9 de maio de 2021
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O mundo apresenta uma série de oportunidades para todos aqueles que almejam algum tipo de sucesso na vida. Isso quer dizer, por outro lado, que há pessoas que não têm essa intenção, principalmente aquelas cuja realidade lhe proporciona os contentamentos de que necessita. Contudo, como regra geral, a maior parte da população do planeta sente algum tipo de necessidade ainda não suprida. E isso leva em consideração também suas organizações e instituições. É neste particular que se inserem todos os esforços de geração de tecnologias e que, para nós, delimita o seu escopo conceitual. Uma tecnologia é todo artefato que supre algum tipo de necessidade. Um artefato algo produzido, inventado ou, como preferimos, gerado. É exatamente isso o que sua raiz etimológica quer dizer, assim como a palavra arte. Toda arte é, consequentemente, produto da ação. Isso quer dizer também que há arte que não é feita pelo ser humano, mas que não vem ao caso aqui.

O fato de ser produzido é um dos atributos dos artefatos. O segundo é a necessária vinculação a uma necessidade a ser suprida. Uma necessidade é tudo aquilo que é sentido como faltante e que sua presença traria maior contentamento ou eliminaria algum sofrimento. Tome-se mais uma vez o caso da pandemia do coronavírus. A vacina é o artefato que muitos cientistas, organizações e instituições têm perseguido no último ano. Eles manuseiam conhecimentos, máquinas, equipamentos, matérias-primas e uma série de outros recursos para gerar o produto que vai eliminar o sofrimento que o vírus causa. E, naturalmente, que dentre esses sofrimentos está o sentimento de luto.

É dentro desse contexto que devem ser compreendidas as questões de pesquisa de natureza tecnológica. Diferentemente das questões de pesquisa científica, as questões tecnológicas estão todas voltadas para o artefato que vai ajudar a suprir alguma necessidade. É por essa razão que a primeira grande questão de pesquisa tecnológica está sempre voltada para a solução da necessidade. Tem, portanto, caráter teleológico, finalístico. Se a tecnologia desejada é uma vacina, a questão de pergunta tem que estar centrada na tecnologia dos imunizantes. Algo como “Qual a tecnologia mais eficaz e rápida para produzir imunização contra o coronavírus?”. Note que a palavra tecnologia colocada na pergunta é sinônima de solução e que os termos eficácia e rapidez são os atributos centrais que a tecnologia procurada deve apresentar. Além disso, é sobre esses dois atributos que os protótipos vão ser construídos e testados.

Acontece que a pergunta central de pesquisa tecnológica só é possível de ser respondida a partir das respostas a questões específicas. Diferentemente dos procedimentos da ciência, em que apenas as etapas do método científico estão determinados, a geração de tecnologia apresenta algumas questões específicas que ajudam a conformar o protótipo e, por extensão, à tecnologia final procurada. Dividimos didaticamente em cinco tipos: conceitual, estrutural, funcional, relacional e ambiental. Essas questões específicas não visam apenas a orientar a geração do primeiro protótipo. Antes disso, elas são guias fundamentais para a coleta e geração dos conhecimentos científicos necessários para serem manuseados no esforço de produção tecnológica.

Isso quer dizer que elas devem ser primeiro respondidas com base nos estudos científicos disponíveis. Se esses estudos não forem capazes de dar conta da profundidade e amplitude exigidas para a confecção do protótipo, estudos científicos adicionais devem ser produzidos para que elas sejam devidamente respondidas. Veja o exemplo da questão conceitual “o que é uma vacina?”. Essa pergunta precisa ser respondida antes de tudo porque é a resposta obtida para ela que vai orientar as demais questões específicas. Ainda que os cientistas achem que sabem com precisão o que seja uma vacina, há sempre a mínima possibilidade de um novo conhecimento ainda pouco difundido esclarecer ainda mais o que se sabe. E, ao esclarecer, modificar as respostas a serem obtidas para as questões seguintes.

Quais são os componentes da vacina procurada? Esse é um exemplo típico de questão estrutural cujo foco é a identificação dos componentes do protótipo. É com as respostas a elas que vai ser possível confeccionar diferentes estruturas analíticas do produto, versão imagética, pictórica da tecnologia procurada. Como funciona cada componente do imunizante? Essa questão de ordem funcional pretende dar ao cientista compreensão do esquema lógico de operação interna de cada parte da tecnologia a ser gerada. Como uma parte se relaciona com os demais componentes do produto procurado? Essa questão relacional procura identificar as maneiras através das quais os componentes interagem para produzir os resultados desejados com a tecnologia. Finalmente, a questão do tipo “Quais sãos os impactos da tecnologia sobre o seu ambiente de operação e do ambiente de operação sobre a tecnologia?” tem o intuito específico de identificar e medir os efeitos da tecnologia sobre o problema que se quer com ela solucionar e, ao mesmo tempo, saber que impactos ela sofrerá dos componentes do seu ambiente de ação. Todo produto tecnológico, em maior ou menor grau, é um artefato que encapsula conhecimentos. Dito de outra forma, as tecnologias são respostas produzidas para determinadas questões encapsuladas, aprisionadas em algum artefato físico ou extrafísico.

As questões tecnológicas ainda são quase desconhecidas por parte de quase todas as pessoas que realizam pesquisas científicas. Esse desconhecimento é uma limitação séria que impede que eles aliem seus esforços de esclarecer o comportamento dos fatos e fenômenos do mundo com o agir sobre esse mesmo mundo, tornando-o mais amistoso ao ser humano. O esforço despreocupado de gerar conhecimento provavelmente teria outro sentido, caso conhecessem essa dinâmica que os cientista utilizam para produzir tecnologias. Tecnologias, aliás, que nada mais são do que a operacionalização dos conhecimentos que os próprios cientistas despreocupados criaram e não sabem.

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