Ramo é proposta para desenvolvimento

Começa a ganhar espaço um novo ramo econômico, a econômica criativa, que se alimenta da criatividade como matéria-prima, e que movimenta anualmente US$ 1.8 trilhão em todo o mundo, e no Brasil, já responde por 16,4 % do PIB (Produto Interno Bruto), segundo a consultoria PricewaterhouseCoopers. A economia criativa abrange áreas como arquitetura, cinema, moda, design, turismo cultural, música, cultura popular, artesanato, gastronomia, jogos eletrônicos etc.
A economista Ana Carla Fonseca Reis explica que a economia criativa teve suas origens na Austrália, em 1994, mas foi adotada como estratégia de Estado pela primeira vez no Reino Unido, em 1997. “Já no país o primeiro contato com o tema surgiu em 2005, com a realização de um fórum, sob as batutas do então ministro da Cultura, Gilberto Gil, e do embaixador Rubens Ricupero. Apesar de alguns passos terem sido dados o termo foi alijado da política do Ministério da Cultura durante a gestão seguinte e somente no ano passado foi reincorporado, com a criação da Secretaria de Economia Criativa”, disse a especialista. Alguns Estados deram início ao desenvolvimento da economia criativa, a exemplo do Rio de Janeiro, de São Paulo e Recife.
A economia criativa tem obtido destaque no foco das discussões de instituições internacionais como a UNCTAD (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento), o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) sendo considerada um eixo estratégico de desenvolvimento para os diversos países e continentes.

Políticas públicas

Ana Carla conta que entre as principais dificuldades para implantar esse novo conceito econômico estão a falta de vontade política e a embrionária percepção de que pode conciliar benefícios econômicos, sociais e culturais. “O desenvolvimento da economia criativa no país contribuiria para a diferenciação dos nossos produtos e serviços, agregando valor a setores tradicionais e gerando emprego e renda”, informa a economista, que destaca que hoje há poucos dados sobre o assunto, mas que existem casos de sucesso espalhados pelo mundo, de vários países que aderiram a inovação.
Aqui no Brasil, um dos exemplos é a rede BagNews, que tem um conceito bastante simples, a de colocar anúncios nos sacos que produzem e depois distribuem esses mesmos sacos em estabelecimentos comerciais. A empresa planeja faturar R$ 5 milhões em 2011 e espera chegar a R$ 10 milhões até 2012. Outro empreendimento é o Espaço Garimpo, que pretende trabalhar a cadeia produtiva de moda e atuar em três frentes: comunicação, educação e negócios.

Economia para o Amazonas

Segundo Elder Silva, que há alguns meses tem buscado se aprofundar no assunto para a elaboração de um projeto a ser apresentado na ALE-AM (Assembleia Legislativa do Amazonas) com o intuito de pedir apoio para a disseminação da economia no Estado. “Objetivo é a valorizar os setores e motivar a geração de modelos alternativos para a economia, fortalecimento de políticas públicas em especial empreendedorismo que agreguem valor ao capital intelectual das pessoas, e criatividade no Amazonas não falta”, avalia o pesquisador.
Ele acredita que o ponto de partida é gerar discussões em audiências públicas e seminários com empresas e poder público para se encontrar o melhor caminho na geração de polos que valorizem a imaginação, inovação e singularidade das ideias criativas. “As dificuldades são enormes, pois no Amazonas como um todo o termo cultura ainda é priorizado como festas e eventos, mas o fortalecimento do empreendedorismo pode ser o caminho mais adequado”, opina Silva.
Silva aponta esse conceito como contribuição para o movimento de todos os setores da economia, desde indústria até serviços. “Porém, um dos principais problemas para implantar a economia na região, são os vícios econômicos já existentes no Estado, como o PIM (Polo Industrial de Manaus)”, disse o pesquisador, que também participa no Facebook, do grupo Economia Criativa Brasil, que visa debater e divulgar informações sobre o assunto, contando com a participação de especialistas.
Um dos setores que pode se beneficiar com a novidade é o da moda. Para a jornalista e personal stylist Karen Leão, o que chama a atenção no conceito criativo é do crescimento num sentido amplo, onde todos envolvidos no negócio saem ganhando, desde o empresário que criou o produto, fornecedor e até o cliente final. “Acho que falta um pouco dessa visão nos negócios aqui em Manaus, porque ainda tem muito daquela cultura onde os empresários querem fazer e concentrar o negócio para si, e por conta disso acabam quebrando”, aponta a profissional.
Isso acontece porque diferentemente da economia tradicional, de manufatura, agricultura e comércio, a economia criativa, essencialmente, foca no potencial individual, na imaginação e na capacidade intelectual para o desenvolvimento de algo que gere renda. Karen acredita que Manaus atualmente possui demanda que contribua para o desenvolvimento da economia criativa, porém assunto ainda é pouco divulgado.

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