enterrados Eduardo Gonçalves Ribeiro, transformador da pequena aldeia primitiva que era Manáos na Paris dos Trópicos, além de Barão de Sant’Ana Nery, Silvino Santos, Vivaldo Palma Lima, Alvaro Botelho Maia, os membros da família Nery e outras centenas de ilustres, homens e mulheres que dedicaram suas vidas e acreditaram num futuro esplendoroso do Amazonas em especial, de Manaus. Atualmente, pouco mais de 130 mil pessoas estão enterradas naquele local.

“E é cheio de curiosidades, uma delas que pude desvendar, foi a estátua em bronze de um cachorro. Realmente este cachorrinho existiu e se chamava Douglas, ele fez por onde merecer esta justa homenagem após sua morte, e mais interessante ainda, bem próximo de seu melhor amigo. O resumo desta história se encontra no meu livro, no capítulo 12 das curiosidades”, avisou.

O livro ‘Cemitério patrimônio’ foi editado graças a Raquel ter seu projeto contemplado no edital Prêmio Zezinho Corrêa 2021, da Manauscult.

Empolgada com o resultado de seu trabalho, a historiadora pretende realizar as mesmas pesquisas em outros cemitérios da cidade.

“Pretendo, mas se tiver apoio de alguma instituição, pública ou particular, pois a pesquisa referente ao cemitério São João Batista foi totalmente independente”, concluiu.

‘Cemitério patrimônio’ pode ser adquirido no próprio cemitério São João Batista, de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h. Informações pelo: 9 9321-1236, Instagram: @raquelferreira1983.

Foto/Destaque: Divulgação

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