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Tudo o que existe é feito de partes. Em termos filosóficos dizemos que o ser é divisível; em termos científicos, todo conceito é composto de conceitos ou de constructos. Pelo menos tudo o que conhecemos até agora. É por essa razão que os cientistas da mecânica quântica, por exemplo, procuram intensa e intensivamente pelas menores partículas que existem. Muitas vezes os cientistas procedem de maneira semelhante ao que se faz com os jogos de quebra-cabeças. Contudo, ao invés de espalhar as peças, eles primeiro as constroem (descobrem-nas, para usar uma linguagem popular). Apesar de seus esforços, essas descobertas são um tanto quanto desconexas, desordenadas, quando vistas a posteriori, quando várias delas passam a ser conhecidas. (Vale ressaltar que a descoberta das peças é desafio dos estudos exploratórios.) Aí, sim, os cientistas podem espalhá-las para ver seus contornos. Notam que algumas dão a ideia de um lago, outras compõem a visão do céu matutino, enquanto um agrupamento sugere um grupo de montanhas com picos congelados. Dizemos sugerem porque em ciência a certeza está fora de cogitação. São as questões estruturais de pesquisas que norteiam as descobertas desses grupos e subgrupos.

Estrutura é justamente a organização, disposição e ordenamento das partes de um todo. O desafio das questões estruturais é justamente apontar, primeiro, as partes do fenômeno que estamos estudando, definido conceitual e operacionalmente nas questões conceituais; depois, agrupar as partes de cada subparte. No nosso exemplo, primeiro do quebra-cabeças, primeiro devemos ter uma ideia de quais são as partes da paisagem (céu, lago, montanhas etc.) e depois quais são as peças de cada parte. Tudo isso, naturalmente, com paciência e a consciência da possibilidade real de faltar algumas peças para a definição, que é o que sempre acontece (daí vem a compreensão do erro como fundamental para a ciência).

Note como as estruturas estão contidas em tudo o que existe. Veja o caso da afirmativa “O corpo humano é formado de cabeça, tronco e membros. Há várias estruturas aqui. Uma delas é a conhecida sequência Sujeito + Predicado, de maneira que dizemos que uma oração (fenômeno ou o cenário do quebra-cabeças) é composta de sujeito + predicado (que são suas partes). O predicado, assim como o sujeito, também é um todo feito de partes. Isso significa que há diversos tipos de sujeitos e diversos tipos de predicados. Atente sempre para isso quando da formulação de suas questões estruturais para a coleta de dados e informações para gerar a tecnologia que você pretende criar.

Por essa razão, as questões estruturais quase sempre começam com o pronomes interrogativos “quais”. Por exemplo, “quais são os componentes de uma vacina passível de imunizar contra o coronavírus?”. Aqui queremos saber o que a vacina deve conter, e, naturalmente, o que não deve conter. As questões estruturais apontam, portanto, as partes do todo enquanto aquilo que obrigatoriamente pode e deve fazer parte do artefato tecnológico que se quer criar. Novamente é importante ressaltar que essas questões precisam ser respondidas cientificamente, ou seja, criadas a partir dos dados e informações já disponíveis ou coletados com o uso do método científico. Ambos os procedimentos, contudo, devem gerar respostas validadas, demonstráveis.

O rol de questões similares é muito grande. “Quais são os elementos essenciais de um massive online opened course (MOOC) capaz de capacitar os coordenadores a gerenciar cursos de graduação em conformidade com as exigências do INEPQ?”. Aqui o cientista está querendo saber os grupos de conhecimentos/habilidades que o produto precisa conter para suprir a necessidade desse público-alvo específico, os coordenadores de cursos de graduação. Note que, primeiro, o cientista quer identificar o conteúdo do curso para, depois, organizar o conteúdo em grupos ou subgrupos. É como o procedimento que muitos utilizam para montar os quebra-cabeças: primeiro espalhar todas as peças possíveis para, em seguida, organizá-las. É por isso que os sinônimos de estrutura são organização e ordenamento.

Quando outro cientista se interroga acerca de “Que partes uma carteira digital precisa ter para promover aprendizagem significativa de alunos das séries iniciais do ensino fundamental?” ela está com a intenção de fazer um desenho da carteira antes de começar a construí-la materialmente. Pode ser que ele descubra que a carteira tem que ter assento, encosto e uma tela panorâmica unidos por uma estrutura eletrônica. Assim, carteira = assento, encosto, tela panorâmica e estrutura. Carteira é o todo composto pelas suas quatro partes. Se essas são suas partes, é desnecessário acrescentar uma asa ou uma cauda no protótipo porque essas não são partes do todo (carteira), mas de um outro todo (outra coisa). Por essa razão, quando colocamos partes demais ou de menos em um protótipo estamos alterando o artefato tecnológico. E essas alterações podem desconfigurar completamente a invenção pretendida, o que implica no distanciamento dos benefícios esperados pelo público-alvo e, consequentemente, maior probabilidade de não suprir as suas necessidades.

A definição da estrutura, portanto, é consequência da estratégia de suprimento das necessidades do público-alvo. Também aqui a estrutura segue a estratégia. E toda estratégia deve estar sempre em sintonia com as necessidades a serem supridas, de maneira que a estrutura resultante é a materialização da estratégia de suprimento de necessidades escolhida. Nenhum artefato pode ser produzido, portanto, sem que questões estruturais sejam respondidas. Se um protótipo foi gerado, essas questões foram respondidas, com ou sem base científica. É a partir das respostas a essas questões que as demais questões (funcionais, relacionais e ambientais) poderão ser formuladas, como será mostrado em seguida.

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