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É preciso mais uma vez que seja dito que a finalidade do método científico-tecnológico não é o de produzir conhecimentos científicos. Se todos os dados e informações de base científicas estivessem disponíveis, o MC-T rodaria com mais leveza e celeridade para fazer aquilo para o qual ele foi criado: gerar tecnologias assentadas sobre conhecimentos científicos produzidos pela ciência. Mas acontece que o estoque de conhecimentos que a ciência disponibiliza, em praticamente todas as suas inúmeras áreas, ainda é muito reduzido. Isso leva à necessidade de se buscar aquilo que é preciso conhecer para que o processo de invenção possa acontecer. Para isso, os cientistas que dominam cada etapa do método utilizam os procedimentos científicos para produzirem os conhecimentos faltantes que, acoplados àqueles existentes, formarão a estrutura conceitual e operacional da tecnologia. Na maioria das vezes é justamente isso o que acontece: a necessidade de completude. Contudo, é preciso atentar para a finalidade do método, que é gerar tecnologia. Por essa razão, é preciso que se levem algumas considerações para lidar com as questões não respondidas.

A primeira delas é que as questões precisam estar voltadas para preencher as lacunas do projeto de tecnologia e não propriamente para a publicação de resultados em periódicos científicos. Como o método ainda é novo, grande parte de orientadores e avaliadores de projetos de inovação exigem questões de pesquisas parecidas com as elaboradas para desenvolvimento de pesquisas que não estão voltadas para a geração de tecnologia. É preciso atentar para que cada uma delas foque as cinco questões chaves da aquisição dos conhecimentos de bases científicas: conceitual, funcional, estrutural, relacional e ambiental. Ainda que elas sejam formuladas de inúmeras formas diferentes, é necessário que as respostas geradas preencham as lacunas dessas cinco questões específicas. Evidentemente que há a possibilidade de formulação de questões essenciais para a invenção que não se enquadram nessas cinco categorias, mas isso é raro.

A segunda observação é consequente da primeira: as questões não respondidas precisam ser validadas em forma de sintonia com os objetivos do projeto de invenção. Se o projeto de invenção prevê conhecimentos sobre a demanda atual e futura dos cursos de extensão para a criação de uma plataforma desse tipo de formação profissional, naturalmente que os dados e informações acerca de que cursos vão ser ali depositados não estão disponíveis. Assim, o projeto um pesquisa científica precisa ser elaborado e executado para fornecer tais dados e informações. Dessa forma, a amplitude e abrangência do projeto, assim como o percurso metodológico que vai ser utilizado, precisam estar em consonância com aquilo que o projeto de invenção requer. Não é a comunidade científica que vai avaliar o projeto e tampouco os relatórios de pesquisa, mas a gerência do projeto de invenção. O subprojeto de pesquisa precisa ser acoplado ao projeto maior.

A terceira observação é que tanto os projetos para coleta dos conhecimentos existentes quando os não existentes têm o mesmo nível de importância. Ambos, para o escopo global do plano de invenção, são componentes do produto final. É preciso, durante todo o percurso das pesquisas, não tirar da cabeça a geração da tecnologia pretendida. As pesquisas não devem visar a revolução do conhecimento científico, mas apenas e simplesmente a confecção com precisão das respostas que o plano de invenção precisa para elaborar o protótipo e fazer os testes e respectivos ajustes. Dito de outra forma, o foco das pesquisas para as questões não respondidas não pode ser as singularidades das comunidades científicas, mas o suprimento da demanda do projeto de invenção. O cliente dos cientistas desses projetos não são as comunidades científicas, mas a equipe do projeto de invenção. E, como cliente, precisam fazer as descobertas em conformidade com as necessidades da equipe de invenção.

A quarta observação é, novamente, decorrente da terceira: os relatórios e manuscritos das questões não respondidas precisam ser avaliados com relação ao preenchimento das lacunas do projeto e não com as exigências das comunidades científicas. Os relatórios relativos, por exemplo, às demandas por determinado produto que se pretende criar não necessariamente precisam ter os elementos que os manuscritos a serem submetidos a publicação exigem. Seria interessante que tivessem, desde que não prejudicassem o entendimento e o seu uso adequado para gerar a tecnologia pretendida. Esses documentos podem ter um marco teórico de referência, mas isso não é obrigatório. Contudo, isso não quer dizer que esses estudos prescindam de revisão da literatura, se não, não seria conhecimento de base científica. O estudo seguirá todas as etapas do método, mas o documento não necessariamente deverá ter as partes de um manuscrito acadêmico.

A quinta observação é a consequência de tudo: os relatórios de pesquisa não respondidas precisam ser documentos técnicos ou, pelo menos, técnico-científicos. Um documento técnico é aquele que apresenta algum esquema lógico de uma forma tal que seja possível operacionalizá-la. A finalidade dos documentos técnicos é justamente transformar o conhecimento, que é intangível, em operações; se não for possível essa transformação direta, que pelo menos sinalize algumas possibilidades nesse sentido. No nosso exemplo, o estudo da demanda poderia recomendar os cursos a serem criados, carga horária, turno a ser ofertado e conteúdo a ser ministrado.

As questões não respondidas são uma realidade constante nos esforços de geração de tecnologia. É muito difícil uma invenção que não precise realizar algum levantamento para preencher lacunas não respondidas pela ciência. Contudo, muitos projetos fracassam porque os procedimentos utilizados são parecidos com os exigidos pelas comunidades científicas e não para a geração de conhecimentos passíveis de serem utilizados pela equipe de projeto. A experiência tem mostrado que as observações aqui relatadas, quando colocadas em prática, evitam ou pelo menos amenizam esses desencontros.

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