Questões sobre a Vitamina D e sua importância

Tudo começou quando dois pesquisadores da Universidade de Turim, na Itália, publicaram um documento no qual diziam ter observado, entre pacientes com covid-19 hospitalizados, alta prevalência de deficiência de Vitamina D e que esta poderia ser importante para a prevenção da doença. Foi o suficiente para a vitamina se tornar a ‘vedete’, entre as demais vitaminas, como a principal aliada no aumento da imunidade do organismo humano o que resultaria em ‘portas fechadas’ para a entrada do coronavírus.

“Muito se tem estudado sobre a atuação da Vitamina D na resposta imune. Tendo em vista a pandemia pelo covid-19, esse estudo italiano detectou maior letalidade em pessoas acima de 60 anos, com prevalência de hipovitaminose D. Isso colocou essa vitamina em destaque, justificando que a recuperação para níveis normais desta vitamina, em pacientes infectados pudesse contribuir com a resposta imune”, completou a doutora Isolda Prado de Negreiros Nogueira Maduro*.

Mas a importante notícia foi logo rebatida por outros especialistas. Sérgio Setsuo Maeda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, em São Paulo, alertou que a literatura científica tem várias outras relações parecidas com essa, associando as mais diversas doenças (asma, diabetes tipo 1, doença cardiovascular, dermatite atópica, doença inflamatória intestinal, artrite reumatóide e até depressão, entre outras) como resultado da deficiência da Vitamina D.

“A Vitamina D é uma vitamina lipossolúvel derivada dos hormônios esteróis, que atuam principalmente no metabolismo do cálcio e fósforo, equilibrando a mineralização óssea, embora apresente outras funções”, disse Isolda.

Vitamina ou hormônio?

Descoberta em 1922, a Vitamina D recebeu este nome porque foi a quarta vitamina a ser descoberta após as vitaminas A, B e C, mas recentemente pesquisadores concluíram que ela pode ser um hormônio. Vitaminas são nutrientes essenciais para o funcionamento das células, enquanto os hormônios são substâncias produzidas por nossas glândulas, ou alguns neurônios. Apesar de alguns alimentos conterem Vitamina D, também a produzimos quando nos expomos ao sol.

“O organismo humano pode adquirir vitamina D pela alimentação e pela ativação das pró-vitaminas (esteróis) na pele, pela ação do sol (radiação solar), o que corresponde ao maior fator de promoção para os níveis normais da vitamina”, explicou.

“Por ser lipossolúvel, as principais fontes alimentares onde podemos encontrá-la são peixes com alto teor de gordura, como por exemplo, salmão e atum. Na nossa região amazônica posso citar a matrinxã, a sardinha, e o tambaqui. Mas também a gema de ovo, o fígado bovino, o leite e seus derivados como queijo e manteiga”, listou.

“Quanto ao sol, essa exposição deve ser responsável, uma vez que se conhece a relação entre os efeitos da luz solar e o câncer de pele”, completou.

Estudos indicam que a exposição solar deve ser diária, por no máximo dez a quinze minutos, antes das 10h e após as 16h.

“Entretanto alguns fatores individuais limitam essa conversão como sobrepeso, pele mais pigmentada, gestantes e idosos”, alertou a doutora.

Tirando dúvidas

Como saber que seu organismo está com falta de Vitamina D? Problemas musculoesqueléticos, como raquitismo, osteoporose, além do aumento de ocorrência de infecções são sinais de deficiência da vitamina no organismo.

“Um exame laboratorial pode confirmar essa deficiência, porém, pessoas com baixa exposição solar, podem utilizar doses de 600 a 800 UI/dia (suplementação) até que se tenha acesso aos valores laboratoriais”, ensinou.

E para quem procura se auto-imunizar não só contra o coronavírus, mas contra qualquer outro tipo de doença, a doutora Isolda informou.

“Vários nutrientes têm demonstrado benefício na melhora imunitária, dentre eles, a Vitamina C, o zinco e o selênio. A suplementação destes nutrientes pode otimizar a resposta imunológica, servindo como adjuvante ao tratamento, mas é importante lembrar que a alimentação adequada é fundamental para integridade do sistema imunológico”, finalizou.

* Isolda Prado de Negreiros Nogueira Maduro é professora adjunta de medicina da Universidade do Estado do Amazonas, médica nutróloga pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP, doutora pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia

Fonte: Evaldo Ferreira

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