Quintanilha recua e decide dividir relatoria dos dois últimos processos

Pressionado pela maioria dos integrantes do conselho, Quintanilha decidiu escolher outro parlamentar para dividir com o senador Almeida Lima (PMDB-SE) a relatoria das duas representações, em separado. “Vou reformar a decisão de reunião das representações três e quatro. Mantenho o senador Almeida Lima como relator e vou definir até amanhã de qual ele será relator, aí indicarei o nome de outro relator para o outro processo”, explicou Quintanilha.

O presidente do Conselho de Ética disse ter autonomia para reunir os dois últimos processos contra Renan, mas afirmou que preferiu levar em conta as manifestações contrárias à unificação apresentadas ao órgão.

Os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) chegaram a apresentar recursos ao plenário do conselho contra a decisão de Quintanilha de unificar os processos. Depois de muito bate-boca entre os parlamentares, o peemedebista acabou atendendo aos apelos dos integrantes do conselho pela separação dos processos.

Na terceira representação, Renan é acusado de usar “laranjas” para a compra de veículos de comunicação em Alagoas com recursos não declarados à Receita Federal. Já no último processo, o presidente do Senado é acusado de participar de esquema de desvio de recursos em ministérios controlados pelo PMDB.

Com a separação, os dois processos vão ser investigados em separado pelo Conselho de Ética, mas terão o mesmo prazo para serem concluídos. Quintanilha disse que o período de 30 dias, com a possibilidade de prorrogação, deve ser suficiente para que os dois relatores concluam a análise das denúncias.

“Estabeleceremos prazo preliminar de 30 dias para que os relatores apresentem o seu trabalho sobre as demais representações”, explicou Quintanilha.

Segundo processo contra Renan é paralisado

O Conselho de Ética do Senado aprovou o “sobrestamento” (paralisação) da apresentação do relatório do segundo processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) para que sejam realizadas diligências sobre as denúncias que ligam o presidente do Senado à empresa Schincariol.
Ao contrário do que propôs o relator João Pedro (PT-AM) -que defendia suspender o processo até a Câmara concluir se há envolvimento do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL) no caso-, os senadores decidiram paralisar apenas a apresentação do seu texto ao invés de suspender o processo no conselho.

Na prática, o Conselho de Ética adiou a apresentação do relatório de João Pedro para que o senador investigue as denúncias.

O relator havia proposto a paralisação das investigações até que o Conselho de Ética da Câmara encerrasse a apuração da denúncia que envolve Renan e o seu irmão. A idéia do relator era retomar o caso no Senado somente após a conclusão do processo na Câmara, mas sua posição foi minoria no plenário do conselho. No segundo processo, Renan é acusado de reverter dívida de R$ 100 milhões da Schincariol junto ao INSS depois que a empresa comprou uma fábrica de seu irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), por preço acima do mercado. Os integrantes do conselho sugeriram que o Senado realizasse investigações sobre o segundo processo contra Renan, uma vez que João Pedro não ouviu as partes envolvidas na denúncia.

Pressão dos senadores

O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha também recuou da decisão de unificar os processos após a intensa pressão dos senadores contrária à indicação de Lima para a relatoria dos casos.

Almeida Lima é um dos principais integrantes da tropa de choque de Renan e trocou farpas, nesta terça-feira, com
diversos parlamentares ao longo da reunião do conselho que foram contrários à sua indicação.

O peemedebista chegou a ameaçar os colegas que
questionaram a sua escolha ao afirmar que nenhum dos membros do conselho tem “condição moral e ética” para criticarem a sua relatoria.

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