‘Rabdomiólise é sazonal no AM’ diz Anoar Samad, secretário da Saúde

A rabdomiólise vem preocupando as autoridades de saúde no Amazonas. Até a quinta-feira (02), já eram mais de 52 casos registrados em Manaus e em municípios do interior do Estado, principalmente em Itacoatiara que vem liderando as ocorrências nesse novo surto da doença da ‘urina preta’, como é conhecida popularmente a infecção transmitida pelo consumo de peixes.

A doença também foi notificada nos municípios de Silves, Caapiranga, Parintins e Autazes. Até agora, uma pessoa morreu, algumas continuam internadas e outras já receberam alta após ingerirem tambaqui, pacu, além de outras espécies muito apreciadas pela culinária regional.

A SES-AM (Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas) determinou a suspensão do consumo de peixes por 15 dias em Itacoatiara, hoje o maior foco da rabdomiólise. Lá, equipes da FVS-RCP (Fundação de Vigilância em Saúde – Dra. Rosemary Costa Pinto) estão investigando os casos da doença.

Segundo o secretário de Estado da Saúde, Anoar Samad, uma força-tarefa reunindo especialistas de outros órgãos do Estado e do governo federal também reforçam os trabalhos de investigação nos municípios onde foram notificadas ocorrências da doença da ‘urina preta’.

“Agora, investigamos se esses casos têm relação com o consumo de peixes que podem ter ingerido algas ou plantas, frutas, predispondo a manifestação da toxina que causa a doença”, disse o secretário.

Não é a primeira vez que acontece um surto de rabdomiólise no Amazonas. O primeiro aconteceu em 2008, com 27 casos; o segundo em 2015 (74 casos) e, agora, em 2021, já com mais de 52 notificações, demonstrando que o problema é sazonal – só acontece em determinadas épocas do ano, explicou Anoar Samad.

O secretário falou à imprensa sobre como estão acontecendo os trabalhos de investigação do novo surto da doença no Amazonas.

Por que a decisão de suspender a venda de pescados em Itacoatiara?

Anoar Samad – Como qualquer ocorrência de surto, precisamos avaliar os fatores de risco. Fizemos uma reunião em nosso gabinete de crise para avaliar a situação. A secretaria, outros órgãos estaduais e do governo federal emitiram um alerta de risco, já que quase todos (senão todos) que adoeceram comeram os pescados.

Se você for pesquisar quais os fatores, quase todos foram a ingestão desses pescados. Enviamos uma força-tarefa e um secretário executivo para acompanhar de perto a situação. Agora, o trabalho consiste em colher dados, reunir outros materiais para chegarmos a uma conclusão.

Esses casos são sazonais. Acontecem com certa frequência nesta época do ano. Com isso, sugerimos a suspensão do consumo desses pecados de rio e de lagos por pelo menos 15 dias.

Secretário, já se tem alguma ideia do que realmente está ocasionando a rabdomiólise? E de que forma estão sendo orientadas as equipes de saúde nas regiões do Médio e Baixo Amazonas, onde a maior parte das ocorrências está concentrada, para um melhor atendimento aos pacientes?

Anoar Samad – Sim, efetivamente. Temos uma força-tarefa reunindo pesquisadores, médicos infectologistas. Estão colhendo esses dados. O que se pode orientar imediatamente é a suspensão do consumo de peixes por esse período até que possamos ter mais informações para podermos tomar essas decisões.

O que não podemos é deixar o número de casos continuar aumentando. Com certeza, tem uma toxina envolvida. Num momento, se pensou na queda dos níveis dos rios, com o acúmulo de algas, de peixes se alimentando de certas frutas, que poderiam gerar essas toxinas.

Então, é preciso se fazer um estudo. Tem uma força-tarefa até grande em Itacoatiara, justamente para tentar reunir e avaliar essas informações.

A rabdomiólise é uma doença grave?

Anoar Samad – Sim, é muito grave. Ela leva à destruição das células musculares. Isso acontece quando a toxina descarrega uma série de produtos metabólicos no sangue.

Quando é eliminado pelos rins, tudo isso dá essa coloração escura, preta, na urina, podendo levar a uma insuficiência renal, a dificuldades respiratórias, causando uma fraqueza muscular muito grande.

A doença também pode ser ocasionada por medicamentos, por uma combinação de remédios, exercícios físicos extenuantes. Pessoas que viram atletas de um dia pra noite podem desenvolver também a rabdomiólise.

Portanto, temos uma equipe investigando os casos para tomarmos posteriormente medidas definitivas. E, no momento, só estamos controlando os fatores de riscos que são evitar o consumo de peixes nesta época.

A força-tarefa já tem um prazo para a conclusão dessas investigações em Itacoatiara?

Anoar Samad – Algumas equipes já estão se mobilizando, acompanhando todos esses trabalhos, e depois vão ser divulgados relatórios. Só, então, vamos definir o que realmente está acontecendo.

Foto/Destaque: Divulgação

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