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Cada tecnologia é um todo feito de partes. Para definir o seu escopo, utilizamos as questões conceituais, que apontarão sua amplitude e profundidade; para identificar suas partes, o auxílio vem através das questões estruturais. Há uma terceira dimensão das tecnologias que precisa ser conhecida para que se possa, efetivamente, materializá-las: a funcional. De fato, essas três dimensões são suficientes para a geração de inúmeras tecnologias. É possível a produção de muita coisa apenas com o conhecimento de seu escopo e suas partes, mas não é uma atitude consciente, entendida a conscientização como a capacidade explicativa que a razão fornece acerca daquilo que produzimos. É necessária a dimensão funcional para que sejam conhecidas as funções, os papéis que cada parte (e a própria tecnologia, por extensão) que seus componentes devem executar. É devido ao conhecimento dessas funções que se pode determinar a importância de cada parte para a composição do todo. Quando o papel a ser desempenhado for irrelevante, provavelmente essa parte precisa, pode e deve ser descartada. Vejamos isso mais de perto.

Imagine uma cadeira qualquer. Suas partes essenciais são o assento, pernas, encosto e uma estrutura. O assento é um componente fundamental porque é através dele que a cadeira cumpre a sua missão conceitual, que é permitir que as pessoas se sentem nela para alguma finalidade. Se não houver assento, não haverá cadeira. As pernas são necessárias porque, sem elas, o assento não se mantém a uma certa altura do solo. Se o assento for colocado diretamente no solo não haverá cadeira e tampouco a sua finalidade, que é a permissão que as pessoas nela se assentem para fazer alguma coisa. Assim, sem as pernas também não haverá cadeira. O encosto é a parte de trás que mantém alinhada as costas dos usuários e que lhes indica os limites do assento. Sem o encosto haveria grandes probabilidades de desconforto físico e desalinhamento da coluna vertebral dos usuários. Além disso, toda cadeira que não tem encosto não é uma cadeira de fato, mas um banco ou algo parecido. Finalmente, é necessária alguma articulação que una o assento ao encosto e às pernas, que denominamos genericamente de estrutura. Sem estrutura não haveria a união dos componentes e, portanto, inexistiria o produto.

Esse exemplo mostra que todo produto tem seus componentes essenciais. Mas também há os componentes assessórios. Esses assessórios não fazem parte do produto em si, mas dos atributos de demanda. Eles não alteram a tecnologia. O que eles fazem é utilizar a tecnologia para entregar aos usuários e clientes aquilo que eles precisam para suprir as suas necessidades. É o caso da cor da cadeira. Se ela for branca, preta, vermelha ou outra qualquer, não altera a sua natureza de cadeira. Ela pode ser pintada de rosa apenas para satisfazer a demanda do cliente. Da mesma forma, pode ser pequena ou muito alta para esse mesmo fim, sem que sua natureza seja modificada.

Essas pontuações são importantes para marcar dois tipos de essencialidade das tecnologias: intrínsecas e extrínsecas (ou de demanda). As intrínsecas são aquelas que fazem da tecnologia ser o que ela é; as extrínsecas são as que precisam ser incorporadas a elas para que possam ser entregues aos seus usuários e clientes aquilo de que precisam. Por essas razões, as questões norteadoras de pesquisa de natureza funcional precisam dar conta dessas duas dimensões. E podem ser formuladas de forma direta, assim “Quais as funções dos componentes da cadeira ergonômica Delta capazes de contribuir para elevar a aprendizagem dos alunos de ensino médio?”. Operacionalmente, o cientista deve estar consciente de que essas funcionalidades são dessas duas ordens, intrínseca à tecnologia e extrínseca a ela.

As essencialidades extrínsecas representam uma forma de responder à seguinte questão: “De que forma os atributos demandados pelos clientes e usuários podem ser incorporados nos componentes do produto Delta?”. Se a carteira ergonômica precisar fazer algum tipo de massagem corporal do usuário, demanda solicitada, é necessário determinar como isso vai ser feito, ou seja, como cada componente vai funcionar para produzir o resultado desejado, resultado esse demandado pelos usuários da tecnologia. Muitas vezes é preciso determinar o funcionamento de cada componente, individualmente, para que possam, em conjunto, gerar outra funcionalidade. Isso quer dizer que uma funcionalidade contribui para outra funcionalidade. Há, portanto, uma funcionalidade direta, produzida pelo componente, e outra indireta, feita pelos esforços de dois ou mais partes da tecnologia. Há a possibilidade de funcionalidade terciárias, quaternárias e assim por diante.

Veja como as funcionalidades dependem da determinação da estrutura. Isso demonstra mais uma vez a importância de se elaborar uma estrutura analítica do produto (EAP) previamente em todas as suas ramificações. Ajuda muito a EAP genérica, apenas com suas partes maiores, mas que, depois, precisa ser desdobrada em EAP secundárias. Esse desdobramento precisa continuar até que todos os componentes de todas as partes estejam determinadas. Com base nessa representação minuciosa, detalhada, é que as análises funcionais são feitas. O esquema lógico de toda análise é a sua essencialidade. O que não for essencial precisa ser descartado. É importante saber que existem outros tipos de essencialidades, como mercadológicas, financeiras etc.

Uma gama muito grande de produtos podem ser feitos com as respostas obtidas para as questões conceituais, estruturais e funcionais. Uma cadeira ou uma mesa simples, por exemplo, se encaixam nessa possibilidade. No entanto, um número crescente de tecnologias exigem conhecimentos e explicações de outra ordem, que procura aferir a forma através da qual um componente se conecta ao outro para produzirem, juntos, determinados resultados esperados, em sua quarta dimensão. As questões funcionais buscam explicar como cada parte funciona sozinha. Saber como funcionam em conjunto é responsabilidade das questões relacionais.

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